O Arquivo Municipal Eduardo Campos, em Abrantes, vai ser palco de uma tertúlia evocativa e de homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo, na quarta-feira, dia 10 de julho, pelas 18h00. A iniciativa, de entrada gratuita e aberta a todos os interessados, sucede por ocasião dos 20 anos do seu falecimento.
Serão oradores nesta tertúlia as investigadoras Marília Rosado Carrilho (Universidade de Évora) e Maria Luísa Francisco (Universidade Nova de Lisboa) bem como o historiador Paulo Falcão Tavares (Universidade de Évora).
Maria de Lourdes Ruivo da Silva Pintasilgo, nascida a 18 de janeiro de 1930 na cidade de Abrantes, veio a falecer a 10 de julho de 2004, em Lisboa, para onde se mudou aos 12 anos de idade. Engenheira e política portuguesa, foi a primeira mulher – e a única, até ao momento –, a assumir o cargo de primeira-ministra em Portugal, tendo liderado o V Governo Constitucional da República Portuguesa.
Formou-se em Engenharia Química no Instituto Superior Técnico, e fazia parte do grupo de quatro alunas numa turma de 250 alunos. Esteve associada ao movimento religioso Graal, de mulheres cristãs, e representou Portugal na Organização das Nações Unidas

Foi Secretária de Estado da Segurança Social do Primeiro Governo Provisório e veio a exercer o cargo de primeira-ministra, corria o ano de 1979, após ter aceitado o convite do então Presidente da República, António Ramalho Eanes.
Também chegou a ser candidata à Presidência da República em 1986, foi deputada do Parlamento Europeu a convite do Partido Socialista, tendo fundado o Movimento para o Aprofundamento da Democracia (MAD) nos anos 80. Foi igualmente Ministra dos Assuntos Sociais e Embaixadora de Portugal na Unesco.
Manteve-se voz ativa na política institucional,mesmo que sem filiação a nenhum partido, e integrou movimentos católicos nacionais e internacionais. Chegou a presidir, nos anos 90, à Comissão Internacional para a População e Qualidade de Vida e ao “Comité des Sages” da Comissão Europeia.
Com forte sensibilidade para as questões sociais, foi-se envolvendo em diversas organizações internacionais e nacionais, tendo exercido cargos de liderança. Entre as suas causas constavam, por exemplo, a justiça social e a valorização e reconhecimento do papel da mulher e da importância da sua intervenção na sociedade e no exercício da cidadania ativa.
Esteve envolvida na conceção e criação da Fundação Cuidar o Futuro (FCF), inspirada na filosofia da Cultura e Ética do Cuidado, e que assume hoje o legado de Maria de Lourdes Pintasilgo. A missão da fundação está alinhada com o movimento Graal, sendo este um dos projetos a que dedicou grande parte do seu tempo nos últimos anos da sua vida. A fundação tem por intuito promover pontes entre o pensamento e a ação para alcançar melhoria da qualidade de vida e desafiar a capacidade de cuidado da humanidade por si própria e pelo planeta, com uma visão de futuro.

