O grupo Aves da Batalha e a 30POR1LINHA-Associação Sociocultural e Ambiental (Médio Tejo) procederam à identificação de cerca de duas dezenas de carvalhos-cerquinhos de grande porte nos concelhos da Batalha e de Tomar, num trabalho de inventariação que decorreu entre 2019 e 2020. O resultado deste trabalho surge publicado no volume IV da revista Lucanus – Revista de Ambiente e Sociedade, disponível online em formato digital. O grupo de responsáveis assina o artigo “Carvalhos-cerquinhos de grande porte dos concelhos da Batalha e de Tomar como embaixadores dos bosques de Quercus faginea Lam. (cercais) na zona centro de Portugal”.
Em comunicado, o grupo Aves da Batalha e a associação 30POR1LINHA pretende continuar no futuro com este trabalho, “de forma a aumentar a lista de carvalhos de grande porte da Batalha e de Tomar”, salientando tratar-se de um inventário “puramente baseado em ciência cidadã” e que “tenciona também servir de inspiração para outros cidadãos e entidades, de maneira a replicar este trabalho noutras regiões do país”.
As duas organizações pretendem ainda “trabalhar na sensibilização da comunidade, das autarquias e do Estado central para a proteção destes embaixadores do carvalho-cerquinho em Portugal”, salientando que se trata de “um trabalho paciente e duradouro, e que deve ser encarado como transversal ao longo das gerações”.
Neste trabalho de inventariação agora publicado em artigo na revista Lucanus, o grupo de responsáveis reúne informação de dezoito árvores de grande porte, 12 localizadas
na Batalha e 6 em Tomar, sendo que todas têm em comum o facto de possuírem um perímetro de tronco à altura do peito superior a 2,5m, critério que pode ser usado para o pedido de classificação de árvore de interesse público.
Entre as árvores inventariadas, destaca-se o carvalho do “Padre Zé”, na freguesia de Reguengo do Fétal (Batalha), apresentando “o maior perímetro de tronco, que o pode tornar no maior carvalho-cerquinho existente em Portugal, mas também pela história de sobrevivência associada a um padre ambientalista que viveu no período da 2ª Guerra Mundial” e que terá pago para o exemplar ser poupado ao corte.

O processo de identificação e proteção deste conjunto de carvalhos-cerquinhos considerados “singulares” pelas suas dimensões e especificidades representa “um passo
fundamental para a preservação destes habitats e de toda fauna e flora a eles associada”, sendo por isso outro objetivo do trabalho o início de processos de proteção legal e conservação efetiva de alguns dos exemplares identificados.
Segundo as organizações, “até ao momento foram efetuados três pedidos de classificação como arvoredo de interesse público, tendo sido já obtida a classificação de um dos carvalhos deste inventário”, referente a um exemplar isolado junto à praia fluvial de Pedreira, na União de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira, em Tomar.
Ambas as organizações alertam que “os cercais que ainda restam nestes dois concelhos são o que resta do expoente máximo da floresta autóctone desta região”, que antes contava com maior abundância desta espécie.
É relevada a importância de “dar a conhecer e envolver as comunidades locais que convivem e sempre conviveram com eles. Pois, para além da sua importância ecológica têm também um valor social e cultural associado, que os torna testemunhos transgeracionais e verdadeiros “contadores” de histórias e de alterações da paisagem”.
Este trabalho contou com apoio de dois investigadores ligados ao projeto Gigantes Verde de Lousada e do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.
O artigo completo, assinado por Hugo Ribeiro, João Tomas, João Pires, João Soutinho e Carlos Vila-Viçosa e publicado no volume IV da revista Lucanus, pode ser consultado e descarregado em http://www.lucanus.cm-lousada.pt/2020/11/27/carvalhos-cerquinhos-de-grande-porte/
