Tomar aprova 40 mil euros de apoios a famílias afetadas pela tempestade. Foto ilustrativa: iStock

A Câmara Municipal de Tomar aprovou por unanimidade a atribuição de 22.797,24 euros em apoios imediatos a candidaturas validadas no âmbito do Programa Recuperar Tomar, bem como a aprovação condicionada de mais 16.613,37 euros para 18 candidaturas que terão de apresentar faturas comprovativas até 30 de setembro.

No total, os apoios agora aprovados ascendem a cerca de 40 mil euros, no âmbito da resposta municipal aos prejuízos causados pela tempestade que atingiu o concelho.

Durante a reunião do executivo, o presidente da Câmara, Tiago Carrão (AD – Coligação PSD/CDS-PP), destacou que o Programa Recuperar Tomar resultou de um regulamento criado especificamente para apoiar os afetados pelo fenómeno meteorológico.

“Foi o primeiro município a ter um regulamento próprio para apoio à tempestade”, afirmou, defendendo que o município procurou responder “em todas as frentes possíveis”, desde o apoio imediato às famílias até às intervenções relacionadas com o fibrocimento, a floresta e o rio.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

“Dos 39 mil euros, praticamente 23 mil euros serão atribuídos imediatamente sem condicionantes e há um conjunto de candidaturas que se traduzem num apoio de 16.600 euros para 18 candidaturas, nomeadamente que serão condicionadas”, explicou.

Carrão justificou a solução encontrada para estas candidaturas condicionadas com a necessidade de apoiar famílias que ainda não conseguiram realizar os investimentos necessários para reparar os danos sofridos.

“São famílias que sem o apoio não foram capazes ou não são capazes de fazer esse investimento. Vamos conceder o apoio com um prazo para fazer o investimento e depois apresentarem a fatura. Caso contrário, será necessária a devolução do valor”, referiu.

O autarca aproveitou ainda para enquadrar estes apoios no esforço financeiro já realizado pelo município desde a tempestade.

Foto: CMT

“Já falámos em quase 40 mil euros para fibrocimento, mais dezenas de milhares de euros em apoio direto às famílias. Não temos realmente poupado esforços, quer nesta matéria da resposta à tempestade, quer também na matéria da floresta e em preparação deste verão”, afirmou.

O vereador socialista Hugo Cristóvão manifestou reservas quanto aos resultados alcançados pelo programa, considerando que a complexidade do regulamento poderá ter afastado potenciais beneficiários.

“Dos 100 mil euros previstos temos 39% de execução. Isto chegou a poucas pessoas, francamente é o que parece”, afirmou.

O eleito do PS recordou que o partido já tinha alertado para a excessiva complexidade do regulamento durante a sua discussão e defendeu que muitas das situações abrangidas já estavam contempladas por mecanismos existentes.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, vereador eleito pelo PS

“Se calhar precisamente porque se complicou demasiado o próprio regulamento, depois houve uma parte que foi corrigida, mas em grande parte nós já tínhamos estas situações regulamentadas”, sustentou.

Hugo Cristóvão levantou igualmente dúvidas sobre a solução adotada para as candidaturas condicionadas, nomeadamente quanto à obrigação de devolução dos apoios caso não sejam apresentadas as faturas exigidas.

“Tenho muitas reservas da capacidade legal do município em fazer cumprir isto. Não apresentou a fatura, tem que devolver o dinheiro. Não sei bem com que mecanismos legais”, afirmou.

Na sua perspetiva, o município deveria ter simplificado o processo, uma vez que os serviços já tinham verificado a existência das necessidades reportadas pelos candidatos.

Vereador do PS pede esclarecimentos sobre verba angariada em concerto solidário

Outro dos temas que marcou a discussão foi o destino dos cerca de 20 mil euros angariados através do concerto solidário realizado após a tempestade. Hugo Cristóvão considerou que o município deve identificar de forma concreta a aplicação dessa verba.

“As pessoas foram legitimamente contribuir e, portanto, têm que saber onde é que o seu dinheiro foi gasto”, afirmou, defendendo que não basta indicar genericamente que o montante foi utilizado em várias ações relacionadas com a recuperação dos prejuízos.

Em resposta, Tiago Carrão sublinhou que os apoios municipais já ultrapassam largamente o valor arrecadado no concerto solidário. “Só aqui estamos a falar de 39 mil euros. Os 20 mil não chegavam para este valor”, referiu.

O presidente da Câmara indicou que os apoios diretos às famílias aprovados através do programa representam, só por si, um valor muito próximo do montante angariado no evento solidário. “Acho que é claro que temos aqui o investimento direto nas famílias, o apoio direto às famílias”, afirmou.

Respondendo às críticas da oposição, Tiago Carrão insistiu que a criação do regulamento específico se justificou pela necessidade de garantir rigor e transparência na gestão de recursos públicos.

“Estamos a falar de dinheiros públicos e, portanto, o rigor, o critério e a transparência na sua atribuição serão connosco sempre um ponto”, declarou.

O autarca salientou ainda que os apoios municipais foram concebidos numa lógica complementar aos mecanismos já existentes, nomeadamente os apoios da CCDR e as indemnizações das seguradoras, evitando duplicações de financiamento.

“Não podemos simplesmente atribuir dinheiros públicos porque sim, sem transparência, sem critério”, defendeu.

Carrão acrescentou que os efeitos da tempestade continuam a exigir investimento significativo por parte do município, apontando como exemplo os trabalhos necessários no Rio Nabão.

Além dos apoios às famílias, o presidente recordou que continuam a existir prejuízos significativos em associações, instituições, igrejas e capelas do concelho, garantindo que o município continuará a canalizar verbas para a recuperação dos danos causados pela intempérie.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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