O executivo de Tomar chumbou uma proposta do PSD que visava criar um regulamento municipal para incentivar a fixação de médicos de família no concelho. A medida, que surgiu em resposta às dificuldades enfrentadas pela população no acesso aos cuidados de saúde primários, foi apresentada pela vereadora Lurdes Ferromau Fernandes (PSD), tendo a proposta sido chumbada pela maioria PS. O presidente da Câmara, Hugo Cristóvão, entende que o problema da falta de médicos deve ser tratado a nível nacional.
“Esta proposta é uma proposta para dar início à elaboração de um regulamento que preveja a atribuição de apoios à fixação de profissionais de saúde”, enquadrou a vereadora social-democrata. “O objetivo aqui é de nós todos podermos pensar em medidas, em ações diferenciadoras, do nosso concelho, que não serão novas certamente, mas poderão até no nosso concelho ter alguma diferenciação”, declarou
Lurdes Fernandes disse que a fixação destes profissionais é essencial para garantir o acesso adequado aos cuidados de saúde e reconheceu a dificuldade generalizada em atrair médicos para localidades do interior.
“Se formos a avaliar, poderemos dizer que não há muitos casos de sucesso. Os profissionais de saúde que são escassos e que hoje em dia têm, de facto, outros interesses para além da sua profissão, como todos os outros jovens, como todos os outros profissionais”, referiu.
Para a social-democrata, é fundamental que o município invista em soluções criativas. “Para captar pessoas, quer seja para trabalhar na saúde, quer seja para trabalhar noutras áreas, é obviamente importante podermos ter ações diferenciadoras.”
Em resposta à proposta apresentada pelo PSD de Tomar para a criação regulamento de incentivos, o presidente da Câmara, Hugo Cristóvão (PS), manifestou reservas quanto à eficácia e equidade de medidas locais neste domínio. O autarca reconheceu, no entanto, as boas intenções da iniciativa, mas defendeu que a solução deve ser encontrada a nível nacional.

“Como a senhora vereadora bem disse, também não há muitos exemplos bem sucedidos por esse país fora. Alguns casos que algumas Câmaras têm tentado, mas que depois as coisas, enfim… por uma razão óbvia, é que problemas nacionais têm que ter soluções nacionais, mesmo que seja na lógica da atribuição de apoios”, declarou Hugo Cristóvão.
O autarca socialista alertou para as consequências de uma abordagem descoordenada entre municípios, que pode levar a uma competição prejudicial.
“Estamos a entrar no tal leilão dos médicos, em que uma Câmara dá X, agarra um médico ou dois e depois a outra ao lado dá X e mais qualquer coisa e os médicos mudam-se para lá. Seria um mau princípio entrarmos neste jogo, que ainda por cima, de facto, teria muita dificuldade em ter algum sucesso”, afirmou.
Hugo Cristóvão apontou ainda para os desafios logísticos e financeiros de uma medida deste tipo. “Só em termos de lugares de médico de família no nosso concelho são 27 ou 28. Portanto, no dia em que déssemos para um, tínhamos que dar para todos”, notou.
A proposta acabou por ser rejeitada com os votos contra do PS, ficando apenas com o apoio dos vereadores do PSD. Recorde-se que já na reunião do executivo anterior o PSD havia manifestado a intenção de propor um regulamento com o objetivo de atrair e fixar médicos de família no concelho.
Uma medida que surgiu “em resposta às dificuldades no acesso aos cuidados de saúde primários e pretende estabelecer incentivos como apoios financeiros, benefícios fiscais e até habitação para os profissionais de saúde que optem por trabalhar em Tomar”.
À data, a vereadora social-democrata Lurdes Ferromau sublinhou a gravidade da falta de médicos no concelho, afirmando que esta situação “prejudica seriamente a qualidade de vida da população”. A proposta incluía a possibilidade de os apoios serem flexíveis e ajustados consoante as necessidades, reforçando o compromisso da autarquia em melhorar o acesso à saúde através da captação de profissionais.
No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Cristóvão, do PS, mostrou-se reticente quanto à proposta, alertando para o risco de uma competição desleal entre municípios que poderia originar um “leilão” de incentivos. Na sua perspetiva, esta é uma questão nacional que deve ser resolvida com políticas estruturais por parte do governo central, e não apenas com soluções locais, que poderão ser ineficazes a longo prazo.
