Tomar acolhe mostra retrospetiva da artista plástica Teresa Sousa. Foto: DR

O Complexo Cultural da Levada, em Tomar, inaugura no dia 3 de junho uma exposição retrospetiva dedicada a Teresa Sousa, reunindo cerca de 30 obras daquela que foi uma das pioneiras da gravura moderna em Portugal.

A mostra, intitulada “Conhecer a obra de Teresa Sousa (1928-1962) – gravura, pintura, desenho e tapeçaria”, estará patente até ao dia 27 de setembro e apresenta uma seleção representativa da obra da artista, bem como elementos do seu período académico na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL) – onde se licenciou com a nota máxima de 20 valores –, estudos preparatórios, matrizes e catálogos originais.

Um dos destaques da exposição é a tapeçaria “Porto de Abrigo”, executada pela Manufatura de Tapeçarias de Portalegre a partir de um cartão desenhado pela autora em 1961.

Nascida em Lisboa, Teresa Sousa teve uma carreira profissional curta mas de grande intensidade artística, interrompida pela morte, em janeiro de 1962, aos 33 anos, uma semana após o nascimento do segundo filho.

O seu percurso ficou marcado pela fundação da vanguardista Galeria Pórtico, em 1955 – juntamente com Lourdes Castro, José Escada e aquele que viria a ser o seu futuro marido, o designer Cruz de Carvalho – e por uma decisiva bolsa de estudo em Paris, onde trabalhou no Atelier 17 sob a orientação de Stanley Hayter, por recomendação direta de Maria Helena Vieira da Silva.

A investigadora e também artista gravadora Joanna Latka destaca que a passagem de Teresa Sousa por Paris representou “uma aprendizagem muito marcante e revolucionária”, sublinhando o elevado nível técnico do trabalho produzido no Atelier 17.

A relevância da sua produção gráfica valeu-lhe, em 1957, um prémio de gravura na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

Num artigo publicado no Expresso, o crítico de arte José Luís Porfírio destacou Teresa Sousa como uma artista cuja “inteligência oficinal era enorme”, sublinhando a relevância do seu contributo para a renovação da arte e da iconografia portuguesa.

De acordo com João Carvalho, filho mais velho da artista e responsável pela gestão do espólio documental e artístico da mãe, esta iniciativa dá continuidade a um esforço dos filhos e de investigadores – como a especialista Joanna Latka e os Professores Cristina Azevedo Tavares e Fernando Rosa Dias (da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) – para descentralizar e dar a conhecer a nível nacional o trabalho de Teresa Sousa, após doações institucionais e exposições precedentes na Biblioteca Nacional de Portugal, Évora, Beja, Setúbal e Faro.

O esforço de descentralização concretiza-se agora no Complexo Cultural da Levada, permitindo ao público o acesso à obra de Teresa Sousa, bem como a ferramentas de trabalho, matrizes originais e ensaios espontâneos desenhados pela artista.

A exposição, com entrada livre, pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

A organização do evento cabe ao Museu Núcleo de Arte Contemporânea – doação José-Augusto França, da Câmara Municipal de Tomar.

*Com LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply