Peltzer (Palco Zeca Afonso). Foto: mediotejo.net

Depois de dois anos sem viver a aldeia, e com o objetivo reforçado de levar a música para a rua, o festival Bons Sons está de volta. Durante os dias 12 e 15 de agosto, entre sete palcos e o próprio chão – uma vez que a edição deste ano marca por levar concertos, literalmente, para as ruas – são 49 os artistas e conjuntos musicais que vão dar de novo vida à aldeia de Cem Soldos, freguesia de Madalena, concelho de Tomar.

O desejo de voltar a realizar o festival já era grande e o cansaço de interregnos e adiamentos já pesava, conforme referiu ao nosso jornal, depois da sessão de apresentação, Miguel Atalaia, diretor artístico do festival.

“É muito complicado adiar um festival que faz tanto sentido para a aldeia e que é feito pelas pessoas da aldeia, não é uma coisa que é instalada e que é feita, digamos assim, sem ligação à própria comunidade. É mesmo feito pelas pessoas e isso claro que traz um impacto muito grande na própria aldeia, e tem feito desde 2006, e estes dois anos de interregno claro, não foram fáceis”, deu conta Miguel Atalaia.

A apresentação do Bons Sons 2022 decorreu na terça-feira, dia 15 de março, com Miguel Atalaia, diretor artístico. Foto: mediotejo.net

Mas a verdade é que a aldeia de Cem Soldos vai-se remodelar mais uma vez para uma nova edição de um festival que aposta unicamente na música portuguesa. No palco Lopes-Graça, ícone musical tomarense, atuam Acácia Maior e Marta Ren (dia 12) Cassete Pirata e Cabrita (dia 13), Terra Livre e Sebastião Antunes & Quadrilha (dia 14) e ainda Lena d’Água, no dia 15 de agosto.

Já o palco Zeca Afonso está reservado no dia 12 por Rita Vian e André Henriques, Aldina Duarte (dia 13), Siricaia e Rui Reininho (dia 14) e André Júlio Turquesa e B Fachada no dia 15. Motherflutters e GROGNation (dia 132), David Bruno e Pluto (dia 13), Criatura & O Coro dos Anjos (dia 14), 5.ª Punkada e Bateu Matou (dia 15) são as apostas do festival para o palco António Variações.

Nesta edição o palco Giacometti – Inatel recebe as sonoridades de Cancro e Niki Moss (dia 12), Bia Maria e Sunflowers (dia 13), A Garota Não e Fado Bicha (dia 14). Maria Reis e a banda quer vencer o Festival Termómetro (ainda a anunciar) são as responsáveis por atuar neste palco no dia 15.

No palco Carlos Paredes atuam Manel Ferreira (dia 12), Violeta Azevedo (dia 13), Fernando Mota (dia 14) e PHOLE (dia 15). 

Bia Maria, artista que vai estar presente no Bons Sons 2022, fez um breve apontamento musical na apresentação do festival. Foto: mediotejo.net

José Pinhal Post-Mortem Experience e DJ A Boy Named Sue (dia 12), Neon Soho e António Bandeiras (dia 13) e DJ Kitten (dia 14) animam o palco Aguardela, local onde acontece a festa de encerramento do festival no dia 15 que conta com Riva e convidados.

A Música Portuguesa a Gostar dela Própria (MPAGP) leva às ruas de Cem Soldos Peixinhos da Horta (dia 12), Toy e Emanuel (dia 13), João Francisco (14) e Mazela (15).

ÁUDIO | Miguel Atalaia (diretor artístico Bons Sons 22)

E as ruas da aldeia, nesta edição, vão estar em destaque. “No fundo, o que vai acontecer de inovador este ano é que vamos ter concertos a acontecer mesmo no chão da rua”, referiu Miguel Atalaia, diretor do festival e elemento diretivo do Sport Clube Operário de Cem Soldos (SCOCS), associação organizativa do evento.

Miguel Atalaia disse ainda que “isso vai fazer com que haja uma proximidade muito maior entre quem recebe a música, quem faz a música, quem assiste, quem é público, quem é artista, e no fundo a nossa ideia é que haja aqui uma leitura muito mais igualitária nestas duas dimensões, porque sabemos que o espetáculo – pelo menos no Bons Sons – é feito por toda a gente, são momentos de grande generosidade e de grande cumplicidade entre músicos e público”.

A sessão contou com um breve passeio pela aldeia de Cem Soldos enquanto se ouviu um áudio. Foto: mediotejo.net

Deste modo, os festivaleiros que se deslocarem até esta aldeia do concelho de Tomar vão assim também poder desfrutar, nas próprias ruas da localidade, dos concertos de Omiri (dia 12), Porbatuka Almada (dia 13), Grupo de Gaitas da Golegã (dia 14) e Cantadeiras do Vale do Neiva (dia 15).

Para este ano são esperadas cerca de 35 mil pessoas – afluência média que tem sido registada nas últimas edições – mas de foram feitas expansões ao nível da área da restauração e da área de campismo.

Mesmo as questões de acolhimento de voluntários estão a ser estudadas para ocorrerem de uma forma mais “alargada” para aumentar as lógicas de distanciamento físico entre as pessoas, que pode ser importante na altura em que o festival aconteça.

“Ainda não sabemos bem como vai ser na altura, vamos estando atentos às indicações da DGS mas até lá vamos prevendo estes cenários para que as coisas corram todas bem”, disse Miguel Atalaia.

Manel Ferreira também vai estar presente na 11ª edição do Bons Sons. Foto: mediotejo.net

Sobre todos aqueles que forem “viver a aldeia” entre os dias 12 e 15 de agosto, Miguel Atalatia diz esperar que “venham com o mesmo espírito, a mesma atitude, com a mesma vontade de descobrir novos projetos, que é isso que o Bons Sons traz, com a mesma vontade para ver nomes consagrados, nomes que estão na berra neste momento, mas também projetos que estão em ascensão e que nós achamos que num futuro próximo vão trilhar um caminho de grande sucesso no panorama nacional, e é esse o nosso critério”.

“Os concertos do Bons Sons são sempre concertos especiais porque há na verdade uma grande grande generosidade do próprio público, e é esse público que nos interessa, é o público que vem completamente disponível para descobrir coisas novas e apoia todos os projetos que aqui estão e ocupam as diferentes praças e os diferentes palcos”, rematou.

ÁUDIO | Filipa Fernandes Atalaia (vereadora cultura CM Tomar)

Filipa Fernandes, vereadora do município de Tomar com o pelouro da cultura, destacando que o município se associa ao festival desde a primeira hora, apoiando não só monetariamente mas também em termos de logística e “com todo o reconhecimento público que damos a este festival, porque ele por si é diferenciador e eleva o nome de Tomar, não só a nível nacional mas a nível internacional”, referiu que o Bons Sons “enriquece aquilo que é o nome de Tomar”. 

“Durante estes dois anos fomos obrigados a afastar-nos e eu acredito que é a cultura que nos vai fazer reencontrar de novo, e o festival do Bons Sons permite-nos isso, é o reencontrar com a comunidade, é o viver a aldeia é viver a nossa cultura, as nossas raízes, as nossas vivências”, disse a autarca que deixou o convite: “venham viver a aldeia, venham viver o Bons Sons”.

O festival Bons Sons, em Cem Soldos, Tomar, realiza a sua 11ª edição durante os dias 12 e 15 de agosto. O passe de quatro dias do festival inclui campismo e custa 45€ (até ao final de março), 52€ (entre abril e julho) e a 60€ (agosto). Os bilhetes diários terão o preço de 25 euros.

Entre as 10 edições anteriores foram 379 os concertos e 310.800 os visitantes que pautaram este festival criado em 2006. Pelo caminho foram vários os prémios conquistados e ainda mais as nomeações.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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