Uma munícipe denunciou, na última reunião do executivo municipal de Tomar, a situação que diz viver no Bairro 1.º de Maio, apontando problemas de ruído, insegurança e perturbação do descanso. A intervenção foi feita por Maria Manuela dos Santos, que relatou dificuldades que afirma enfrentar no dia a dia desde a chegada de novos moradores ao bairro.
Durante o período de intervenção do público, Maria Manuela dos Santos afirmou que a situação tem afetado gravemente a sua qualidade de vida e a sua saúde. “Eu gostava que ele dormisse na minha casa uma noite, só para ver as vezes que eu tenho que chamar a polícia”, disse, dirigindo-se ao vereador Hugo Cristóvão.
“Já é a segunda depressão que eu tenho desde que foram para lá os ciganos”, afirmou, explicando que as dificuldades em dormir têm sido constantes. “Já fui à junta médica, esta é a quinta vez que eu fui à junta médica por não conseguir dormir”, referiu.
Segundo relatou, as noites no bairro são frequentemente marcadas por barulho e episódios que descreve como perturbadores. “É tiros, é bombas”, disse, acrescentando que as pessoas que vivem na zona “têm medo de falar”.
A moradora afirmou ainda que vive em frente à casa onde residem alguns dos vizinhos que critica, relatando episódios de barulho e confusão à porta de casa. “Às vezes estão a bater na minha porta pensando que estão a bater na porta deles. Eles não sabem onde é a porta deles? Sabem perfeitamente”, afirmou.

Maria Manuela dos Santos referiu também a presença de várias pessoas numa habitação próxima. “Está uma na esquina que metem lá 17 e 20 pessoas que vêm de não sei de onde”, disse, acrescentando que acabam por estar na rua durante a noite. “Vêm para a rua às tantas da noite fazer um barulho desgraçado e andam por ali até às duas ou três da manhã.”
Entre as situações apontadas, mencionou ainda problemas relacionados com motas e ruído. “A polícia já apreendeu duas motas 4×4 e está lá outra também em frente a mim também para a mesma coisa”, afirmou, referindo-se ao barulho provocado.
“Não há sossego, não há sossego”, disse, descrevendo o ambiente atual do bairro como “um inferno autêntico”.
A munícipe rejeitou também a ideia de que a situação sempre foi semelhante naquele bairro. “Agora não me venha dizer que já assim era o bairro. Nunca foi assim. Nós podíamos estar com as janelinhas abertas, podíamos estar sentadinhos à nossa porta, agora não podemos”, afirmou.
Na resposta, o vereador Hugo Cristóvão (PS) sublinhou que a atribuição de habitações municipais não é feita diretamente por vereadores ou pelo presidente da Câmara, sendo Tiago Carrão (PSD) o atual presidente, mas pelos serviços municipais, após análise técnica.
“Não foi seguramente o vereador da ação social ou habitação ou o presidente que entregou qualquer casa a alguém”, afirmou Cristóvão.
Segundo explicou, os processos de atribuição de habitação social seguem critérios técnicos e dependem dos recursos disponíveis. “Isso é feito pelos serviços municipais, depois de análises técnicas e tendo em conta os meios que estejam disponíveis”, disse.
O vereador acrescentou que, na gestão pública, as decisões nem sempre conseguem agradar a todos. “Nós nunca conseguimos verdadeiramente agradar a todos. Tudo aquilo que se faz agrada a uns e desagrada a outros”, afirmou, referindo que as opções são tomadas de acordo com princípios e orientações políticas definidas para a gestão municipal.

