“Há edifícios que guardam memória e identidade. E edifícios que, em determinado momento, pedem futuro.” Foi com estas palavras que o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, apresentou o CNA – Centro de Negócios e Aceleração, o novo espaço dedicado ao empreendedorismo e à inovação no concelho. A ocasião marcou também a abertura das inscrições para pré-candidaturas às oito vagas disponíveis no piso 0 do antigo Colégio Nun’Álvares.
O CNA assume uma missão que vai para além de uma incubadora tradicional: pretende constituir-se como um ecossistema de desenvolvimento empresarial, com áreas comuns de cooperação e um estúdio de produção de conteúdos equipado para impressão 3D, produção de podcasts, fotografia e criação digital.
O objetivo é apoiar empreendedores, atrair e fixar talento, diversificar a base económica do concelho e posicionar Tomar como território de inovação.
O projeto contará com articulação ao Instituto Politécnico de Tomar, às escolas, às empresas locais e a redes nacionais de inovação, garantindo acompanhamento técnico e ligação efetiva ao mercado.
A obra encontra-se em fase final, com inauguração prevista para o primeiro semestre deste ano. As inscrições para interessados em integrar o novo espaço já estão abertas e podem ser feitas AQUI.
A apresentação do projeto aconteceu ao fim da tarde desta segunda-feira, dia 23 de fevereiro. Antes disso, durante a reunião do executivo municipal, o autarca de Tomar já havia informado que as intenções para o local passavam pela criação de oito gabinetes para empresas, áreas comuns e um estúdio de produção de conteúdos.




Tiago Carrão enquadrou a decisão na estratégia municipal para o empreendedorismo e apoio às empresas, bem como numa visão diferenciada para os serviços municipais. Referiu ainda que será mantida a marca CNA – Colégio Nuno Alves, passando aquele piso a designar-se CNA – Centro de Negócios e Aceleração.
Na mesma reunião, o vereador Hugo Cristóvão, eleito pelo Partido Socialista, manifestou discordância quanto à mudança.
O vereador esclareceu que a posição do PS não se prende com a criação de uma incubadora em si, mas com a visão global associada à alteração. Recordou que a intervenção no Colégio Nuno Alves decorria de um plano anterior que previa a concentração de serviços municipais naquele espaço.
Segundo explicou, a solução anteriormente delineada apontava para que o Palácio Alvim fosse destinado a espaço para empresas, coworking e outras tipologias, incluindo uma componente de residência para estudantes, ficando o Colégio Nuno Alves afeto aos serviços municipais.
Hugo Cristóvão considerou que a inversão das soluções, colocando empresas no Colégio e serviços no Palácio Alvim, levanta dificuldades, classificando-a como não sendo “uma solução fácil e desejável”. Acrescentou ainda que a estratégia anterior resultou de um processo de maturação e discussão interna ao longo de vários anos.
A propósito da nova incubadora, o vereador questionou também o executivo sobre o espaço de coworking da Linhaceira, referindo que o edifício está concluído há vários meses, desde o final do anterior mandato, sem informação pública sobre a sua utilização.
Destacou que, embora de menor dimensão e localizado numa aldeia, o espaço poderá ter vantagens próprias decorrentes dessa localização.
Em resposta, Tiago Carrão referiu que o futuro do espaço da Linhaceira tem sido objeto de reflexão e que o processo sofreu algum atraso devido à recente tempestade. Admitiu que ainda não existe uma decisão final.
O presidente afirmou que o modelo de coworking poderá não ser a solução mais adequada para a região, indicando que experiências semelhantes não têm registado níveis de adesão que validem plenamente essa opção.
Segundo explicou, estão atualmente em análise duas hipóteses: transformar o espaço numa extensão do CNA – Centro de Negócios e Aceleração, funcionando como uma mini-incubadora para duas empresas; ou apostar numa componente de natureza mais cultural. O executivo inclina-se, para já, para a primeira possibilidade.
Tiago Carrão acrescentou que a decisão poderá depender da procura pelo novo espaço no Colégio Nuno Alves. A tipologia e a localização das empresas interessadas poderão influenciar o enquadramento futuro do espaço da Linhaceira enquanto eventual extensão da incubadora municipal.
