Tejo a Copo, em Tomar. Foto: DR

O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão (AD- coligação PSD/CDS-PP), confirmou, na reunião do executivo realizada na segunda-feira, que o município está a trabalhar na reformulação de vários eventos, defendendo uma nova estratégia para a promoção da gastronomia local e admitindo alterações em iniciativas cuja avaliação aponta para um impacto reduzido no território.

A propósito de uma questão anteriormente colocada pela vereadora Filipa Fernandes (PS), o autarca explicou que foi realizado um levantamento sobre diversos eventos municipais, com especial incidência na área gastronómica. Segundo referiu, a avaliação efetuada junto dos intervenientes locais concluiu que algumas iniciativas, como os eventos dedicados à lampreia, ao feijão com todos e à doçaria tradicional, apresentam atualmente um impacto reduzido ou, nalguns casos, praticamente inexistente.

Tiago Carrão sublinhou, contudo, que o objetivo não passa pelo fim destes eventos. “Não estamos a falar de terminar eventos”, afirmou, acrescentando que o município pretende “remodelar” e procurar “novas estratégias” para estas iniciativas gastronómicas.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

De acordo com o presidente da autarquia, está a ser desenhada uma nova estratégia para a gastronomia, que considera poder potenciar os produtos locais, a economia local, os restaurantes e a gastronomia do concelho. “A gastronomia é cultura, é economia e é também social”, sustentou.

Durante a reunião, Tiago Carrão anunciou ainda a decisão de não realizar este ano a iniciativa “Tejo a Copo”. O autarca justificou a opção com o investimento significativo que o evento exigia e com dúvidas quanto ao seu impacto. Acrescentou ainda que a edição deste ano implicaria custos acrescidos, uma vez que o espaço teria um valor superior ao registado em anos anteriores.

O presidente da Câmara referiu também que o município dispõe atualmente de uma marca na área dos vinhos que está consolidada, registada e distinguida com prémios nacionais, considerando que faz mais sentido apostar na valorização dessa marca através de eventos associados.

Mais tarde, voltando ao tema, Tiago Carrão afirmou que a decisão de terminar o “Tejo a Copo” resultou igualmente da avaliação dos objetivos definidos para o evento. Segundo disse, o feedback recolhido indicava que esses objetivos não estavam a ser alcançados da forma pretendida.

Relativamente ao Rali dos Templários, o autarca revelou que o assunto continua em análise. Segundo explicou, já foi realizada uma primeira reunião com os promotores, tendo sido lançado o desafio de encontrar uma solução com custos mais reduzidos. Tiago Carrão recordou que, em 2025, o Rali dos Templários foi o evento desportivo que representou a maior despesa para o município.

O presidente da Câmara adiantou que está agendada uma nova reunião para sexta-feira para aferir se foi encontrada uma alternativa que permita a continuidade da iniciativa num modelo de menor custo.

ÁUDIO | Tiago Carrão, durante a última reunião do executivo tomarense

Na sua intervenção, Tiago Carrão defendeu ainda que a reformulação de determinados eventos resulta da convicção de que estes deixaram de produzir um impacto relevante no território.

Como exemplo, apontou o caso do evento dedicado à lampreia, argumentando que, numa altura em que existem municípios a promover conferências sobre o risco de extinção da espécie, a realização de iniciativas centradas na promoção do seu consumo deve também ser analisada à luz de critérios de sustentabilidade.

A posição do executivo mereceu críticas do vereador socialista Hugo Cristóvão. O eleito da oposição contestou a ideia de que os pequenos eventos representem uma sobrecarga significativa para os serviços municipais, defendendo que muitos deles exigiam sobretudo trabalho de comunicação e marketing.

Como exemplo, referiu precisamente o evento da lampreia, argumentando que a iniciativa se limitava essencialmente à divulgação junto dos restaurantes aderentes e à promoção do território. Segundo Hugo Cristóvão, estes eventos desempenham uma função importante na atração de visitantes e na dinamização da economia local.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, vereador eleito pelo PS

O vereador do PS acrescentou que, apesar da redução da disponibilidade de lampreia no último ano, os municípios continuam a promover este tipo de produto como forma de captar visitantes. Para Hugo Cristóvão, a principal crítica não reside na possibilidade de alterar ou reformular iniciativas, mas sim na decisão de suspender eventos antes de existir uma alternativa definida.

“Não quer dizer que tudo seja imutável”, afirmou, acrescentando que aquilo que considera incorreto é “deixar de fazer para pensar depois”.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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