Em ano de pandemia, e declarado o estado de calamidade, não se realiza a anual Feira de Santa Iria, em honra da mártir da antiga Nabância a quem os tomarenses são devotos. Esta terça-feira, dia 20 de outubro, assinala-se o Dia de Santa Iria, padroeira de Tomar, mas sem a habitual procissão que percorria a zona histórica, e que culminava com o lançamento de pétalas de flores ao rio Nabão em sua homenagem. O dia será assinalado com Missa Solene, pelas 18h30, a partir da Igreja de Santa Maria do Olival, transmitida online e em direto através das rádios locais, no Facebook e YouTube.
Num ano normal, estaria a decorrer a Feira de Santa Iria, que teria iniciado na sexta-feira anterior à efeméride dedicada à padroeira nabantina, mas a pandemia de covid-19 e os avisos para as condições atmosféricas adversas fizeram com os eventos, inclusive a procissão até à Ponte Velha, fossem cancelados.

De qualquer modo, a missa em honra de Santa Iria, que poderá contar com presença da comunidade, está marcada para as 18h30, sendo ainda transmitida em direto no Facebook das Paróquias de Tomar e no canal do YouTube, na Rádio Cidade de Tomar e na Rádio Hertz.
A missa decorre na Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar, estando fechada a Igreja de São João Baptista a partir das 17h00.
Pela efeméride, também a Capela de Santa Iria está excecionalmente aberta, podendo ser visitada entre as 10h00 e as 13h00 e entre as 14h00 e as 17h00.
Quem foi Iria de Tomar, a padroeira dos nabantinos?
Consta que Santa Iria, padroeira de Tomar, terá vivido na antiga cidade visigótica Sellium / Nabância, em meados do século VII.
Encerra em si uma lenda trágica, que culminou com o seu assassinato nas margens do rio Nabão, tendo o seu corpo sido atirado ao rio.
Consta que Britaldo, filho do governador da cidade, se perdeu de amores pela jovem de 15 anos que se preparava para a vida religiosa, quando se encontraram naquela que seria a Igreja de S. Pedro Fins. Mas quem educava Iria, o Frei Remígio, também se demonstrou interessado, tendo sido repudiado. Motivo que o levara à vingança, dando-lhe uma infusão que a fez inchar e passar por grávida.

Sabendo dos acontecimentos e cego por saber da suposta gravidez da jovem, o enamorado Britaldo sentiu-se traído e logo mandou Banão matar Iria, enquanto esta orava junto ao rio Nabão.
Entre as múltiplas versões da lenda, diz-se que o corpo que caiu ao rio foi arrastado até ao rio Tejo, tendo seguido até Scalabis (Santarém) “onde, por graça divina surgiu um túmulo que a envolveu e permitiu a sua veneração a todos quantos presenciaram o milagre”. A cidade chegou a chamar-se Santa Iria, e só depois lhe foi atribuído o nome de Santarém.
Em Tomar, em homenagem à padroeira, foi criada por Carta Real de Filipe III de Portugal, a 3 de Outubro de 1626, a Feira de Santa Iria, que veio substituir a anterior, de Santo André.
Realiza-se anualmente a Feira de Santa Iria, que integra a Feira das Passas, assinalando-se o Dia de Santa Iria a 20 de outubro, onde se leva a cabo a procissão com o lançamento de pétalas de flores em homenagem à mártir.
Fonte: http://www.conventocristo.gov.pt
