“Foi feito o corte, ou a interdição, da transposição do aqueduto, ou seja, neste momento não é possível transitar”, afirmou Tiago Carrão, indicando que a decisão de interditar a circulação no topo dnaquele monumento, junto ao Convento de Cristo, foi articulada com o Património Cultural.
Segundo o autarca de Tomar, eleito pela AD – Coligação PSD-CDS-PP, a medida tem carácter preventivo e resulta da necessidade de salvaguardar a segurança dos visitantes, numa zona com grande exposição ao risco.
“Estamos a falar de uma altura muito considerável, na casa dos 30 metros. Qualquer deslize poderia ser perigoso, para não dizer fatal”, referiu.
A interdição aplica-se ao troço superior entre as duas “mães de água”, onde anteriormente era possível a circulação pedonal, tendo sido colocados cadeados nos acessos existentes.
“Por uma questão de segurança, concordámos todos que o melhor era interditar este acesso, colocando cadeados nos portões”, acrescentou.




ÁUDIO | TIAGO CARRÃO, PRESIDENTE CÂMARA MUNICIPAL DE TOMAR:
Apesar da restrição, o monumento mantém-se visitável, ainda que sem possibilidade de atravessamento no topo.
“As pessoas podem lá ir, visitar e ver o aqueduto em todo o seu esplendor, só não podem caminhar em cima”, explicou.
A decisão surge na sequência de uma primeira vistoria técnica e enquanto se aguarda um diagnóstico mais aprofundado a cargo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
“Só com esse estudo poderemos perceber, com dados concretos e científicos, o estado em que se encontra o aqueduto”, indicou.




Questionado sobre eventuais impactos da tempestade que atingiu a região no início do ano, o presidente afirmou que, até ao momento, não há indicação de danos significativos na estrutura.
“Que tínhamos conhecimento, não houve impactos significativos, mas aguardamos o estudo mais rigoroso para tirar conclusões”, disse.
Já o vereador do PS José Delgado considerou a interdição “uma medida sensata”, tendo em conta os problemas identificados na estrutura.
“Há fendilhação bastante grave e infiltrações em toda a sua extensão. Impedir o acesso à zona mais alta evita o risco de queda para as pessoas”, afirmou.
Segundo o eleito, o troço agora interdito tem cerca de 600 metros e atinge alturas de cerca de 30 metros, defendendo a necessidade de uma intervenção mais ampla.
“É uma medida preventiva, pontual, enquanto se aguarda um estudo mais aprofundado. Tem que se fazer alguma coisa”, sustentou, considerando que o processo está atrasado e que o estudo do LNEC “ainda nem começou”, devido à elevada carga de trabalho do organismo.

ÁUDIO | JOSÉ DELGADO, VEREADOR PS NA CÂMARA MUNICIPAL DE TOMAR:
O vereador defendeu a necessidade de avançar com uma empreitada de serviços com especialistas para garantir um diagnóstico célere e uma intervenção adequada.
Em janeiro, o município já tinha anunciado a intenção de interditar a circulação pedonal no aqueduto, na sequência de recomendações técnicas, processo que agora se concretiza no terreno.
O Aqueduto dos Pegões, com cerca de seis quilómetros de extensão, foi construído entre os séculos XVI e XVII para abastecer o Convento de Cristo e está classificado como Monumento Nacional.
c/Lusa
