O Exército Português, o município de Tomar e o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) formalizaram na segunda-feira um protocolo de colaboração para preservar, estudar e divulgar o património documental e fotográfico do Regimento de Infantaria n.º 15 (RI15), numa iniciativa integrada na estratégia nacional de valorização da História Militar.
“Esta parceria representa muito mais do que a assinatura de um protocolo”, disse o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão.
“Este é um compromisso com a preservação da nossa memória coletiva e uma demonstração de que, quando unimos o conhecimento, a cultura e as instituições, conseguimos transformar o nosso património num fator de desenvolvimento para Tomar. Este é um projeto que valoriza a nossa história, reforça a identidade da cidade e projeta-a para o futuro”, declarou o autarca, citado em nota informativa.
A assinatura do protocolo surge cerca de dois meses depois da inauguração, em Tomar, da exposição “Memória e Fotografia – Regimento de Infantaria n.º 15”, integrada nas comemorações dos 220 anos da unidade e que constituiu o primeiro passo público deste projeto de valorização do espólio histórico.

O protocolo, assinado nas instalações do Instituto Politécnico de Tomar, estabelece um quadro de cooperação institucional, científica e técnica entre as três entidades para a salvaguarda de um espólio considerado de elevado valor histórico, cultural e científico, prevendo a sua investigação, conservação, digitalização e divulgação.
A cerimónia foi marcada por uma evocação histórica que contou com a exibição do filme comemorativo dos 220 anos do RI15 e uma apresentação conduzida por Patrícia Romão sobre o património documental e fotográfico da unidade militar e o trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos em Fotografia de Tomar.
O protocolo prevê o desenvolvimento de iniciativas conjuntas de investigação, programação expositiva, mediação cultural e formação, promovendo a aproximação entre o património militar, a academia e a comunidade e potenciando novas oportunidades de valorização cultural e turística para o concelho.
As atividades de natureza científica, técnica e cultural relacionadas com este projeto poderão ser desenvolvidas no âmbito do CEFT, estrutura de parceria entre o município de Tomar e o Instituto Politécnico de Tomar. O documento foi formalizado pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão, pelo presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, e pelo presidente do Instituto Politécnico de Tomar, João Paulo Coroado.
Em declarações ao mediotejo.net, o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, afirmou que esta iniciativa se enquadra numa estratégia mais ampla de preservação e valorização da memória militar portuguesa, desenvolvida em parceria com autarquias, instituições de ensino superior e outras entidades da sociedade civil.
“O Exército tem tido uma preocupação grande na preservação e na divulgação da História Militar”, afirmou, defendendo que esta missão “não é uma tarefa exclusiva da Instituição Militar” e deve envolver os territórios e as comunidades onde essa história foi construída.

Segundo explicou, além da rede de museus militares existentes, o Exército pretende desenvolver projetos que permitam preservar e divulgar a história militar de cada território, aproximando-a das populações e reforçando a sua valorização cultural e turística.
“O primeiro projeto catalisador foi o Centro Interpretativo das Tropas Paraquedistas”, em Vila Nova da Barquinha, recordou, indicando que existem igualmente iniciativas em desenvolvimento em Tomar e protocolos em preparação com Bragança e Caldas da Rainha.
Para Eduardo Mendes Ferrão, o projeto agora formalizado em Tomar “vai ser mais amplo” do que a exposição entretanto realizada sobre o RI15, devendo contribuir para preservar e divulgar a memória de uma das unidades históricas mais emblemáticas do Exército Português.

Na intervenção durante a cerimónia, o CEME defendeu que o património militar “pertence ao Exército, mas, na sua essência, é património de Portugal e dos portugueses”, considerando que a sua preservação constitui uma responsabilidade coletiva.
“O Exército reconhece que esta missão não pode ser desenvolvida isoladamente. As autarquias locais, as instituições académicas e científicas constituem-se como verdadeiros motores para a concretização deste desígnio”, afirmou.
O protocolo prevê ainda que parte das atividades científicas, técnicas e culturais seja desenvolvida através do Centro de Estudos em Fotografia de Tomar (CEFT), estrutura criada pelo município e pelo IPT, reforçando a componente de investigação e valorização patrimonial.
O protocolo agora formalizado dá continuidade à estratégia aprovada em maio pelo executivo municipal de Tomar, quando a Câmara aprovou, por unanimidade, a celebração da parceria com o Exército e o Instituto Politécnico.

Na ocasião, o presidente da autarquia, Tiago Carrão, explicou que o futuro centro interpretativo pretende valorizar não apenas a história do Regimento de Infantaria n.º 15, mas toda a ligação histórica de Tomar à componente militar, integrando uma estratégia de turismo cultural.
O autarca adiantou ainda que o município pretende candidatar o projeto ao programa “Crescer com o Turismo”, do Turismo de Portugal, cuja linha de financiamento pode apoiar iniciativas deste tipo até 400 mil euros, cabendo igualmente à Câmara encontrar o espaço onde ficará instalado o futuro centro interpretativo.
No discurso em Tomar, Eduardo Mendes Ferrão destacou o percurso histórico do Regimento de Infantaria n.º 15, recordando a sua participação na consolidação do regime liberal, na Revolução Republicana de 1910, na Primeira Guerra Mundial, na Guerra do Ultramar e em diversas missões internacionais, da Bósnia-Herzegovina ao Afeganistão, passando por Timor-Leste, Kosovo, Iraque, República Centro-Africana, Guiné-Bissau e Moçambique.

Segundo o responsável, esse percurso encontra-se refletido num “valiosíssimo património documental e fotográfico” que importa preservar, estudar e disponibilizar ao público, contribuindo para a memória coletiva e para a valorização cultural e turística de Tomar.

