O programa comemorativo em Tomar incluiu ainda homenagens institucionais, atividades culturais, momentos musicais e eventos distribuídos ao longo de todo o dia.
Hugo Costa, presidente da Assembleia Municipal de Tomar, em declarações ao nosso jornal, destacou a importância simbólica e institucional da sessão solene comemorativa dos 51 anos da Revolução dos Cravos.
“Para a Assembleia Municipal de Tomar, celebrar o 25 de Abril é algo absolutamente central. Esta sessão extraordinária tem vindo a realizar-se de forma ininterrupta nos últimos 12 anos, desde 2014, conforme previsto no próprio regimento da Assembleia. Houve um período histórico em que essa tradição foi interrompida, mas fizemos questão de a retomar e manter viva”, afirmou.
O presidente sublinhou ainda que esta celebração é um momento para enaltecer os valores fundamentais da democracia: “Celebrar Abril é, acima de tudo, celebrar a democracia. É relembrar os valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da participação cívica, pilares que estruturam a nossa sociedade democrática.”

Hugo Costa recordou ainda que este ano se assinalam também os 50 anos das primeiras eleições legislativas livres, realizadas em 25 de abril de 1975, com uma taxa de participação histórica de 92%. “Foi essa eleição que deu origem à Assembleia Constituinte, responsável por escrever a Constituição de 1976. Por isso, este dia é duplamente simbólico: é o dia da liberdade e da afirmação da democracia em Portugal”, vincou.
Durante a sua intervenção na sessão solene, Hugo Costa aproveitou a ocasião para homenagear os heróis de Abril, muitos dos quais já partiram, destacando o nome de Matos Gomes, “homem de Abril com uma ligação profunda ao nosso território e à nossa região”.

O presidente deixou também uma nota de reflexão sobre o futuro, apelando à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, com especial destaque para a igualdade de género. “O futuro só pode ser construído com base no desenvolvimento, na democracia, na liberdade, na paz e na solidariedade e isso só será possível se todos compreendermos verdadeiramente a nossa história”, concluiu.
Américo Pereira, em representação dos Independentes pelo Nordeste, destacou a importância histórica do 25 de Abril e, em particular, da liberdade de voto, um dos direitos conquistados com a Revolução.

“O cinquentenário de todos estes acontecimentos poderia remeter-nos para uma democracia sólida, robusta e transparente, onde direitos como a habitação, a saúde, a educação e a justiça, consagrados na Constituição, estivessem plenamente garantidos. Mas, na realidade, esses direitos continuam a não funcionar como deveriam”, afirmou.
O deputado deixou ainda um alerta sobre o estado atual da política nacional, considerando que “a Constituição continua a não ser cumprida em várias áreas fundamentais” e que “a classe política atravessa uma crise de afirmação”, refletindo um distanciamento crescente entre os eleitos e os cidadãos.






Francisco Tavares, representante do CDS na Assembleia Municipal de Tomar, começou a sua intervenção destacando o 25 de Abril como “o marco maior da nossa história, um dia que nos libertou da ditadura, do medo e da censura. Um dia que nos devolveu a voz e, com ela, a responsabilidade de a usarmos bem.”
O deputado fez ainda uma reflexão sobre os tempos atuais, sublinhando que, apesar das conquistas da liberdade, persistem novos desafios num mundo em constante tensão. “Vivemos num mundo livre, mas em tensão; numa cidade livre, mas cheia de desafios”, afirmou.

Francisco Tavares apontou ainda a existência de um paradoxo nos dias de hoje: “Nunca tivemos tanto acesso à informação, tanto poder de expressão, tanta capacidade de mobilização. Mas, ao mesmo tempo, talvez nunca tenhamos sentido tanto medo de falar, opinar e pensar diferente.”
Na sua intervenção, Paulo Mendes, deputado municipal do Bloco de Esquerda, evocou as conquistas fundamentais da Revolução dos Cravos, as “frutuosas vitórias de Abril”, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, o sistema público de educação, a liberdade de expressão, o salário mínimo nacional, as pensões sociais, as eleições livres, o direito à greve, as férias pagas e as licenças de maternidade e paternidade.

“Celebramos o passado, mas com os olhos postos no futuro, esperando que as gerações mais novas encontrem no 25 de Abril a inspiração para aquilo que podem ser”, afirmou Paulo Mendes.
O deputado bloquista sublinhou ainda que a liberdade conquistada não pode ser dada como garantida. “A liberdade de que todos desfrutamos deve ser defendida diariamente, com o vigor necessário, para que as novas gerações se envolvam com a causa pública e com a sua comunidade, ajudando a tornar este país melhor a cada dia.”




“O 25 de Abril é de todos. Não é da esquerda, nem da direita, é do povo português”, referiu Américo Costa, em representação do CHEGA, sublinhando a importância de uma memória histórica abrangente e equilibrada.
O deputado apelou a uma leitura inclusiva da história nacional. “Portugal precisa de uma memória completa, de justiça histórica, de equilíbrio no discurso democrático. Hoje há quem use as datas da nossa história para dividir, para rotular, para alimentar um discurso de exclusão. Eu prefiro usá-las para unir, para refletir, para afirmar que nenhum português deve ser excluído do presente e do futuro do país por pensar diferente.”

Américo Costa defendeu ainda que a liberdade conquistada com a Revolução dos Cravos não pertence a um único setor político. “A liberdade que nasceu em Abril não é um privilégio da esquerda, nem uma concessão de ninguém. É uma conquista do povo português.”
Luísa Ruela, em representação da CDU, traçou paralelos entre o espírito de Abril e figuras como Camões e Carlos Paredes. “Celebrar Abril é também celebrar Camões e Paredes, dois criadores que recusaram o silêncio, dois artistas que, à sua maneira, gritaram ‘basta’ e abriram caminhos de dignidade”, afirmou.
A representante da CDU sublinhou que a liberdade não se esgota nos direitos políticos e sociais, mas encontra também na cultura uma das suas expressões mais profundas. “Liberdade sem cultura é frágil. Democracia sem memória é ilusão. Abril continua e precisa de todos e de todas para seguir vivo.”

Ricardo Carlos, deputado eleito pelo PSD, recordou a expressiva participação nas primeiras eleições livres realizadas em Portugal, após a Revolução dos Cravos. “Foi uma participação recorde, que simbolizou a esperança e o entusiasmo de um povo que finalmente podia escolher o seu destino. Hoje, temos participações eleitorais que nos envergonham a todos”, lamentou.
O deputado social-democrata reconheceu os avanços conquistados ao longo das últimas décadas, mas sublinhou que ainda há um longo caminho a percorrer. “Muito foi feito e melhorado, mas muito continua a ser necessário fazer, em áreas como a igualdade de oportunidades, a solidariedade ou o combate à pobreza.”

Concluiu com um apelo à ação e ao compromisso democrático: “Que nunca nos falte a ousadia de questionar, de transformar. A ousadia de honrar aqueles que abriram caminho para que hoje pudéssemos estar aqui em liberdade, a celebrar e a renovar este compromisso tão profundo com o nosso país e com os seus valores.”
Hugo Ferreira, deputado pelo Partido Socialista, destacou na sua intervenção o significado profundo do 25 de Abril, enfatizando que a data não representa apenas o fim de um regime autoritário, mas o início de uma nova era de esperança para o país.
“Hoje celebramos não apenas o fim de um regime autoritário, mas sobretudo o início de uma esperança coletiva por um Portugal livre e digno. Um Portugal que nos levou a grandes transformações estruturais, que conduziu à adesão à União Europeia e a novas e reforçadas relações internacionais com o mundo desenvolvido”, afirmou.

O deputado socialista reforçou que o verdadeiro significado de Abril vai além da data histórica. “O que é Abril? Abril somos todos nós, abril são as pessoas, abril é combater a abstenção, é liberdade, é a garantia de oportunidades para todos e todas. Abril é justiça, educação, igualdade entre mulheres e homens. Abril é combater a pobreza, todas as formas de injustiça, abril é respeito democrático.”
Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar, iniciou a sua intervenção destacando o progresso significativo que Portugal alcançou desde a Revolução dos Cravos, enfatizando o impacto da liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974.
“Portugal é hoje um país incomparavelmente mais livre, mais justo e mais desenvolvido do que era antes de abril de 1974. Isso só foi possível porque houve quem, em todos os níveis da administração, se empenhasse em concretizar os valores de abril”, afirmou Hugo Cristóvão.

O edil deixou ainda um reconhecimento aos autarcas de diferentes funções, épocas e partidos, reconhecendo o papel fundamental que desempenharam na transformação do país. “Aos autarcas, em Tomar, na região e no país, que têm sido peças operativas e fundamentais nesta transformação e continuaremos a sê-lo, porque a democracia constrói-se todos os dias, em cada rua reabilitada, em cada escola requalificada, em cada família apoiada, em cada cidadão que mudou a sua vida.”
Hugo Cristóvão reforçou que, embora o 25 de Abril tenha trazido liberdade, também impõe responsabilidades. “Celebrar o 25 de Abril, mais de meio século depois, é também ter consciência dos novos desafios que enfrentamos. A liberdade não é nunca um dado adquirido, é uma conquista permanente e a democracia exige maturidade, respeito e verdade”, afirmou.
O presidente da Câmara sublinhou ainda a necessidade de a política recuperar a sua dignidade, tornando-se um lugar de serviço público, ideias e soluções. “É fundamental que saibamos todos, e que os responsáveis façam essa pedagogia necessária, entre distinguir informação de ruído, verdade de manipulação, opinião de factos, palavreado retórico e ação construtiva e transformadora, liberdade de libertinagem”, concluiu.
As celebrações dos 51 anos da Revolução, em Tomar, começaram às 10h00, com o descerramento de uma lápide que deu nome à Rua António Lopes Rodrigues, junto à Escola Básica de Santa Iria. A cerimónia prestou tributo ao antigo presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais e homenageou simbolicamente todos os autarcas do concelho, numa altura em que se assinala também o cinquentenário das primeiras eleições autárquicas em democracia.
Pelas 16h00, o Salão Nobre dos Paços do Concelho acolheu a habitual sessão solene da Assembleia Municipal, onde todas as forças políticas com representação no órgão intervieram com discursos alusivos à data. A sessão contou ainda com momentos musicais, sublinhando o simbolismo e a importância desta efeméride.
Em paralelo, entre as 15h00 e as 19h00, a Praça da República foi palco de mais uma edição do “Passeio Doce”, evento que reuniu pastelarias do concelho e outros produtores locais. O público pôde adquirir e saborear doces conventuais, compotas, mel, licores e outras iguarias típicas da região.





A animação cultural e musical prolongou-se durante a tarde no mesmo local, com atuações do Coro da Universidade Sénior de Tomar às 15h30, do Rancho Folclórico da Linhaceira às 17h30, e do grupo de dança medieval Thomar Sellium acompanhado pelo grupo de música Sacarrabos, às 18h15.
As comemorações incluíram ainda o Templários Rally Classic, cuja partida teve lugar às 16h00, na Várzea Grande. A prova contou com duas classificativas na zona de Porto de Cavaleiros durante a tarde, e outras duas classificativas noturnas na cidade, a partir das 21h20, centradas na Avenida Norton de Matos.
O rally prossegue este sábado, dia 26, com classificativas em Dornes (Ferreira do Zêzere), durante a manhã, e na zona dos Brasões, à tarde.









