Foi a ouvir as preocupações de cerca de cinquenta trabalhadores da Fábrica de Papel do Prado que a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, terminou a visita que fez ao concelho de Tomar nesta terça-feira, 25 de julho. A responsável política aconselhou os trabalhadores a tentarem reunir com o Ministério da Economia com vista a impedir que a mesma venha a ser liquidada em assembleia de credores, marcada para 12 de setembro.

A reunião que decorreu no salão nobre dos Paços do Concelho e que se prolongou por cerca de uma hora, sendo que no final da mesma, Catarina Martins referiu quais podem ser, no seu ponto de vista, as soluções para esta empresa que, entrando em processo de insolvência, fechou portas a 30 de junho, mandando 72 pessoas para o desemprego.

Catarina Martins começou por ouvir de José Fonseca, da Comissão de Trabalhadores, que a empresa apresentou níveis de faturação – em junho – no valor de um milhão e cem mil euros. “Não serão muitas as empresas a faturar isto, sendo que nesta indústria há ainda a ter em conta a percentagem de desperdício de produção que é 8 por cento e que foi respeitada. Não só garantimos as encomendas como uma boa produção”, disse.

Trabalhadores da Fábrica de Papel do Prado estão revoltados contra a situação em que se encontram Foto: mediotejo.net

Os trabalhadores que pediram a palavra em seguida recordaram os problemas sentidos nos últimos anos, sendo que alguns são da opinião que a empresa é para liquidar em assembleia de credores de modo a que a empresa possa vir a ser comprada sem dívidas e sem trabalhadores, agarrando uma empresa que é rentável. “A empresa quando fechou tinha 700 toneladas de encomendas para o mês que vem e feito 1 milhão e cem mil euros de faturação. É uma empresa que tem nome, tem mercado e que depois vai pedir aos trabalhadores que regressem a troco do ordenado mínimo”, sugeriu um dos intervenientes.

“Estas liquidações fraudulentas de empresas são, muitas vezes, formas de fazer despedimentos coletivos ilegais”, disse Catarina Martins Foto: mediotejo.net

Antes destes 72 trabalhadores irem para o desemprego, já 26 tinham sido convidados para ir para casa. Os trabalhadores falam em “jogo” por parte da administração da Prado Karton e receiam que a 12 de setembro a empresa venha a ser vendida ao desbarato. A mesma opinião tem José Fonseca. “Este grupo só se está a aproveitar do que a legislação permite para atingir o objetivo final que será alguém, apoiado por eles, pegar nisto a custo zero”, considera.

Catarina Martins perguntou aos trabalhadores se o Estado é credor ou se na assembleia de credores se encontra alguma empresa pública, situação que os mesmos negaram. Questionou ainda se alguém do Ministério da Economia já tinha abordado os trabalhadores, o que estes também negaram. “Nós temos aqui vários problemas, de várias coisas que correram mal ao longo do tempo, inclusive isto ser uma empresa privada”, começou por referir.

A líder do Bloco de Esquerda considera que existe aqui um problema, comum a outras empresas, que é a “financeirização” da economia ou seja, a forma como as leis foram permeando as construções financeiras sobre as empresas sendo possível ter “grupos em cima de grupos” que depois se dividem para abrir novas empresas. “Chama-se a isto Economia de Casino. As opções políticas, da legislação, tem consequências diretas na vida das pessoas “, disse Catarina Martins.

Trabalhadores sentem que estão a ser vítimas de um “jogo” e receiam que a empresa venha a ser vendida ao desbarato Foto: mediotejo.net

“Se a empresa tem carteira de clientes, se tem máquinas, se tem trabalhadores com conhecimentos, quem deitar abaixo a empresa fica com a carteira de encomendas, com a reputação, com as máquinas e depois pode vir dizer aos trabalhadores que podem voltar a trabalhar como se fosse uma nova empresa, por muito menos dinheiro e menos condições. Na verdade, estas liquidações fraudulentas de empresas são, muitas vezes, formas de fazer despedimentos coletivos ilegais”, disse.

Em relação às soluções que apontou, a líder bloquista disse que “é preciso atuar já”, reconhecendo que o caminho é apertado por se tratar de uma empresa completamente privada. “Para além da pergunta que o Bloco colocou ao Ministério da Economia, devemos tentar fazer pressão junto da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e também que o Ministério do Trabalho e da Segurança Social se debruce perante este problema”, referiu.

Catarina Martins considera que talvez fosse possível pedir algum tipo de apoio ao Ministério da Economia para ajudar a montar uma solução para a assembleia de credores, que não fosse a liquidação da empresa no dia 12. “Não sei se existe alguma solução milagrosa, para este caso mas não seria má ideia, tendo em conta a capacidade produtiva instalada e a sua dimensão de faturação, que fosse possível reunir com o Ministério da Economia nesse sentido. O Ministério da Economia não tem que reunir apenas com os empresários. Também pode reunir com trabalhadores”, indicou.

BE defende reforço do orçamento para a Cultura em 2018

A líder do BE, Catarina Martins, defendeu em Tomar um reforço de verbas para a Cultura no Orçamento do Estado de 2018, considerando que é preciso que o Governo volte a dar aos monumentos autonomia de gestão.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Convento de Cristo, Catarina Martins lamentou ainda as pressões a que os monumentos portugueses estão sujeitos “para uma lógica de concessão a privados, para a sua manutenção”.

A líder do BE lembrou que Portugal está a viver um período de crescimento grande do turismo e que esse crescimento põe pressão no património edificado, que recebe mais visitas: “Ainda bem que assim é, mas aumentam as pressões e aumenta a responsabilidade pública sobre os monumentos”, frisou.

Para o Bloco de Esquerda, face a esta realidade, existem dois caminhos.

Um desses caminhos, que o BE rejeita, é o “fazer de conta” que está tudo na mesma apesar do crescente afluxo de turistas, pois “os monumentos ficam reféns das lógicas privadas e sem grande capacidade de manutenção face à pressão da ocupação crescente que têm”.

Ao invés, o BE defende que é “essencial” aumentar os recursos para o património cultural, “com reforço orçamental da pasta da Cultura e dar autonomia aos monumentos para poderem dar resposta às pressões quotidianas” a que estão sujeitos.

“Há todas as pressões para uma lógica de concessão a privados do património para a sua manutenção. Mas, se isso for feito, o património acabará por servir para alguns e não servir para o país todo. Se cedermos a uma lógica de privatização estaremos a matar a galinha dos ovos de ouro, também, do turismo português”, alegou Catarina Martins.

C/LUSA

 

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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