"Thomaridade" transforma monumentos e ruas de Tomar em palcos vivos. Foto arquivo: DR

O grupo de teatro Fatias de Cá volta a transformar a cidade de Tomar num gigantesco palco aberto entre os dias 4 e 12 de junho com o regresso do projeto “Thomaridade”. Sob o emblemático lema de Bertolt Brecht adaptado pelo grupo – “Não resistir a uma ideia nova nem a um vinho velho” -, a iniciativa cruza o património histórico nabantino com as artes performativas, envolvendo a comunidade local na recriação de episódios marcantes da história de Portugal e do mundo.

O evento, que recentemente teve um ensaio aberto com a apresentação do quadro “Inês Pereira” em colaboração com a Junta de Freguesia da Brogueira, vai espalhar-se por mais de uma dezena de monumentos e espaços emblemáticos da cidade. Igrejas passam a ser tribunais, claustros acolhem conspirações e os logradouros históricos dão vida a lendas medievais, convertendo a rotina urbana numa experiência cultural imersiva.

A mecânica do “Thomaridade” prima pela originalidade: a aquisição de uma única pulseira de acesso (com o característico preço “fatiado” de 11,11€) garante a entrada em todos os episódios que compõem o roteiro cultural, sujeita apenas à lotação dos espaços.

A grande novidade deste formato é que as cenas de menor duração são repetidas em formato rotativo ao longo dos dias principais do fim de semana, permitindo que os visitantes e espectadores desenhem livremente o seu próprio percurso e horário pelos monumentos.

A programação arranca oficialmente na quinta-feira, 4 de junho, às 17h17, com o espetáculo “Julgamento para José Diogo”, encenado no Tribunal de Tomar (com sessão de reposição marcada para 10 de junho).

O coração do roteiro acontece na sexta-feira à noite e durante os dias de sábado e domingo (6 e 7 de junho), onde o público poderá testemunhar, de forma sequencial ou alternada, os vários quadros históricos.

No coração do roteiro, que ganha maior dinamismo na sexta-feira à noite (5 de junho) e ao longo de todo o fim de semana (6 e 7 de junho), o público é convidado a viajar pelo património religioso e militar da cidade. Na Idade Média e na história da fundação de Portugal assentam os quadros “Chão” (na emblemática Igreja de Santa Maria do Olival), “Extinção” (na Igreja da Misericórdia), “Infantes” (na Igreja de S. João Baptista) e as conspirações de “Nome da Rosa” (no Claustro da Micha, em pleno Convento de Cristo). A estas juntam-se as narrativas de “Rainha Velha” (na Capela de Santa Iria), o espetáculo “Ordem” (nos históricos Lagares d’El-Rei) e o misticismo de “Ocultum” (na Casa dos Tectos).

A viagem estende-se também pelas ruas, solares e praças que moldaram a identidade local e nacional. Os espectadores vão poder assistir a momentos marcantes através de “Retorno” (no Solar das Oliveiras), da recriação da Batalha de “Aljubarrota” (no Logradouro da Sinagoga) e da aclamação de D. Filipa de Vilhena em “Aclamação” (na Ermida de Nossa Senhora da Conceição). A crítica social e os clássicos da literatura também ganham vida com a farsa vicentina “Inês Pereira” (na Capela de S. Gregório).

Para fechar o roteiro de episódios rotativos, a “Thomaridade” desafia a atualidade e as instituições com os quadros “Aparição” e “Julgamento para José Diogo”, ambos com sessões no Tribunal de Tomar. O poder local e a sátira política sobem ao palco com “Leilão” (no Salão Nobre dos Paços do Concelho), enquanto o pensamento filosófico e a visão de uma nova sociedade se debatem no espetáculo “Utopia” (na Igreja de S. Francisco).

O encerramento do festival faz-se na sexta-feira, 12 de junho, às 21h21, com a peça “O Con(s)certo”, no edifício da SBRM Nabantina. Trata-se de uma colagem de textos cómicos de Karl Valentim (a partir de quadros como “O Aquário”, “O Projetor Avariado” e “O Ensaio de Orquestra”) numa reposição histórica que assinala o regresso do Fatias de Cá a este palco tomarense 45 anos depois.

As pulseiras de acesso já se encontram à venda na Papelaria Clip (Rua Infantaria 15) e podem também ser reservadas através do site oficial do grupo (www.fatiasdeca.pt) ou via QR Code, devendo o levantamento ser efetuado na sede do Fatias de Cá em Tomar (Rua Serpa Pinto, 23).

A máquina teatral do Fatias de Cá não dá tréguas e, logo após o fecho da “Thomaridade”, o grupo ruma a outras paragens no Centro do país.

Estão já anunciadas as produções de “T de Lempicka” para o dia 13 de junho (às 19h19) no Palácio Sotto Mayor, na Figueira da Foz (uma experiência que inclui jantar), e o clássico de William Shakespeare “Sonho de uma Noite de Verão”, a subir a palco a 21 de junho (às 19h19) no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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