Foto arquivo: Arlindo Homem

A Câmara de Tomar aprovou, em reunião extraordinária do executivo, a abertura de procedimentos concursais para a ocupação de 13 postos de trabalho no mapa de pessoal. A proposta foi aprovada pela maioria AD, com a abstenção dos vereadores eleitos pelo Partido Socialista, num ponto marcado por um debate prolongado e trocas de críticas entre executivo e oposição.

Na apresentação da proposta, a vice-presidente da autarquia, Célia Bonet (AD – Coligação PSD-CDS) começou por enquadrar a necessidade de reforço de recursos humanos. “Nós temos uma enorme necessidade de contratação de pessoal, seja para colmatar as saídas e serviços cronicamente subdimensionados, seja para preparar a renovação do quadro de pessoal que se prepara para se aposentar.”

A autarca detalhou ainda os números que sustentam a proposta.

“Nós normalmente temos mais ou menos 20 a 30 pessoas que se reformam todos os anos e, portanto, estamos aqui a contratar 13. Este ano, 2026, já se reformaram sete trabalhadores, já saiu um por mobilidade e houve três que o contrato terminou. Portanto, em 2026 já temos menos 11 trabalhadores, prevemos 25 pessoas que se possam reformar em 2026 e estamos agora a tentar fazer estes estas contratações, abrir o os procedimentos concursais, quer para fazer face às pessoas que de facto já saíram e que é urgente substituí-las, quer para prever as reformas dos próximos meses”, sustentou.

ÁUDIO | Célia Bonet, vice-presidente da CMT

Pelo PS, o vereador Hugo Cristóvão começou por justificar a posição do partido. “Nós não vamos votar contra este ponto, porque como já várias vezes demonstrado, temos uma postura diferente a na oposição daquela que foi a oposição dos últimos anos de votar contra tudo e mais alguma coisa”.

Ainda assim, deixou críticas às opções do executivo. “Esta é daquelas onde claramente estas não seriam as nossas prioridades”, declarou.

O vereador considerou que a fundamentação baseada nas reformas não se aplica à maioria das vagas. “O local ou o setor onde mais reformas vão acontecendo com regularidade é na educação, é nas escolas (…) e é natural que nesse 1/3 [dos trabalhadores] seja onde o maior número de reformas existe. Depois, nós vemos as funções que aqui são colocadas e percebemos que a maioria não tem nada a ver com substituição de pessoas que se reformam.”

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, vereador eleito pelo Partido Socialista

Hugo Cristóvão apontou ainda que as contratações parecem estar ligadas à nova estrutura orgânica. “Aquilo que aqui vemos é precisamente o começar a encher algumas dessas unidades” e criticou algumas áreas escolhidas. “É muito discutível se um técnico de fotografia e vídeo, se um técnico de marketing digital (…) é, de facto, aquilo que o município de Tomar mais precisa.”

O autarca alertou também para o impacto financeiro e operacional. “Na verdade, mais uma vez está-se a aumentar aquilo que é a massa salarial” e referiu situações concretas, como o canil municipal, onde “é dada a justificação de que não é possível recolher mais canídeos ou felídeos porque não há funcionários”.

Em resposta, Célia Bonet esclareceu que existem mecanismos para suprir necessidades operacionais.

“Para o canil estão a ser recrutados assistentes operacionais (…) existe bolsa de recrutamento, portanto, não há necessidade de abrir concurso porque no fundo já está aberto.” Reiterou ainda a importância das contratações. “No nosso ponto de vista, estes 13 postos de trabalho são essenciais para responder de forma eficaz aos nossos munícipes.”

ÁUDIO | Célia Bonet, em resposta a Hugo Cristóvão

Hugo Cristóvão voltou a questionar a relação entre reformas e concursos, afirmando que “a generalidade não tem nada a ver com reformas” e defendeu a utilização de bolsas de recrutamento. Também abordou a questão dos recibos verdes, defendendo que “para situações que se entendam que são urgentes e por algum tempo é perfeitamente possível”.

A vereadora socialista Filipa Fernandes manifestou-se igualmente crítica, apontando incoerência face a posições anteriores. “Fico perplexa com as alterações constantes deste executivo” e recordou críticas passadas ao aumento da despesa com pessoal, questionando ainda a contratação na área social. “Se havia técnicos a mais, não havia necessidade de contratar.”

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora socialista

Célia Bonet respondeu detalhando movimentações internas. “Saíram 2 pessoas da área social do município (…) depois saíram 8 pessoas para a educação”, acrescentando que “estamos a contratar uma pessoa para a coesão social.” A vice-presidente reforçou ainda a posição do executivo quanto aos recibos verdes. “No nosso ponto de vista, eram ilegais (…) queremos reduzi-los para não dizer acabar mesmo com eles.”

ÁUDIO | Célia Bonet, vice-presidente da autarquia tomarense

Estas declarações motivaram uma reação crítica de Hugo Cristóvão, que considerou grave a afirmação. “Não pode fazer afirmações levianas como aquela que fez (…) tem que sustentar afirmações graves como essas”, desafiando o executivo a agir em conformidade caso existam irregularidades.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, vereador eleito pelo PS

Na resposta, Célia Bonet procurou clarificar. “No nosso ponto de vista, os contratos que existiam carecem de ser verificados da sua legalidade e é isso que iremos fazer.” A autarca concluiu reforçando os números apresentados: “Saíram 11 pessoas e estamos a fazer o procedimento para 13 pessoas, nada mais havendo a acrescentar.”

ÁUDIO | Célia Bonet, vice-presidente da CMT

O vereador socialista voltou a contestar que “as 11 pessoas que saíram não tem nada a ver (…) com aquilo que estamos a contratar” e reiterou a crítica às declarações sobre recibos verdes, classificando-as como motivo de “indignação”.

O ponto acabou por ser aprovado com a abstenção dos vereadores do PS, após um debate marcado por divergências quanto às prioridades de contratação, impacto financeiro e organização dos serviços municipais.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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