Duas das quatro viaturas de socorro avariadas em Tomar já estão operacionais. Foto: DR

A presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, revelou hoje, durante a reunião de executivo, que a corporação dos Bombeiros Municipais já tem ao serviço duas das quatro viaturas de socorro a emergências pré-hospitalares que estavam avariadas. Durante alguns dias, e com as quatro viaturas avariadas em simultâneo, o socorro foi prestado pela Cruz Vermelha e bombeiros das corporações vizinhas.

Na reunião que decorreu na manhã de hoje [segunda-feira]Anabela Freitas (PS) revelou que “neste momento, das quatro ambulâncias, duas já estão ao serviço. A do INEM já entrou ao serviço e a quarta ambulância, a última a avariar também já está ao serviço”.

Depois de a 16 de dezembro os Bombeiros Municipais de Tomar terem ficado sem nenhuma viatura de emergência pré-hospitalar, uma vez que as quatro ambulâncias de socorro, uma delas do INEM, se encontravam avariadas.

Apesar do reforço de operacionais na corporação de Tomar, com 19 operacionais (16 sapadores e 3 voluntários), o Corpo de Bombeiros Municipais de Tomar tem contado com o apoio de outras corporações para dar o apoio necessário à população.

No dia 21 de dezembro a presidente da autarquia, Anabela Freitas, assegurou que o socorro à população “nunca esteve em causa”.

“Assim que a última ambulância, que é a mais antiga e foi adquirida em 2014 pelo executivo, avariou na noite de sexta-feira, imediatamente informámos quer o INEM quer o Centro de Operações Distritais de Socorro de Santarém, bem como o Centro de Operações de Doentes Urgentes, no sentido de fazerem imediatamente a triangulação, caso acontecesse alguma coisa no concelho de Tomar, serem chamadas as outras corporações de bombeiros e foi o que aconteceu”, informou, a uma rádio local.

Tiago Carrão, vereador do PSD, discordou das declarações feitas pela autarca à rádio Hertz. “Eu não consigo concordar com essas palavras (…). As ocorrências dos Bombeiros do Município de Tomar (…) são dominadas por aquilo que são as emergências pré-hospitalares, ou seja, aquelas que são tendencialmente socorridas pelas ambulâncias. Nos últimos meses na casa dos 80% (…) são emergências pré-hospitalares, como a senhora presidente disse, Tomar é o segundo maior do distrito com mais ocorrências deste género”, referiu o vereador da oposição.

Tiago Carrão veiculou a necessidade de dar uma resposta atempada pelo que, de acordo com o vereador, a deslocação de ambulâncias de outros concelhos poderá ter colocado o socorro da população em causa.

“Nós sabemos que em certas situações mais complicadas, o tempo de resposta é determinante (…). A cada minuto que passa após uma paragem cardiorrespiratória, diminuiu a hipótese de sobrevivência de 7 a 10%. Ou seja, é totalmente diferente vir uma ambulância ali do fim da rua, salvo seja, do que vir uma ambulância de um concelho vizinho (…). Efetivamente esteve em causa, porque para quem está aflito 5 ou 10 minutos pode fazer muita diferença”, acrescentou.

Tiago Carrão, Vereador do PSD. Foto: tiagocarrao.pt

“O tempo de quem espera, nunca é o tempo de quem socorre, mas mesmo com as quatro ambulâncias a funcionar, vêm sempre Corpos de Bombeiros de fora e não é por solidariedade, é porque é obrigatório fazer a triangulação. E portanto, a quarta ambulância avariou estávamos nós em plena Assembleia Municipal e foi avisado logo o Centro de Operações de Doentes Urgentes (…)”, referiu Anabela Freitas. A responsável política garantiu ainda que “nunca esteve em perigo não haver o socorro no concelho de Tomar. É acionado o corpo de bombeiros que está mais próximo do local da ocorrência”.

Perante o problema que se agravou no dia 16, com a avaria do último veículo da corporação, tem sido a ambulância da Cruz Vermelha a realizar alguns serviços de emergência. O protocolo foi estabelecido com a Cruz Vermelha, nomeadamente com a Delegação de Tomar e Abrantes, entidade que disponibiliza entre um a dois veículos para auxiliar nas missões de socorro.

“A última ambulância avariou no dia 16 e só no dia 19 tivemos uma ambulância da Cruz Vermelha disponível no quartel (…), temos aqui um hiato de tempo que me leva a contradizer aquilo que a senhora presidente disse”, referiu Tiago Carrão.

Face aos constrangimentos nas viaturas de emergência pré-hospitalar, os vereadores do PSD solicitaram esclarecimentos sobre a situação à Câmara Municipal, através de requerimento enviado a 19 de dezembro,. No documento enviado, os vereadores procuraram apurar o número de ambulâncias existentes no serviço, a data de aquisição e os quilómetros percorridos por cada uma delas. Para cada um dos veículos de socorro, os vereadores da oposição solicitam “o motivo e data da avaria” e “a razão na demora da reparação”.

O PSD questionou o asseguramento dos serviços de socorro à população e de que forma este foi articulado. No requerimento endereçado à autarquia, o grupo partidário solicitou ainda uma “explicação para que uma situação desta gravidade, capaz de colocar em causa o socorro da população tomarense, tenha ocorrido”, lê-se no documento enviado ao nosso jornal.

“No orçamento do ano que vem, a senhora presidente considerou que a Proteção Civil não era mais um eixo prioritário, sendo que esta a mim parece-me ser uma questão prioritária. Depois temos também a questão de, em condições regulares, termos quatro ambulâncias. Estando as quatro a funcionar também se levanta a questão se é suficiente ou não. Tendo em conta os números em média de mais de 10 ocorrências por dia, uma deslocação a Abrantes com uma situação mais grave, (…) ou basta haver uma avaria e o socorro ficar logo comprometido”, afirmou o vereador do PSD.

Anabela Freitas, presidente da autarquia tomarense. Foto: arquivo mediotejo.net

A responsável autárquica referiu que o número de viaturas de socorro está de acordo com os recursos humanos da corporação de Bombeiros do Município. “Para aquilo que é o nosso Corpo de Bombeiros, nós até temos uma ambulância a mais, porque não entra em linha de conta com o número de ocorrências”, explicou Anabela Freitas

A presidente acrescentou ainda que a Câmara Municipal de Tomar tem feito “o maior investimento, em equipamento, no reforçar do quadro de pessoal e o facto de não estar em objetivo estratégico não quer dizer que não se continue a investir em equipamento para o Corpo de Bombeiros”.

Durante a sessão Tiago Carrão apelou, ainda, à necessidade de repensar o problema de forma a evitar que a situação se repita no futuro.

“Acho que se devia pensar bem esta situação porque temos feito um reforço e bem dos recursos humanos dos Bombeiros do município de Tomar, mas também é necessário que haja um bom senso (…). Porque esta situação aconteceu, foi realmente uma coincidência as quatro, mas parece-me facilmente algo que se pode repetir, tendo em conta aquilo que é o cenário atual”, referiu.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

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