As celebrações começaram logo no primeiro dia de abril com duas exposições. Nas montras dos estabelecimentos comerciais da Corredoura, estão patentes, durante todo o mês, os “Cartazes de Abril”, uma das mais poderosas ferramentas de comunicação de massas desses tempos, dando assim a conhecer alguns dos mais raros e curiosos cartazes da década de 70, e que fazem parte da coleção da Biblioteca Municipal de Tomar.
Na Casa Vieira Guimarães, no topo nascente daquela mesma rua, abriu ao final da tarde do dia 1 de abril a mostra “Abril em Tomar: História Local, Global, Atual”, um trabalho documental de João Paulo Pedro, investigador do Techn&Art do Instituto Politécnico local, que apresenta um Abril que não se reduziu a um dia em Lisboa, e cuja abundância de evocações, pretende mobilizar a História local, frequentemente vista como menor, como uma janela para um Abril múltiplo, cheio de promessas, contradições, disputas e possibilidades. Espaço para muita gente reavivar memórias, mas também para ser surpreendido com o pulsar do concelho há cinquenta anos e nos tempos que se seguiram.
A mostra estará patente até 15 de junho, de quarta a sexta-feira, entre as 14h00 e as 18h00, e ao sábado e domingo das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.
Na abertura, João Paulo Pedro fez uma síntese do que foram os anos de 1974 a 1976 no concelho de Tomar, que podem ser vistos em profundidade naquele espaço em muitos documentos da época. Houve tempo ainda para dois testemunhos: de Luís Mota Figueira, então jovem operário de 17 anos na CP, e que fez uma pintura alusiva à liberdade de expressão para estar patente nesta exposição, e de Nuno Garcia Lopes, que tinha 8 anos e viveu na escola da Linhaceira um tempo de revolução festiva que moldou a sua vida, e de que guardou recordações nos “jornais” que fazia na época.

Na terça-feira, dia 2 de Abril, a Biblioteca Municipal inaugurou outra exposição, “Horizonte Revelado”, uma itinerante criada no centenário de Alves Redol, em 2011, e cedida pelo Museu do Neorrealismo de Vila Franca de Xira. Na inauguração, pelas 15h30, esteve presente António Mota Redol, filho do escritor, que abordou singularidades, curiosidades e aspetos menos conhecidos do seu pai como agente contestatário do regime salazarista, bem como a relação de afetividade que teve com Tomar.
A mostra estará patente ao público até 30 de abril, no horário da Biblioteca.

No sábado, dia 6, decorreu o lançamento do livro “Repressão – A história de Henrique Monte – Ensaio”, de José Rodrigues Silva, no Moinho da Ordem (Levada).
Um dos momentos mais marcantes do mês decorreu no Cine-Teatro Paraíso, no dia 6 de abril, com o espetáculo “Liberdade25”, com Sérgio Godinho & Os Assessores, uma celebração de “uma das carreiras musicais mais relevantes nestes 50 anos e que teve sempre uma relação muito próxima com os valores da Revolução, revisitando a sua rica discografia, e também dando voz também a algumas palavras alheias mas às quais nunca foi alheio”, refere a nota.
A anteceder o concerto de Sérgio Godinho, o cantautor esteve no dia anterior na Biblioteca Municipal de Tomar António Cartaxo da Fonseca onde falou do seu livro “Vida e morte nas cidades Geminadas”.
Os dias 9 e 23 de abril dão lugar às duas primeiras exibições do ciclo de cinema 50 anos de Abril, 50 anos de filmes de Rui Simões, com “Bom Povo Português” e “Primeira Obra”, respetivamente, ambos com a presença do realizador, às 19h00, no Cine-Teatro. O ciclo prolonga-se ainda pelos dias 7 e 21 de Maio.

No dia 10, a Biblioteca Municipal inaugurou a exposição “Rostos de Abril”, na qual os principais intervenientes do 25 de Abril de 1974 foram homenageados por meio da expressão artística de crianças e jovens do concelho.
No sábado, 13, foi a vez de o Cine-Teatro voltar a receber o espetáculo “Mais Alto!”, concerto comentado que convidou os mais jovens a refletir sobre o poder da música nas mudanças políticas e sociais, com os músicos Francisca Cortesão, Sérgio Nascimento, Afonso Cabral e Inês Sousa.
Este sábado, dia 20, acontece um dos dias mais marcantes do mês, com a “liberdade a sair à rua”, pelas 15h30, com uma “Arruada Poética” pelo centro histórico da cidade, enquanto a Praça da República se vai encher com a recriação de imagens icónicas do 25 de abril recriados por estátuas vivas, numa iniciativa do coletivo “A Nova Geração”, promovido pelos Selway Statues.
Ainda no dia 20, pelas 16h00, abre a Exposição da Assembleia Municipal de Tomar sobre o 25 de Abril, com trabalhos dos alunos do concelho, na Casa Manuel Guimarães, que ali ficará patente até 30 de Junho.
E às 21h30, o Cine-Teatro Paraíso recebe a versão rock/coral com o Coro Misto Canto Firme e outros músicos da “Epopeia” da Filarmónica Fraude, obra que ficou para a história como o primeiro álbum rock conceptual de originais em português, publicado em 1969.
No dia 22, haverá a abertura de mais uma exposição na Biblioteca, desta vez “Construir a paz com valores de Abril”, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, podendo ser visitada até ao dia 6 de Maio.
Às 21h30 do dia 24 de Abril, no centro histórico, irá decorrer a “Revolução 74/24”, um espetáculo multidisciplinar para celebrar os 50 anos do 25 de abril nas ruas da cidade, envolto em música e teatro, com um relato atual e contemporâneo da história mais recente de Portugal. “Um verdadeiro espetáculo de e para a comunidade tomarense, com encenação de Hélder Gamboa e produção de A Tenda, Musicamera, coletividades e comunidade tomarense”, refere a nota divulgada.
Para esta recriação, será necessário um número elevado de figurantes, pelo que todos os voluntários interessados devem inscrever-se desde já pelo e-mail cultura@cm-tomar.pt ou pelo telefone 249 329 876.
No dia do cinquentenário, o auditório da Biblioteca Municipal recebe, pelas 16h00, a sessão solene da Assembleia Municipal de Tomar comemorativa dos 50 anos de liberdade. Paralelamente, estarão em exibição no local “Cartazes de Abril”, dez dos cartazes mais emblemáticos do 25 de abril, que fazem parte do espólio documental à guarda da Biblioteca Municipal de Tomar.
Pelas 19h00, será a vez de o Cine-Teatro acolher o espetáculo “Revolução que foste minha”, uma coprodução A Tenda e Musicamera, na qual será abordada a emancipação cultural, sexual e política no feminino, em torno do 25 Abril de 1974, a partir de textos de “Retrato de um amigo enquanto falo”, de Eduarda Dionísio, das “Novas cartas portuguesas”, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa e de outros textos contemporâneos.
Na sexta-feira, dia 26, pelas 21h30, também no Cine-Teatro, terá lugar o espetáculo “Canta-me como foi… há 50 anos! – Era uma vez o 25 de Abril”, planeado em conjunto pelos Agrupamentos de Escolas Nuno de Santa Maria e de Ferreira do Zêzere. O espetáculo conta com a participação do Agrupamento Gil Pais, de Torres Novas, e é inspirado no livro “Era uma vez o 25 de Abril!” de José Fanha, que celebra a democracia através do poder da palavra, do audiovisual, da dança e da música.
Conta ainda com a participação do Centro de Formação Artística da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, da Universidade Sénior de Tomar, da Fundação Maria Dias Ferreira, dos Jardins-Escolas João de Deus de Tomar e da Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina.
Por fim, no sábado, dia 27 de abril, decorrerá entre as 11h00 e as 18h00, na Praça da República, o Doce Passeio Doce, mostra e venda de doces. As comemorações encerram às 21h30, no Cine-Teatro Paraíso, com o concerto “Viver Abril” que junta a Banda Filarmónica Gualdim Pais e o Qu4rteto Tomar-lhe o Gosto.

