Um fascínio pela história dos Templários trouxe o australiano Brenton Tarrant a Portugal, no ano passado. O percurso do supremacista branco, que matou 49 pessoas em mesquitas da Nova Zelândia a 12 de março, está agora a ser investigado pela Polícia Judiciária, segundo revelou hoje o Jornal de Notícias. Depois de uma passagem por Inglaterra, França e Espanha, Brenton Tarrant visitou o Convento de Cristo, em Tomar, e poderá ter contactado elementos da extrema-direita portuguesa.
A abertura desta investigação deu-se depois de ter sido revelado um documento de 73 páginas em que o próprio dava conta da sua passagem pela Europa, em 2017 e 2018. Esse “manifesto”, que enviou a algumas dezenas de pessoas 9 minutos antes do atentado (entre elas a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern), explicava o que o motivava a combater os “infiéis”.
Segundo o Washington Post, o australiano desenvolveu uma obsessão pela época das Cruzadas e radicalizou-se durante esta viagem de dois anos pela Europa, visitando alguns dos locais mais emblemáticos que, na era medieval, pertenceram aos guerreiros da Ordem do Templo e da Ordem de Cristo que combatiam os exércitos muçulmanos.
“Os supremacistas brancos imaginam a Idade Média como uma época em que a Europa era toda branca, separada dos seus vizinhos e em constante conflito com aqueles que considerava serem de fora, mas nada poderia estar mais longe da verdade”, explicou ao Washington Post um dos mais reputados historiadores da era medieval, Paul B. Sturtevant.

O terrorista desenhou vários símbolos medievais e templários no colete à prova de balas e nas armas que utilizou no massacre, escrevendo também nomes de figuras que o terão inspirado, como Hitler. Surge também o nome de Charles Martel, o militar que derrotou o último grande exército muçulmano a tentar invadir França, na Batalha de Tours, em 732. Esta é considerada a ação que salvou a Europa de ser ocupada e transformada num Grande Califado, uma pretensão islâmica que assim ficou confinada à Península Ibérica.
