Tomar. Foto: Carlos Piedade Silva‎

A Estratégia Local de Habitação de Tomar esteve em discussão na última reunião camarária, tendo o vereador Hugo Cristóvão (PS) explicado que, neste âmbito, o município, além de ter vindo trabalhar na requalificação em habitações próprias, tem como prioridade o lançamento de um concurso para a conceção e construção de cerca de 100 fogos de habitação a custos controlados (em terrenos não municipais), bem como em outro empreendimento semelhante para 40 fogos, mas neste caso em terrenos que são posse do município, na zona da Choromela.

Quem levou o tema a debate foi a vereadora Lurdes Fernandes (PSD), que, notou, tendo em conta que o documento da Estratégia Local de Habitação “foi aprovado em março de 2021 e que daqui a pouco já vão passar quase dois anos”, afirmou que considera que “este diagnóstico em tudo poderia ter tido outros elementos tendo em conta que ao nível do concelho para além da cidade em si, existem carências habitacionais que poderiam estar vertidas neste documento”.

A edil questionou depois como é que esta estratégia vai ser implementada em termos de eventuais candidaturas a fundos comunitários, bem como sobre como está a decorrer a execução da programação física e financeira, “tendo em conta que já vamos a meio do horizonte definido para esta estratégia [2025]”.

Vereadora Lurdes Fernandes (PSD).

“Também saber aqui em termos de um dos desafios que foi identificado na estratégia que tem a ver com o desenvolvimento de respostas para problemas de habitação e integração das comunidades desfavorecidas, ou seja, que não sejam só respostas de intervenção física mas que sejam de facto projetos de integração mais alargados, saber como é que está a decorrer esta execução da estratégia”, interrogou a vereadora do PSD.

Hugo Cristóvão recordou que a estratégia está devidamente aprovada pela entidade competente – o IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) – e que esta prevê cerca de 12 milhões de apoio para a sua execução, sendo que, notou, “12 milhões de euros em habitação não é fácil de executar num curto espaço de tempo”.

Sublinhando que a estratégia foi elaborada pelos serviços municipais com o apoio de uma empresa externa, o autarca explicou que o documento e plano de ação foram delineados de maneira a não os “fechar demasiado”, tendo em conta os “tempos incertos que correm”. “Não se devem fechar demasiado as opções porque depois podem aparecer oportunidades que, por não estarem previstas não pudéssemos aproveitar, portanto o plano prevê várias opções, o que não quer dizer que todas elas sejam executadas”, afirmou.

Vereador Hugo Cristóvão (PS).

“Aquelas com que neste momento estamos a trabalhar com mais afinco, e particularmente uma delas – espero e estamos a trabalhar nisso, para que esse passo seja o mais breve possível – é um concurso para conceção e construção de, não quero dar já como certo absolutamente este número, mas é o número a que queremos chegar, de 100 fogos de habitação a custos controlados. Há aqui uma parte também de avaliação financeira dentro da estratégia e portanto podemos não conseguir chegar exatamente aos 100 fogos, mas é o número a que pretendemos chegar e portanto, como dizia, estamos a trabalhar para que essa realidade aconteça o mais possível neste arranque do próximo ano”, afirmou o também vice-presidente da autarquia.

Na palavra do autarca, o município está ainda a trabalhar noutro elemento, embora este “esteja um bocadinho mais atrasado”, mas que é o “segundo elemento mais forte da estratégia”, que consiste na conceção e construção de cerca de 40 fogos em cinco lotes detidos pelo município na zona da Choromela.

“Portanto são os dois elementos da estratégia que estamos a trabalhar com mais afinco e que queremos que o quanto antes possam ser uma realidade sabendo que isto depois tem também o tempo da execução da obra propriamente dita”, disse Hugo Cristóvão.

Quanto à questão da requalificação em habitações próprias, o eleito socialista respondeu que esta “tem vindo a acontecer”, e que desde que a atual governação está em funções, “na prática, nunca parámos com esse movimento, a todo o momento estamos a fazer reabilitação nas casas dos nossos dois bairros sociais”, frisando o vereador a diferença de, neste caso, se tratar de habitação social e não de habitação a custos controlados.

“Para além disso temos também feito uma ou outra aquisição de imóveis e pretendemos continuar a fazer e essas são já totalmente financiadas pela estratégia e fazem parte dos relatórios regulares que nós vamos enviando ao IHRU”, afirmou ainda Hugo Cristóvão.

“De facto executar 12 milhões de euros em habitação não se faz de um dia para o outro, portanto a fatia claramente maior desse volume financeiro, será com estes dois projetos ou concursos que referi e que pretendemos que avancem o mais possível durante o ano que vem”, concluiu.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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