Encerrado em 2010 pela ASAE por falta de condições, o Mercado Municipal de Tomar, entretanto reabilitado, celebra já seis anos desde que voltou a abrir as suas portas aos vendedores e clientes de Tomar e da região envolvente. Facto é que o local continua a atrair muita clientela e a ser um local de eleição para muitos tomarenses, pelo que o município quer continuar a apostar neste espaço, a aliciar os mais novos para comprarem aos produtores locais e a transformar o mercado numa referência regional e até nacional.
De forma a assinalar esta data o município distribuiu aventais com o novo logotipo do mercado por todos os vendedores do Mercado Municipal. Paralelamente estava também programado um conjunto de atividades culturais, através das atuações do grupo de danças Trebaruna e do grupo Sellium, mas estes acabaram por ter de ser cancelados devido à existência de casos positivos entre alguns dos elementos dos grupos, o que não impediu que se assinalasse a data comemorativa.

“Estamos orgulhosos pelo sexto aniversário que este mercado completa e por isso não podíamos deixar de relembrar o quanto é importante o Mercado Municipal de Tomar, não só para os vendedores, não só para quem visita, mas para o concelho”, refere Filipa Fernandes, vereadora responsável pelo Gabinete de Economia Local, Mercados e Feiras, após se ter partido o bolo e cantado os parabéns.
“Falamos de um mercado que fomenta a sustentabilidade, a qualidade do produto, apoia a economia local, e portanto compete ao município também defender e apoiar estes que são os vendedores do nosso mercado municipal”, disse ainda a edil.
Rosa Pereira, que já marca presença neste Mercado há mais de 30 anos na venda de frutos secos, considera que a afluência de pessoas ao mercado está mais ou menos igual, embora um pouco melhor. “Pelo menos tem outras condições”, diz a vendedora relativamente às obras que a ASAE obrigou a que fossem feitas no espaço e que Rosa Pereira considera terem sido benéficas, até porque o Mercado Municipal é uma marca identificativa de Tomar.

No setor ao lado, onde se vendem bacalhaus, douradas, salmões ou corvinas, Fernanda Pereira, envergando o seu novo avental branco, diz que o Mercado Municipal está melhor “sem dúvida”. Relativamente ao negócio e à clientela é mais ponderada, afirmando que vai “devagarinho”, mas considerando que as pessoas gostam de ir até ao mercado porque encontram produtos com que não se deparam noutro tipo de superfícies.
Quem concorda consigo é Vítor Bastos, que passa por nós com dois sacos na mão, e que nos explica que vem ao mercado pela oferta existente, pela qualidade e pelos preços, uma vez que os produtos das grandes superfícies por vezes têm preços mais elevados e não têm a mesma qualidade.

A distribuição das faixas etárias entre os consumidores que se deslocam até ao Mercado Municipal parece, no entanto, preocupar o município: “Como nós podemos ver ao circular pelo mercado de Tomar, a faixa etária mais predominante e aquela que vem com mais frequência às compras é já uma faixa etária elevada, portanto os jovens não têm muito a tendência de virem ao mercado fazer as suas compras”.
Com o objetivo claro de atrair os jovens para comprarem no Mercado Municipal, o Município lançou assim uma campanha do Dia dos Namorados: “queremos reverter essa tendência e por isso começamos com o sexto aniversário a convidar os jovens a vir ao mercado de Tomar a comprar e a habilitarem-se um voucher de 30 euros para no Dia dos Namorados irem com o seu par até a um restaurante tomarense e desfrutar de um agradável jantar romântico”, explicou a vereadora Filipa Fernandes.
O Mercado ofereceu assim jantares para o Dia dos Namorados aos seis casais mais jovens (em que ambos os elementos fossem maiores de 18 anos), que fizessem compras no Mercado Municipal num daqueles dois dias (28 ou 29).

Mas o fator pandémico, esse também ninguém o esquece, tal como José Duarte, vendedor de plantas e flores, que diz que após a renovação do espaço as coisas até começaram a correr bem, mas que depois a pandemia “deitou isto tudo abaixo”. José Duarte, que vende também no Mercado Municipal de Ourém, diz que as condições daquele mercado são diferentes, mas que em contrapartida tem menos público e menos clientes.
Mas, mesmo à sexta-feira, nem todas as bancas estão preenchidas como a das plantas de José Duarte, dos peixes de Fernanda Pereira ou dos frutos secos de Rosa Pereira. Este facto, no entanto deve-se a questões de saúde, conforme explica a vereadora Filipa Fernandes: “não temos bancas vazias à sexta e sábado. O que acontece, durante a semana efetivamente algumas não estão ocupadas porque os mesmos comerciantes que aqui estão também fazem outros mercados (…) assim como algumas pessoas também não lhes compensa estar aqui de terça a quinta e não têm vindo com alguma frequência”.

Segundo a edil, o município está a tentar dar a volta a questão através de convites que tem endereçado aos produtores locais para convidar aqueles que quiserem estar presentes de terça a quinta no Mercado Municipal, pelo que “o município de Tomar abre as portas para que o vinho, o mel, os cogumelos, os mirtilos, tudo o que é produzido localmente aqui em Tomar possa estar presente durante a semana gratuitamente aqui no mercado”, disse Filipa Fernandes, que aludiu ainda à reorganização que está a tentar ser feita no setor do peixe, de modo a que o Mercado Municipal possa contar com venda de peixe de terça a sábado e não só nos dias de sexta-feira e sábado.
“Portanto há aqui uma série de ações que estão a ser desenvolvidas agora de forma a que o mercado seja um espaço cada vez mais vivo, mais dinâmico, mais atrativo, e que as pessoas sintam vontade de vir ao mercado, comprar e levar para sua casa os melhores produtos que temos na nossa região”, concluiu a autarca, que considera que existem realmente possibilidades de “colocar no mapa” o Mercado Municipal de Tomar para que este seja uma referência não só de Tomar, mas também a nível regional ou até nacional.
