Movimento entrega baixo assinado na autarquia de Tomar contra o aumento do preço da água. Foto: DR

A empresa Tejo Ambiente aumentou em 31% a fatura da água ao consumidor final, o que despoletou indignação por parte da população, face às dificuldades financeiras que comunidade vive nos dias de hoje. “Os salários e pensões são cada vez mais desvalorizados, já os bens e serviços essenciais estão cada vez mais caros.”, afirma o representante do movimento, Nuno Henriques.

Nuno Henriques, representante do movimento “Os mesmos de sempre a pagar”.

Anabela Freitas, presidente da câmara de Tomar, esclareceu que a Tejo Ambiente compra a água às entidades em alta, neste caso à EPAL e às Águas Vale do Tejo, e depois vende ao consumidor final. “Se as empresas compram a água mais cara, vende também mais cara”, afirmou a presidente.

A autarca afirma que o baixo assinado entregue poderá ajudar numa luta com a entidade reguladora, a ERSAR, no sentido de existir uma tarifa única nacional, para a compra da água em alta. “Nós em Tomar compramos a água à mesma empresa que vende em Lisboa que é a EPAL. Compramos em dois sítios, à EPAL e às Águas Vale do Tejo, mas a água vem toda daqui. Ou seja, nós compramos a água que tem menos custo de transporte do que para Lisboa, mas compramos ao dobro do que Lisboa compra”, revela Anabela Freitas, acrescentando que “nós compramos a 0,63 m3 e temos que vender muito mais caro e Lisboa compra a 0,28 m3”.

A água sendo um bem essencial, em par de exemplo com a energia, que já tem uma tarifa única. A energia independentemente da localização no país é comprada ao mesmo preço, depois os comercializadores é que fazem a sua diferenciação no preço final ao consumidor. “A água também tem e ser comprada ao mesmo preço em todo o país”, defende Anabela Freitas.

O baixo assinado vai ser assim encomendado e enquadrado com o estudo da Tejo Ambiente, para ser emitida para a ERSAR, de forma a ajudar a fazer pressão para uma tarifa única, quando se perspetiva mais um aumento da tarifa em alta.

O responsável pelo movimento questionou a autarca, caso não houvesse um mediador como a Tejo Ambiente se os custos poderiam ser mais baixos. Anabela Freitas aproveitou para explicar a diferença entre a empresa gerida por município, Tejo Ambiente e os SMAS – Serviços Municipalizados de Água e Saneamento.

“A diferença está que enquanto os SMAS não fizerem repercutir o aumento no consumidor final, os serviços da água e de saneamento davam prejuízo, este prejuízo que era acomodado nas contas da câmara.”, explica a presidente, acrescentando que “apesar de ser detida por municípios, a lei diz que, a Tejo Ambiente, após dois anos de resultados negativos consecutivos, a empresa dissolve-se e portanto, já contamos com um ano com resultados negativos”. Ou seja, enquanto a câmara cobrindo o prejuízo dos SMAS, a Tejo Ambiente não o pode fazer, senão deixa de existir.

Anabela Freitas deu a conhecer ainda um apoio que está previsto no orçamento deste ano de apoio às famílias e IPSS’s, de forma a colmatar o aumento do custo de vida.

“Pedimos à Tejo Ambiente em que escalões se situam mais os cidadãos de tomar. É no segundo e terceiro escalão. Temos prevista uma medida provisória de quem é cliente do segundo escalão durante x meses, temos de ver em termos de dinheiro quantos meses podemos manter isto, passar a ser faturado pelo primeiro escalão, e quem está no terceiro, passar a ser faturado pelo segundo.”, explica a autarca.

A compensação da faturação será a câmara que vai dar ao Tejo Ambiente, cobrindo aquilo que é o diferencial da faturação final.

ÁUDIO | Anabela Freitas, Presidente da Câmara de Tomar

Anabela Freitas lamenta o facto que “se as entidades em alta tem a sua eficiência no máximo, podem efetivamente baixar o preço da venda, mas a ERSAR não tem grande vontade de estudar isso”, afirma a autarca, sublinhando que entidade reguladora, infelizmente, fica sempre do lado do grupo das águas de Portugal. “

Natural de Vila Nova da Barquinha, tem 25 anos e licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior.

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