Assim que entramos, ouvimos dezenas de latidos de todos os lados como que a pedir: levem-me para casa, levem-me para casa. Estamos no Canil-Gatil Intermunicipal de Tomar, localizado na Zona Industrial, uma estrutura que sofreu recentemente obras de ampliação, duplicando a sua capacidade de acolher animais que são abandonados. Animais que estão à espera de um lar.
Aqui se encontram dezenas de cães das mais variadas espécies e tamanhos, em boxes limpas e cuidadas, graças ao trabalho das voluntárias da APAT – Associação Protetora dos Animais do Ribatejo Norte, fruto de um protocolo firmado com a Câmara Municipal de Tomar que permitiu o encerramento definitivo do Canil que se encontrava aberto há mais de 30 anos, em condições muito precárias, junto ao Acampamento do Flecheiro.

O vice-presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão explicou ao mediotejo.net que o investimento de cerca de 100 mil euros saiu exclusivamente dos cofres da autarquia, pretendendo-se duplicar o número de boxes e ainda proceder a melhoramentos ao nível dos arranjos exteriores e ainda na criação de dois novos gabinetes que vão ser cedidos à APAT que ali vai estar quase todos os dias (com exceção do sábado à tarde e domingo) para atender todos os que pretendam adotar um animal.
“É preciso apelar ao civismo das pessoas para que venham adotar até porque se isso não acontecer deixamos de ter espaço para acolher outros animais”, indicou.

No dia em que a nossa reportagem se deslocou ao Canil de Tomar encontramos uma família de Tomar que ali se deslocou para adotar o Faísca, um novo membro da família. Mónica Moinho, acompanhada do marido e dos dois filhos, explicou que decidiram ir ao canil para irem buscar um novo animal para oferecer à sua mãe, uma vez que acabou de perder o seu animal de estimação.
Pensaram que ao invés de comprarem deviam ir ao Canil uma vez que existem tantos animais aqui à espera de um lar, sendo que esta seria uma forma de também ajudarem.

Em relação aos dados do relatório do canil-gatil intermunicipal de Tomar relativos a 2017 e que dão conta que, no último ano, sofreram eutanásias 27 cães, Hugo Cristóvão explicou que a medida foi aplicada dentro do que a lei determina.
“As únicas eutanásias que foram feitas em 2017 – e qualquer clínica privada faz mais do que este número – têm a ver com casos extremos em que os animais nos chegam em sofrimento, ou porque tiveram um acidente ou porque estão doentes”, reitera.
O Canil- Gatil Intermunicipal de Tomar recebe animais de um outro concelho e ainda animais que ali estão por ordem do Tribunal e que têm que ser suportados pelo município.
“Recebíamos animais de Vila de Rei, que recentemente se associou a outro canil intermunicipal, mas continuamos a receber animais de Ferreira do Zêzere”, explicou, acrescentando que é a autarquia tomarense que assume todas as despesas com esta estrutura e com o apoio da APAT e de cidadãos que oferecem sacos de ração.
“São os impostos dos tomarenses que pagam a gestão e manutenção deste canil”, complementa. Só em ração, mensalmente, são gastos 100 quilos.

Hugo Cristóvão mostrou-se ainda agradado com o facto do Canil no Flecheiro ter fechado de vez, dado que apresentava condições de salubridade precárias, ao que acrescia estar situado numa zona residencial. A APAT encontrava-se ali desde os finais dos anos 80, sendo que chegaram ali a estar 250 animais.
Teresa Vigário, presidente da APAT, confessa que esta mudança de instalações da Associação Protetora dos Animais é a concretização de um sonho.
“Limpamos as boxes, tratamos da alimentação dos animais, damos-lhe miminhos e tratamos da parte burocrática da adoção. É sempre um dia muito preenchido”, indica a sorrir à nossa reportagem. Quem pretende adotar, basta preencher uma ficha de adoção e levar o animal a uma clínica para colocar o chip.
“Normalmente é sempre o animal que escolhe a pessoa. Ficamos muito contentes por, depois de aqui chegarem abandonados e maltratados, irem para um novo lar”, refere Teresa Vigário, apelando a que toda a população ali se desloque para ver o trabalho que a APAT desenvolve por amor e respeito aos animais.
