Um espectáculo de emoções. Foi assim o “Canta-me como foi… no Teatro”, um evento de música e teatro que esgotou na noite de sexta-feira, 22 de abril, o Cine-Teatro “Paraíso” em Tomar.

O espectáculo – que contou com cerca de 50 pessoas em palco das mais variadas idades – foi apoiado pela Câmara de Tomar e organizado pelo Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, contando ainda com a participação da Tuna “Sabes Cantar” da Escola Secundária Santa Maria do Olival, da Universidade Sénior de Tomar e do Centro de Formação Profissional.
Iniciou-se com uma cena animada que retratava uma passagem de ano no início dos anos 70, misturando muita dança com história. Ao longo de mais de hora e meia, professores, alunos e funcionários do Agrupamento de Escolas divertiram e emocionaram o público retratando a realidade que Portugal vivia antes da Revolução dos Cravos, com o apogeu do espectáculo a acontecer com a entrada em palco dos elementos da Tuna Sabes Cantar e com alguns cubos gigantes, de forma mirabolante, a passar por entre as cabeças dos espectadores até que no palco formaram a palavra “Liberdade”.

Na plateia, além da presidente da autarquia, Anabela Freitas, e do vereador da Educação, Hugo Cristóvão, encontrava-se ainda um convidado especial: o secretário de Estado da Educação, João Costa. No final, o governante disse ao mediotejo.net ter ficado impressionado “pelo encontro de gerações em palco” e pela mensagem que foi passada ao público.

Sentadas na primeira fila, Júlia Leal e Ana Maria Bento foram as madrinhas de guerra. “Ainda me lembro de quando era proibido usar isqueiro”, conta Ana Maria, que foi madrinha de um rapaz que conheceu num baile. As duas contam, entre gargalhadas, que estão a gostar do espectáculo até porque o marido de Ana Maria, que está reformado, é um dos “atores” desta noite de abril. “Agora depois de velho é que lhe deu para dançar”, brinca, muito divertida.

A Guerra do Ultramar e as suas madrinhas, os suspiros das mães pelos jovens que iam “às sortes”, as garrafas de vinho que ficavam a meio à espera do seu regresso, a censura, as radio novelas, as conversas de taberna, os bailes e namoricos às escondidas, as proibições da ditadura ou a PIDE foram alguns dos temas focados, não faltando muitos momentos cómicos nem as piadas célebres a Américo Tomaz, último presidente da República do Estado Novo. Depois de uma primeira parte onde se destacou o teatro e a dança, a música tomou conta do Cine-teatro e ouviram-se muitas canções, homenageando-se ainda o Fado e o Cante Alentejano, duas tradições portuguesas que receberam recentemente o selo de Património Imaterial da Humanidade.

Este espectáculo de abril – que todos os anos já se tornou obrigatório na agenda de muitos tomarenses – contou com encenação da professora Ana de Carvalho e com orientação musical de José Morgado. A professora Júlia Quadros também ajudou na sua criação e o professor José Vasconcelos emocionou o público ao ler palavras sobre a revolução dos Cravos e a necessidade de todos trabalharmos sempre – e de forma continuada – pela construção de um mundo melhor.

a orientação musical é do prof. José Morgado e não José Mourato.