Filmagens no Convento de Cristo na origem da polémica que acabou por o não ser. Foto: DR

A polémica reportagem do programa da RTP “Sexta às 9” sobre o Convento de Cristo e os danos causados pela passagem das filmagens da película “O Homem que matou D. Quixote” abriram a reunião de câmara de Tomar desta segunda-feira, 5 de junho.

O executivo municipal, por unanimidade, aprovou pedir “com urgência” uma audiência ao Ministro da Cultura, abrir um inquérito interno sobre a situação e pedir uma reunião à Direção Geral do Património Cultural (DGPC), enviando desde já um conjunto de questões sobre o caso. Como se aprovou tal aparato dentro de um edifício classificado é uma das questões, mas também outros temas levantados pela reportagem, como a gestão da diretora do monumento, Andreia Galvão.

O filme em causa tem argumento de Tony Grisoni e de Terry Gilliam, ex-elemento dos Monty Phyton, e é uma coprodução entre Portugal, Espanha, França, Bélgica e Inglaterra. Adam Driver, o vilão Kylo Ren das novas sequelas da série “Guerra das Estrelas”, e Olga Kurilenko, uma das Bond Girls do filme “007: Quantum of Solace”, fazem parte do elenco, assim como a portuguesa Joana Ribeiro.

Segundo informação da agência Lusa, o filme tem um orçamento total de 16 milhões de euros, dos quais 1,2 milhões de euros foram gastos em Portugal. As filmagens passaram pelo Convento de Cristo em abril e maio.

“Não podemos ficar indiferentes”, afirmou de imediato a presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, assim que foi aberto o período antes da Ordem do Dia, recordando a reportagem do programa “Sexta às 9”. A autarca lembrava as várias deliberações tomadas quer pelo município quer pela assembleia municipal para que o Convento de Cristo possa ter uma gestão partilhada.

Propôs assim uma audiência “com carácter de urgência ao Ministro da Cultura” e a “abertura de um inquérito interno para averiguar o que foi noticiado”. “Apesar de nada termos a ver com o que se passou lá dentro”, não pode o executivo ficar indiferente, afirmou.

O tema mereceu a intervenção de todas os partidos, questionando o vereador João Tenreiro (PSD) a necessidade de uma fogueira de 20 metros com as capacidades técnicas de criação de efeitos especiais que hoje existem. “Temos a obrigação e o dever de exigir à tutela que” averigue estes acontecimentos, afirmou.  Proporia assim que se contactasse também a DGPC, a quem coube autorizar estas filmagens.

Já o vereador da CDU, Bruno Graça, constatou que a reportagem ia além dos danos no Convento de Cristo, abordando-se também informações relacionadas com desvios de dinheiro e a atuação da diretora Andreia Galvão para com os funcionários do monumento.

Lembraria ainda o conflito de interesses existente entre duas produtoras que estão a batalhar pelos direitos do filme (a Alfama Films, do realizador Paulo Branco, que primeiro adquiriu o contrato e a Ukbar Filmes que está efetivamente a realizá-lo). “Há muitas acusações aqui e todas elas muito graves”, afirmou, sendo que cada uma deve ser investigada e apuradas responsabilidades.

Pedro Marques, dos independentes, argumentaria que a gestão destes monumentos tem que ser repensada. “O problema começa todo na gestão e de quem define estas questões”, defendeu.

A discussão lembrou que para se fazer uma fogueira de 20 metros e outras alterações ao Convento de Cristo teve que haver um argumento autorizado pela entidade competente. Anabela Freitas fez também algumas críticas ao trabalho de reportagem do “Sexta às 9”, constatando nomeadamente uma troca de nomes.

As questões enviadas à DGPC, informou Anabela Freitas ao mediotejo.net, serão elaboradas num espaço de 48 horas. De recordar que o Bloco de Esquerda e o PS nacionais já pediram esclarecimentos quanto ao que se passou afinal no Convento de Cristo.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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