A azáfama era notória numa cidade que realizava os últimos preparativos para dar partida aos milhares de crianças que se reuniram na manhã deste domingo, dia 2 de julho, na Várzea Grande, e se foram aprontar para a Mata dos Sete Montes, local da partida. Apesar do calor que se fez sentir, foram milhares as pessoas que saíram à rua para assistir a um cortejo “em miniatura”, cumprindo-se uma tradição retomada em 1991.
A multidão, expectante, procurava o melhor lugar para assistir a uma ocasião por que ansiavam há 4 anos. Nas varandas, engalanadas com mantas, eram vários os que procuravam um olhar privilegiado sobre o cortejo. Pelos passeios, lotados de tomarenses e visitantes, viam-se bancos e sombrinhas para fazer face à onda de calor e proteger do sol num espaço onde a sombra era reduzida.
Era chegada a hora. Organizados os protagonistas da ocasião,, o mordomo Mário Formiga abriu os portões da Mata dos Sete Montes e, pelas 10h00, deu início ao desfile.
VÍDEO/REPORTAGEM:
O rufar dos tambores anunciou um verdadeiro cortejo em ponto pequeno, que desceu a avenida e se mostrou perante os pais e a população em geral que, de telemóveis em punho, procuravam o melhor ângulo para captar uma experiência única na vida das 1.549 crianças que desfilaram este domingo.
O alvoroço era notório para que o protocolo e o horário estabelecido fossem cumpridos. As crianças, as “estrelas” da manhã, desempenharam o seu papel de sorrisos no rosto e deixaram orgulhoso o enorme cordão humano que se formou pelas ruas e circundou todo o percurso.
Fotos: Luís Ribeiro




Aplaudindo e gritando “vivas”, aqueles que vieram de propósito para a ocasião estavam em êxtase perante o reviver da tradição que havia levado a Festa à cidade, pela última vez, em 2019.
Lado a lado, rapazes e raparigas seguiram, de cestas na mão ou tabuleiros ao alto. Já cansados, foram vários os rapazes que auxiliaram as suas parceiras e carregaram os seus tabuleiros ao ombro.

No tabuleiro não faltavam as flores, a espiga, o pão, e a coroa com pomba branca ou Cruz da Ordem de Cristo encimada e o pano branco de renda. Realizados em ponto pequeno, recriam de forma detalhada os tabuleiros que irão ser carregados pelas senhoras durante o cortejo principal, que decorrerá a 9 de julho.
A seriedade com que a missão foi acatada pelos participantes fazia-se notar pelo afinco com que acartavam à cabeça, em cima da rodilha, o cesto de verga que servia de base à estrutura alta e vistosa.

Acompanhado pelas bandas e fanfarras, o Cortejo dos Rapazes desfilou até à Praça da República, onde puderam descansar até ao momento da bênção dos tabuleiros. O pároco Rui Tereso e o mordomo Mário Formiga entoaram a emblemática frase: “viva a Festa”, que foi repetida pelos mais novos e a gritaram cheios de orgulho.
Soadas as três badaladas, os tabuleiros subiram ao alto, cumprindo a tradição de um Cortejo que envolve 1549 crianças dos jardins de infância e do ensino primário de Tomar, este ano com 224 acompanhantes, que iam distribuindo água, seguindo o cortejo em direção à Mata dos Sete Montes, regressando assim ao ponto de onde partiram.

Com origem pagã, simbolizando a época das colheitas, a Festa dos Tabuleiros adquiriu caráter religioso na Idade Média, com a Rainha Santa Isabel, tendo visto aprovada a sua candidatura a Património Cultural Imaterial Nacional.

Dada a sua complexidade, a festa realiza-se de quatro em quatro anos, tendo havido apenas uma edição em que o povo decidiu adiar a sua realização por um ano, por coincidir com a Expo 98, evento no qual participou com um cortejo a convite do então Presidente da República, Jorge Sampaio.
A “festa maior” tomarense, que acontece de 4 em 4 anos, vai decorrer até ao dia 10 de julho, segunda-feira.
O “dia grande” acontece no domingo, 9 de julho, com a saída do cortejo principal pelas ruas da cidade. Para este que é um dos momentos mais aguardados, são esperados cerca de 750 mil visitantes, que perfazem 1.5 milhões de visitantes ao longo de todo o programa festivo, segundo as previsões da organização.
FOTOGALERIA de LUÍS RIBEIRO:








































Muito bom. Ao ler fiquei com a sensação que estava em Tomar a ver o desfile. Obrigada 🙏