Foto: Tejo Ambiente

Após ter apresentado um défice negativo em 2020 de 2,2 milhões de euros, o resultado de 2021 da empresa Tejo Ambiente volta a ser negativo, desta vez na ordem dos 896 mil euros. O município de Tomar vai comparticipar com 319 mil euros para o equilíbrio financeiro desta empresa intermunicipal, valor abaixo da comparticipação de 812.953,37€ do ano transato. A proposta desta subvenção não foi aprovada em Assembleia Municipal, tendo sido alvo de diversas críticas, mas tem de ser levada avante por lei. Anabela Freitas (PS), presidente da Câmara Municipal considera no entanto que há um “sinal positivo” na evolução da empresa.

Entre as diversas críticas apresentadas durante a sessão de Assembleia Municipal de Tomar, o deputado João Tenreiro (PSD) alertou para o facto de que ao fim de três anos de uma empresa dar prejuízo, a consequência é a dissolução, algo que o deputado prevê que seja evitado através de um aumento da fatura para os consumidores, questão igualmente abordada por Paulo Mendes (BE):

“Sabendo que a Tejo Ambiente não pode, por lei, apresentar prejuízos pelo terceiro ano consecutivo, sob o risco de dissolução, aquilo que nos espera no presente ano – aliás, está claramente referido no relatório – é uma nova trajetória tarifária (…) leia-se um aumento de tarifas”, disse o deputado bloquista.

“Por outras palavras, para a Tejo Ambiente obter a sustentabilidade económica e financeira, os municípios vão deixar de pagar subvenções, mas vamos ser todos nós, consumidores, a pagar mais, muito mais, nas faturas, e é isto que está aqui em causa”, afirmou ainda Paulo Mendes.

De igual forma, tanto Francisco Tavares (CDS) como António Silva (CDU), deixaram diversas críticas ao documento de prestação de contas, questionando sobre as (reais) vantagens para o município de Tomar em ter aderido à Tejo Ambiente e extinto os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) de Tomar.

“Não há nada que eu veja neste relatório que me diga que a situação vai melhorar, pelo contrário, vai começar a ser a população a pagar”, disse o deputado do CDS. Tendo em conta as previsões de aumentos nos tarifários para colmatar as contas, o deputado António Silva, eleito pela CDU, foi perentório em afirmar que “são inaceitáveis aumentos no tarifário de fornecimento de água aos consumidores do nosso concelho”.

“Talvez tenha chegado o momento para se fazer um balanço sobre as vantagens e desvantagens da opção tomada quando se extinguiram os SMAS para se criar a Tejo Ambiente”, disse ainda o deputado afeto à CDU.

Foto: Pixabay

Anabela Freitas, que ao invés de apresentar o relatório se colocou logo à disposição para responder a perguntas, começou por relembrar que o papel da Tejo Ambiente é comprar e vender água, e que se o preço de compra da água aumenta, e se esse aumento não é refletido no consumidor final, a entidade gestora entra em défice, deixando ainda uma crítica ao facto de a água – que é considerado um bem essencial – não ter uma tarifa única nacional, da mesma forma que acontece com a eletricidade, dando ainda nota de que o preço de compra de água em Tomar é três vezes superior ao preço com que Lisboa compra a água.

Quanto à interpelação sobre a opção pela Tejo Ambiente em detrimento dos SMAS, Anabela Freitas questionou depois os deputados se os SMAS terias capacidade para renovar as condutas – que já têm 30, 40, 50 anos – ou de realizar as obras que estão a ser feitas em Tomar e que rondam perto de 9 milhões de euros. “Tinham capacidade? Não tinham”, rematou a presidente.

“Sim, voltaria a criar a Tejo Ambiente, porque eu acredito que neste setor, acredito que a escala ganha outro poder negocial, seja junto das entidades em alta, seja junto do regulador, seja junto da banca, para fazer financiamentos para introduzir obras”, asseverou ainda a autarca nabantina na Assembleia Municipal.

Embora os resultados negativos, Anabela Freitas considera que há um sinal “positivo” na evolução da empresa intermunicipal Tejo Ambiente. Foto arquivo: CM Tomar

Em declarações ao mediotejo.net, Anabela Freitas disse considerar que o modelo que se adotou na constituição de uma empresa intermunicipal como a Tejo Ambiente foi o correto, e que “não se pode pedir” resultados positivos ao fim de dois anos a uma empresa que iniciou funções em época de Covid e de vários constrangimentos, que é altamente regulada, que tem um espartilho legal muito forte, e que tem uma dependência muito grande das entidades em alta (ou seja compra água e vende água), relembrando ainda que o preço de compra da água tem vindo a aumentar.

“Mas há aqui um sinal que eu considero positivo na evolução da empresa. No ano passado pagámos 800 mil euros, este ano pagamos 300 mil, trabalhando com o mesmo Estudo de Viabilidade Económica e Financeira, porque ainda não há um novo”, disse a líder do município tomarense, que considera este facto como um “sinal que estamos na trajetória certa”.

Anabela Freitas considera que com as alterações ao Estudo de Viabilidade Económica e Financeira (EVEF) – o qual tinha erros graves de partida e que era reconhecido por todos – “aí teremos mais condições para poder efetivamente equilibrar as contas sem ter que ir à subvenção dos municípios”, afirmou.

Conforme a autarca deu conta ao nosso jornal, o novo EVF já foi entregue à entidade reguladora (ERSAR), e que embora não se vá cumprir a previsão de entrada em vigor a 1 de junho, se espera que isso aconteça ainda este ano.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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