Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, destacou o simbolismo de a iniciativa nascer precisamente na cidade onde “a herança templária ganha forma, significado e sentido”. A realização deste primeiro encontro, afirmou, demonstra “a maturidade que o projeto atingiu e a ambição que queremos imprimir ao seu futuro”.
Carrão sublinhou que Tomar, enquanto território que guarda esta memória, tem também a responsabilidade de liderar e projetar a rota. “Os templários ergueram aqui não apenas um castelo, mas uma visão. Traçaram mapas, abriram caminhos e lançaram sementes que Portugal transformou em história. Não poderia existir local mais apropriado para acolher este encontro.”





O autarca defendeu que a transformação da Rota dos Templários num produto turístico exige investigação, inovação, sustentabilidade e envolvimento das comunidades. “Temos a força do legado templário, mas precisamos agora de construir uma rota que vá além do simples olhar o passado e que sirva de alavanca para o futuro e para o desenvolvimento do território”, afirmou.

Na mesma sessão, a vice-presidente do Turismo do Centro, Anabela Freitas, reforçou que o grande objetivo da rota é a sua consolidação enquanto produto turístico capaz de gerar valor económico para os territórios. “A rota ainda é um recurso, mas o que pretendemos é que se transforme num produto turístico”, afirmou.
Anabela Freitas sublinhou que o sucesso turístico assenta num “triângulo virtuoso” composto por três pilares: poder público, academia e setor privado.
“Não podemos falar em turismo sem privados. Podemos ter os melhores espaços de visitação, a melhor requalificação pública e o melhor merchandising, mas quem opera o turismo são os operadores, as agências, a animação turística, a restauração e o alojamento”, destacou.




Defendeu igualmente a importância da academia na construção de um produto histórico como este, garantindo rigor científico no storytelling e na estruturação das experiências. Estes encontros, acrescentou, “são essenciais para reunir estes três atores e permitir que trabalhem em rede para um objetivo comum”.
O primeiro painel, subordinado à temática “Conhecer o Património Templário”, contou com a participação de Joana Lencart, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que apresentou uma síntese da herança templária em Portugal, tendo destacado que apenas o conhecimento científico, sustentado em documentação histórica, permite divulgar e interpretar este legado com rigor.
Durante a sua intervenção, sublinhou o papel dos municípios, museus, centros interpretativos e agentes culturais na promoção desta herança, lembrando que o turismo templário tem impacto direto na preservação dos lugares e no desenvolvimento das comunidades.

Andreia Galvão, diretora do Convento de Cristo, afirmou que o monumento deve ser entendido como um conjunto inseparável do Castelo Templário fundado em 1160, cuja importância histórica e estratégica tem sido frequentemente secundarizada, tendo sublinhado que este núcleo templário continua a ser o principal fator de atração para milhares de visitantes.
A diretora revelou que a obra financiada pelo PRR irá permitir musealizar e abrir ao público áreas do castelo até agora inacessíveis, criando novas formas de visitação e reforçando a leitura do legado templário. Assinalou ainda o crescimento da procura: de 312 mil visitantes em 2023 para mais de 349 mil em 2024, números que demonstram o interesse crescente pelo monumento classificado pela UNESCO.

Andreia Galvão concluiu alertando para a necessidade de integrar também o Aqueduto dos Pegões na estratégia turística e patrimonial da região.
Considerado uma obra de engenharia notável do século XVI, o aqueduto permanece “esquecido” sendo, segundo a diretora do Convento de Cristo, essencial unir esforços entre cultura e turismo para o transformar num espaço de fruição e visitação compatível com o restante património templário de Tomar.
Na sua intervenção, Emanuel Campos, do município de Mogadouro, destacou que o Castelo de Mogadouro integra um território historicamente marcado pela linhagem dos Bragança e pela afirmação da monarquia portuguesa desde o século XI. Recordou que a fortificação surge na documentação apenas nas últimas décadas do século XII, já sob domínio dos Templários, embora se admita uma origem anterior.
A sua doação à Ordem do Templo, datável de cerca de 1145, inseriu o castelo numa rede estratégica de fortalezas templárias que defendia a fronteira oriental do reino.
O orador explicou que o Castelo de Mogadouro e o vizinho Penas Roias atravessaram, entre os séculos XII e XIII, sucessivas alternâncias de domínio entre Templários e Coroa, reflexo de conflitos, permutas e inquéritos régios. Sublinhou que os Templários desempenharam um papel central no povoamento e defesa do território, deixando marcas ainda visíveis, como a torre de menagem templária, um dos elementos militares mais emblemáticos do Nordeste Transmontano.

Emanuel Campos apresentou ainda o projeto em curso para a criação do Museu do Castelo de Mogadouro, concebido para valorizar o monumento, proteger estruturas arqueológicas e abrir novos circuitos de visita. Defendeu que esta intervenção, articulada com a revalorização das fortalezas vizinhas de Penas Roias e Algoso, permitirá recuperar o património templário do Alto Douro e integrá-lo numa oferta cultural e turística.
O painel “Interpretação e Mediação” focou-se no desenho de itinerários e na criação de novas experiências turísticas, com contributos de Carlos Martins (OPIUM), Miguel Marques (Caminhos da História), Jorge Rodrigues (Templar – Rotas e Destinos Turísticos) e Teresa Nicolau (Tesouro d’Almourol).

A tarde incluiu o painel “Inovar na Experiência Turística”, com exemplos de turismo 4.0, recriação histórica e gastronomia temática, e, posteriormente, o painel “Trabalhar em Rede e Envolver Comunidades”, onde serão apresentados casos de estudo de outras rotas culturais nacionais e práticas de acessibilidade em centros interpretativos.
O dia terminou com uma degustação comentada e uma experiência imersiva na Torre templária de Dornes.
Amanhã, dia 27 de novembro, decorrem visitas técnicas ao Convento de Cristo, ao Centro Interpretativo Tomar Templário – Complexo da Levada, ao Castelo de Almourol e ao Centro Interpretativo Templário de Vila Nova da Barquinha.
O encontro insere-se no âmbito do protocolo assinado em 2023 entre 16 municípios, três Entidades Regionais de Turismo, CIM Médio Tejo e Turismo de Portugal, que visa estruturar uma oferta articulada e sustentada sobre a herança templária em Portugal.
