A apresentação do estudo, que contou com a presença do presidente do município, Hugo Cristóvão, conclui que o valor médio da despesa por pessoa, que se deslocou a Tomar, em 2023, para assistir à Festa dos Tabuleiros, foi de 182,06 euros, montante ao qual foram descontados os custos da organização do evento. O impacto económico direto foi, assim, de 17,5 milhões de euros. “Por cada euro investido pela autarquia, obteve-se um retorno de 13,5 euros”, asseguram os autores do documento.
Se se considerarem os efeitos multiplicadores do aumento do volume de receitas, do acréscimo de consumo na economia local para a produção de bens e serviços, e do crescimento do rendimento familiar, a médio e a longo prazo, os investigadores acreditam que o impacto total na economia local poderá atingir 29,7 ME.
Contudo, para o impacto na economia local poder crescer, avança o JN, os autores do estudo defendem que terão de ser promovidas outras ações entre cada edição do evento. Sugerem ainda a “criação de um Observatório da Festa dos Tabuleiros, complementado por um Barómetro da Festa dos Tabuleiros, com uma equipa dedicada, que permita integrar as diversas dinâmicas associadas a esta experiência singular”.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente do município, Hugo Cristóvão, abordou a importância do estudo de avaliação da eficiência coletiva da Festa dos Tabuleiros e da apresentação do livro sobre a Festa dos Tabuleiros e o Património Cultural Imaterial, momentos que decorreram na sexta-feira.

ÁUDIO | HUGO CRISTÓVÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:
A avaliação da eficiência coletiva da Festa dos Tabuleiros baseou-se nos critérios de consistência (modelos de inovação territorial), coerência (disponibilidade a abdicar/pagar) e eficácia (impactos económicos, sociais e ambientais).
Do total de inquiridos, 55,2% são do sexo feminino, 34,7% têm entre 18 e 29 anos, 45,8% são solteiros, 37,5% têm como habilitações académicas o ensino secundário, e 44,2% trabalham por conta de outrem.
Livro sobre a Festa dos Tabuleiros e o Património Cultural Imaterial lançado na sexta-feira
“Festa dos Tabuleiros: Um caminho de reconhecimento e preservação” é o título da sessão realizada na sexta-feira, 23 de maio, na Sala Multiusos do Complexo Cultural da Levada de Tomar, no âmbito da qual foi apresentado o livro “A Festa dos Tabuleiros e o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”.

A iniciativa começou com a apresentação da Avaliação da Eficiência Coletiva da Festa dos Tabuleiros 2023, na sequência de protocolo com o Instituto Politécnico de Tomar, e com coordenação do Professor Sérgio Nunes. Seguiu-se a apresentação do livro, da autoria do antropólogo André Camponês e com edição do Município de Tomar, que, tal como indica o título, resulta da candidatura da Festa ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, no qual foi inserida faz agora dois anos.
A investigação que sustenta esse estudo teve início em 2019, na sequência do protocolo entre o Município e o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa com vista a construir uma base sólida e rigorosa para a referida candidatura, e que exigiu um levantamento exaustivo das práticas associadas à Festa, mas também uma abordagem crítica, multidisciplinar e profundamente enraizada na realidade local e nas vivências da comunidade.

O trabalho de campo constituiu vertente central da investigação, com o acompanhamento direto das várias fases da preparação e realização da Festa, tanto em momentos formais (caso das reuniões da Comissão Central), como em contextos informais e quotidianos, como os ensaios, decorações, cortejos ou atividades das freguesias, como explicou ao mediotejo.net o autor do livro agora publicado.

ÁUDIO | ANDRÉ CAMPONÊS, AUTOR DO LIVRO FESTA DOS TABULEIROS:
O livro inclui uma primeira parte com a análise dos papéis desempenhados pelos diferentes agentes envolvidos na produção e reprodução da Festa e a forma como esta se estrutura como uma rede comunitária complexa, assim como o seu percurso histórico através de diferentes ciclos de desenvolvimento, desde as origens vinculadas ao culto do Espírito Santo até à institucionalização contemporânea como símbolo identitário de Tomar.
A segunda parte foca-se no património associado aos Tabuleiros, sistematizando os elementos emblemáticos que sustentam e envolvem a prática festiva e os saberes técnicos e artísticos mobilizados para a sua criação.
Por fim, e para fundamentar o processo de inventariação e garantir a preservação da memória festiva, o livro apresenta um apêndice documental e gráfico que reúne, de forma sistematizada, a informação disponível sobre todas as edições conhecidas da Festa dos Tabuleiros desde o final do século XIX até à atualidade.

O presidente da Câmara de Tomar quer potenciar a atual dinâmica turística concelhia com aposta na história templária, turismo religioso e desportos natureza, privilegiando a qualidade em detrimento de um turismo de massas. Os monumentos e espaços culturais em Tomar registaram em 2024 mais de meio milhão de turistas, com os equipamentos de gestão municipal a aumentarem 7% face ao ano anterior e o Convento de Cristo a destacar-se nas contas globais.
