A televisão, um meio de comunicação social que atinge um auditório de milhões de pessoas, tem que ser um educador ambiental e não está a desempenhar bem este papel. Quem o diz é Jorge Paiva, biólogo que deu uma palestra sobre “Biodiversidade num planeta lixado” em Tomar, na tarde de sexta-feira, 18 de novembro. “Há programas de cultura, de notícias e entretenimento mas não há um único que promova a biodiversidade no planeta, ou seja, que estimule as pessoas a cuidar do ambiente. Os programas exibidos sobre a natureza são apenas para entreter”, criticou o professor da Universidade de Coimbra.

A palestra, que encheu o auditório da biblioteca municipal, antecedeu um “jantar lusitano” que permitiu aos professores, funcionários e alunos da Escola Secundária Santa Maria do Olival, além de convidados, ficar a saber como se alimentavam os nativos do território onde atualmente se situam Portugal e parte de Espanha.
Pão feito de castanha e lande (bolota), queijo de cabra, presunto de porco bísaro e porco preto, variedades autóctones consideradas parentes próximos do javali ou porco-bravo, foram apenas algumas das entradas servidas. Do menú fizeram ainda parte as sementes e frutos silvestres, bolotas, castanhas, pinhões, avelãs, medronhos e murtas. Nos pratos principais, predominam o coelho-bravo, o javali, o pato-bravo, o porco preto e o veado. Destaque ainda para uma salada, à qual a escola atribuiu o nome do orador e convidado principal, com 17 tipos diferentes de plantas.

As sobremesas remeteram os convivas para sabores e uma realidade social anterior ao nascimento de Cristo, com requeijão e uma geleia de mirtilos, por exemplo. Para além da água e licores diversos, o menu consente a cidra, feita à base de maçãs fermentadas, como rara bebida alcoólica do repasto didático.
Esta é a 13.ª edição de um programa anual que o biólogo e a escola começaram a organizar em 2004, sempre com uma palestra aberta à comunidade, seguida de um jantar temático no estabelecimento, com inscrições limitadas.
