Foto arquivo: GNR/UEPS

A presidente da Câmara Municipal de Tomar, Anabela Freitas (PS), fez um balanço sobre a temática dos incêndios no concelho, o qual apresenta até agora uma área ardida que aponta para 89 hectares, área ‘pouco significativa’, segundo a autarca, apesar das “muitas ocorrências”. A autarca teceu ainda algumas considerações sobre o tema, desde a prevenção até ao combate, e apelou a uma maior articulação e mais medidas legislativas que permitam uma maior intervenção nos territórios florestais.

Não estando ainda fechada a medição da totalidade da área ardida nesses dois incêndios, os cálculos apontam para 89 hectares hectares ardidos no concelho de Tomar, sendo que os bombeiros foram também chamados para um incêndio de Ourém, e para outro foco que, partindo de Ourém se alastrou a Ferreira do Zêzere, além de incêndios na Serra da Estrela e no Algarve. Anabela Freitas disse que “nunca ficou desguarnecido o quartel de bombeiros para o caso de haver alguma ocorrência aqui no território”.

Não tendo havido bombeiros de Tomar feridos, houve no entanto um bombeiro e uma bombeira de Vila Nova da Barquinha que ficaram feridos num incêndio em território nabantino, e “tivemos sim, obviamente, muitas mangueiras danificadas, muitas viaturas danificadas, que já estão arranjadas, tivemos urgência em arranjar as viaturas”, disse Anabela Freitas.

Anabela Freitas (PS), presidente da Câmara Municipal de Tomar.

Segundo a autarca, os kits de primeira intervenção fornecidos às freguesias consideradas prioritárias, ou seja com um maior risco de incêndio, deram “uma ajuda preciosa”, nomeadamente os de Além da Ribeira e Casais e Alviobeira, tendo dado “um apoio essencial em vigilância”.

“Portanto as coisas têm estado a correr bem e até agora temos estado a passar pelos pingos da chuva, apesar de termos tido muitas ocorrências, mas não são significativas”, disse Anabela Freitas, na reunião camarária de 31 de agosto, ao fazer um ponto de situação dos incêndios a pedido do vereador Luís Francisco (PSD).

Daquilo que são as ações no plano municipal, Anabela Freitas deu conta que estas passam pela criação de mais pontos de água, tendo dado o exemplo do incêndios em Montes, em que foi colocada uma autobomba para os carros de bombeiros abastecerem no rio, para não se ter de tirar água das bocas de incêndio, mas que o rio estava tão baixo que houve carros de bombeiros que não conseguiram abastecer, pelo que se teve forçosamente de tirar água das bocas de incêndio, algo que leva a que a população fique sem água.

Anabela Freitas aproveitou para tecer algumas considerações mais abrangentes sobre a temática dos incêndios, nomeadamente sobre a prevenção, referindo desde logo que em Tomar não se pôde fazer limpezas desde o dia 7 de maio e que se um proprietário limpar os terrenos até 30 de abril “o terreno chega a julho está com os combustíveis finos que é um fósforo, ainda por cima com a seca que estamos a viver”.

“E portanto esta gestão – que eu sei que não é fácil – entre o risco de incêndio e aquilo que são as atividades permitidas, tem de haver um equilíbrio”, afirmou a a eleita do Partido Socialista, que mencionou que já houve algum aliviar de questões, nomeadamente a de um despacho que veio permitir que empresas certificadas para trabalhar na floresta e detentoras de um kit de primeira intervenção possam atuar nos dias de risco muito elevado, ainda que não nos dias de risco máximo.

Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal de Tomar. Foto arquivo: CM Tomar

A líder da Câmara Municipal de Tomar falou ainda sobre as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), áreas em que as pessoas não perdem direito ao seu terreno mas em que uma entidade gerre o terreno, algo que “não é fácil de passar às pessoas”.

Referindo que as freguesias que a mais preocupam são Olalhas e Serra Junceira, as quais considera ser “um barril de pólvora”, Anabela Freitas revelou que já foram feitas “inúmeras” reuniões com os proprietários para se criar AIGP’s – que na altura ainda eram denominadas como Zona de Intervenção Florestal (ZIF), mas que “as pessoas não deixam”.

“Das duas uma: se esperarmos que a mentalidade mude, arde tudo. E portanto, com verdadeira gestão dos territórios, tem de haver medidas legislativas que permitam isso”, disse a autarca.

A autarca socialista relembrou que parte significativa do território está em Rede Natura – rede de áreas protegidas onde o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) não permite ações de limpeza – mas que “os incêndios passam em rede natura na mesma”.

“E isto foi principalmente preocupante no incêndio de Ourém que passou para Ferreira do Zêzere. O que separava Tomar e Ferreira do Zêzere era grande espaço de Rede Natura, e portanto tivemos até às 2h00 a discutir – é óbvio que eu enquanto presidente da Câmara de Tomar tudo farei para que o incêndio não passe – e portanto era importante abrir um aceiro em Rede Natura, e isso não foi permitido”, explicou Anabela Freitas, acrescentando que entretanto se conseguiu descortinar um pequeno espaço que já não pertencia à área de Rede Natura, onde se abriu um aceiro, permitindo assim que o incêndio não tivesse passado para território tomarense.

“A Rede Natura – que é importante, tem de ser preservada – mas o que é certo é que se não permitem limpeza nem aceiros, também não conseguimos gerir. Portanto há aqui um conjunto, um número de instituições e organismos que intervêm nesta matéria, e estou a falar só da prevenção, é muito vasto, com opiniões contraditórias, e por isso é que nós assistimos àquilo que assistimos”, disse Anabela Freitas.

“Tem de haver sobretudo articulação (…) eles sabem o que é que se deve fazer, têm é que estar de acordo naquilo que se deve fazer e depois criar condições legislativas para que efetivamente possa ser feito”, afirmou ainda a autarca.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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