Os territórios de baixa densidade oferecem muitos desafios mas simultaneamente muitas oportunidades. Saibamos ver isso de uma forma proactiva e sem repetir erros do passado.
Acontecimentos como os trágicos incêndios do último verão, que afetaram o território do Médio Tejo, demonstram a necessidade de reformas profundas. No nosso país, ao longo de décadas, as políticas públicas não impediram a litoralização da população, do investimento e da riqueza.
Vastas regiões do país ficaram condenadas durante demasiados anos à emigração e deu-se o êxodo para o litoral e para as grandes cidades. Hoje, contudo, existem múltiplas oportunidades nestes territórios.
Considero que o desafio demográfico é um desafio, não só destas regiões, mas de todo o país, se não vejamos: Portugal regista uma queda dramática da taxa de natalidade: se em 1970 cada mulher tinha em média 3 filhos, chegados aos dias de hoje a taxa caiu para uns dramáticos 1,23 (dados relativos a 2015), o que representa parte da tragédia dos países do sul da Europa.
Esta situação leva a que, no futuro, e segundo todas as estimativas, sejamos daqui a 15 anos o país da Europa mais envelhecido: apenas 11,5% da população total serão crianças com menos de 14 anos, 34,6 % dos portugueses vão ter mais de 65 anos e a proporção de pessoas com mais de 80 anos será de 16,1%, ou seja, superior ao número de crianças.
Falamos de uma autêntica tragédia demográfica, económica e social a caminho. A alteração drástica dos níveis de natalidade teve causas económicas e sociológicas profundas, como em todos os países do sul da Europa. Não são isentos desta situação – como todos os demógrafos concordam – condicionantes como a estrutura familiar, a crise económica e a forma como funciona a nossa sociedade atual, nomeadamente em matérias de igualdade de género e conciliação da vida privada com o trabalho.
Se estes dados são preocupantes a nível nacional, o que dizer dos territórios do interior? No Médio Tejo, a perda de população é uma realidade, que apenas o concelho do Entroncamento, com todas as suas especificidades, contraria. O distrito de Santarém, assim como todos os do interior, vai perdendo representatividade.
Até 2015 eram 10 deputados eleitos pelos 21 concelhos, hoje são somente 9.
De nada vale embarcarmos em discursos pessimistas. Então, o que fazer? A verdade é que não tenho formulas mágicas, e como economista sempre critiquei e tenho duvidas fundadas na maioria das politicas demográficas positivas.
Por exemplo, alguém acredita que um jovem casal vem viver para qualquer concelho do interior apenas por 500 ou 1000 euros por filho? Não acredito. Tem que se ir mais longe.
O que é necessário são politicas públicas que permitam o investimento e a criação de emprego nestes territórios. E isso é feito com discriminação positiva em fundos comunitários e em matéria fiscal.
Penso que o caminho para inverter a tendência atual passa pela aposta nos recursos naturais, como por exemplo na floresta e no Tejo como fatores de desenvolvimento.
Outro aspeto a considerar é apostar no turismo de qualidade, como forma de trazer recursos, valorizando-se o conhecimento, a inovação e a História dos territórios.
Devemos ainda procurar investimentos que sejam sustentáveis ambientalmente, socialmente, e economicamente.
Devemos trazer os filhos de volta ao seu concelho. Não existem fórmulas 100% certas mas deixo aqui este meu singelo contributo consciente que todos fazemos parte da solução.

