O executivo camarário de Tomar aprovou por unanimidade a atribuição de um apoio extraordinário anual no valor de 20 mil euros à Associação Protetora dos Animais da Região do Ribatejo (APAT) para fazer face às despesas de alimentação e gestão do dia a dia no canil intermunicipal. A autarquia aprovou ainda de forma unânime um apoio extraordinário à Associação Cultural e Recreativa de Linhaceira num montante de 25 mil euros, relativo ao uso do pavilhão desportivo.
No que concerne ao apoio extraordinário anual a ser atribuído à Associação Protetora dos Animais da Região do Ribatejo (APARR – APAT), no valor de 20 mil euros, a vereadora social-democrata Célia Bonet referiu a falta de fundamentação técnica da proposta, solicitando à autarquia um relatório de atividades da associação que justifique o montante atribuído.
“Parece que estes 20 mil euros se destinam a despesa corrente, portanto, para alimentação dos animais. No nosso ponto de vista, isto deveria ser um dever da Câmara. A Câmara é detentora de um canil municipal e parece-nos que isto não devia ser um apoio extraordinário. É obrigação, no nosso ponto de vista, da Câmara comprar os alimentos, oferecer apoio alimentar e todo outro apoio a todos os animais que aí se encontram”, afirmou ainda, referindo a necessidade de revisão do protocolo existente, que data de 2015.
Lembrando que o canil intermunicipal é gerido em conjunto pelos Municípios de Tomar, Ferreira do Zêzere e pela APAT, o vice-presidente da autarquia tomarense, Hugo Cristóvão, explicou que Tomar assume cerca de 100 mil euros ao ano em despesas com o canil. “Despesa essa que tem essencialmente que ver com alimentação e tratamentos médicos, e também água e luz”, disse.
O autarca lembrou que a APAT tem também gastos de alimentação e de pagamento de alguns serviços prestados por voluntários ao nível de limpeza de boxes e tosquia de animais, bem como despesas do seu funcionamento diário, sublinhando que esta é “a única associação do concelho que presta esta atividade” e que “subsiste muito do voluntariado e de alguns mecenas mas que, obviamente, não chega para aquilo que são as suas despesas”.
“Se o Município não apoiar esta associação – e ajudamos porque entendemos que tem sido um enorme parceiro do Município – provavelmente estaria em risco de fechar e achamos que é absolutamente indispensável”, acrescentou ainda.
ÁUDIO | Vice-presidente Hugo Cristóvão fala sobre canil intermunicipal
Quanto ao protocolo referido por Célia Bonet, Hugo Cristóvão deu conta de que o Município de Tomar enviou já uma proposta ao Município de Ferreira do Zêzere no sentido de rever o existente, que “não tem qualquer correspondência com a realidade”.
PSD salienta problemas de segurança devido a ataques de cães vadios
Ainda neste ponto, o vereador José Delgado (PSD) alertou para a questão das colónias de gato no concelho bem como a existência de “cães vadios que provocam problemas em termos de segurança de pessoas”. Neste último caso, apontou ainda “ataques a ciclistas” que se têm verificado na freguesia de Serra Junceira.
ÁUDIO | Vereador José Delgado refere questão das colónias de gatos e cães vadios
Em reação, o vice-presidente Hugo Cristóvão disse que a questão das colónias de gatos tem tido uma “intervenção grande” por parte da equipa da autarquia. Temos estado a intervir na cidade e fora da cidade [nas colónias], é um trabalho que está a ser feito. O princípio é deixar os gatos no seu local mas esterilizá-los”, disse o também responsável pelo pelouro referente ao gabinete médico-veterinário que deu como exemplo de colónias intervencionadas a da existente entre a Rua Gualdim Paes e a biblioteca municipal.
Já no caso dos cães, Hugo Cristóvão assume que é “mais difícil” uma vez que têm de ser mesmo recolhidos e que o canil não tem lotação ilimitada.
ÁUDIO | Hugo Cristóvão responde a questão sobre animais vadios
O executivo camarário de Tomar aprovou ainda por unanimidade um protocolo de cooperação com a Associação Cultural e Recreativa de Linhaceira para estabelecer as condições de utilização do pavilhão e respetivos balneários sitos no Campo de Jogos de Linhaceira, na Urbanização da Boavista. Além do protocolo, foi ainda deliberada a atribuição de um apoio extraordinário de 25 mil euros.
O vice-presidente da autarquia nabantina refere que a autarquia se propõe, no protocolo, a ajudar na questão da água quente no pavilhão.” O pavilhão não tem ainda circuito de água quente, é um investimento que para a associação… particularmente numa altura em que estiveram sem eventos e sem capacidade de realizar dinheiro e terem capital próprio para investir”, disse Hugo Cristóvão, referindo que “aquilo que é proposto é que o Município ajude – porque também é interessado – e em troca fique com o equivalente número de horas aplicando o mesmo valor que é cobrado nos nossos pavilhões, no regulamento de taxas que está em vigor para os nossos pavilhões”.
“Depois essa gestão é feita por nós, Município, um pouco como acontece com o campo sintético que fizemos no Instituto Politécnico”, acrescentou, dando ainda conta de que existem já duas associações da cidade que passarão a treinar neste pavilhão uma vez que os restantes existentes na cidade estão “bastante preenchidos”.
Relativamente ao apoio extraordinário, o vereador Luís Ramos (PSD) apresentou uma proposta, a vir a reunião de Câmara posterior, sobre a possibilidade de serem também atribuídas ajudas a IPSS “por uma questão de justiça e equidade”.
ÁUDIO | Vereador Luís Ramos sugere apoios extraordinários para IPSS
O vereador social-democrata deixou ainda uma palavra de reconhecimento “a todos os dirigentes [associativos] pelo trabalho desenvolvido”.
