A organização revelou os primeiros oito artistas de um total de 50 que irão compor o cartaz, tendo indicado as atuações de Ana Lua Caiano, Club Makumba, Conferência Inferno, Ganso, Joana Guerra, Silk Nobre, Teresa Salgueiro e Unsafe Space Garden como sendo “todas estreias” num festival exclusivamente dedicado à divulgação da música portuguesa, grupo a que se junta Femme Falafel por ter sido vencedora do Festival Termómetro 2023.
“O Bons Sons agora regressa, após um ano de paragem, e é sempre a nossa intenção apresentar um cartaz diverso, de grande qualidade e que represente bastante bem aquilo que é feito em Portugal a cada instante”, disse hoje à Lusa Miguel Atalaia, diretor artístico de um Festival que decorre numa pequena aldeia do concelho de Tomar e que assinala a 12ª edição.
Para o responsável, “os nomes que agora foram lançados, são nomes que representam bem aquilo que é a totalidade do programa que depois vai sair mais para março”, num cartaz que vai contar com cerca de 50 projetos musicais nacionais.
“Este ano, à revelia daquilo que temos feito em anos anteriores, em que apresentamos o programa todo de uma vez, achámos que faria sentido antecipar um bocadinho esta divulgação, exatamente porque tivemos um ano de paragem, com as obras de requalificação aqui do Largo da Aldeia, que está com uma cara lavada, mais bonito, mais amplo e preparado, achamos nós, para acolher as pessoas, e, no fundo, estes nomes que agora surgem, que vão desde a voz de Teresa Salgueiro, ao violoncelo de Joana Guerra, à Ana Lua Caiano, aos Clube Macumba, são oito nome de grande relevância e que mostram bem a diversidade que depois o Bons Sons terá em agosto deste ano”, salientou Miguel Atalaia.

ÁUDIO | MIGUEL ATALAIA, DIRETOR ARTÍSTICO DO BONS SONS:
Entre a diversidade dos nomes apresentados, uns com projetos mais emergentes, outros mais consagrados, que protagonizam “diversas áreas, geografias e géneros musicais”, o Bons Sons vai receber Ana Lua Caiano, num concerto de “união entre música tradicional portuguesa e música eletrónica”, e os Club Makumba, banda que junta Tó Trips, João Doce, Gonçalo Prazeres e Gonçalo Leonardo.
A estes nomes juntam-se os Conferência Inferno, “especialistas pós-punk das práticas negras do rock elétrico em Portugal”, os Ganso, banda de “groove dançante”, Joana Guerra, “violoncelista apaixonada pela experimentação e pelo improviso”, e Silk Nobre, recente projeto de Fernando Nobre, com um espetáculo que “vai do funk ao semba, do soul ao afrobeat ou do r’n’b ao zouk”.
A consagrada Teresa Salgueiro, ex-vocalista dos Madredeus e que enveredou por uma carreira a solo, é mais uma estreia no Bons Sons, a par dos Unsafe Space Garden, apresentada como uma “banda arrebatadora que junta com mestria humor, energia, cor, absurdo, caos e intimidade”, tendo a preparação do evento estado a gerar animação e alguma ansiedade na aldeia, com o festival a registar muita procura de bilhetes.
“Há uma grande animação. Acho que a organização, como é aldeia e comunidade, as coisas vão-se falando, vamos tratando de vários assuntos mais urgentes, mas há sem dúvida uma ansiedade saudável, gerada por esta pausa. Apesar de tudo, ao longo destes últimos quatro anos, três deles foram de paragem do Bons Sons. Dois por causa da covid, este último de 2023 por causa das obras do largo e é certo que a organização e dimensão de um festival desta natureza, ainda por cima com todo o cariz de voluntariado e de envolvimento de todas as pessoas da aldeia, não se faz sem o seu “q” de ansiedade. Mas é uma ansiedade ali que também nos prepara bem para os novos desafios que, enfim, estão muito ligados a um novo recinto. Porque apesar de tudo, a reconfiguração e aquilo que as pessoas vão encontrar em agosto é bastante notória e as pessoas vão encontrar desafios acrescidos. Estamos a preparar, enfim… o entusiasmo mantém-se e o Bons Sons continua a fazer muito sentido para a comunidade que o constrói todos os anos”, afirmou.

Para Miguel Atalaia, a filosofia que norteia o evento e o espírito que se vive antes e durante o Bons Sons mantém-se inalterado e é o que faz mover a aldeia e diferencia o festival de música de outros festivais.
“O Bons Sons se não tivesse a filosofia, as questões da aldeia e do voluntariado, a música portuguesa, não seria o Bons Sons, seria outra coisa qualquer. Na verdade, a associação que organiza esta dinâmica comunitária que dá origem ao Bons Sons, que é o Sport Clube Operário de Cem Soldos, tem na verdade muitos eventos ao longo do ano, vamos criando muitas coisas, mas o Bons Sons tem as suas particularidades. A matriz identitária mantém-se e até este nosso contributo para de alguma forma demonstrar aquilo que achamos que pode ser o interior do nosso país, a vivência numa aldeia, e isso continua a ser a nossa intenção”, indicou, dando conta de uma boa procura de bilhetes.
“O Bons Sons acontece de 8 a 11 de agosto, as vendas estão a correr bastante bem, portanto nós temos sempre uma fidelização muito grande. As pessoas compram bilhete antes de saberem exatamente quais são as bandas. Isso tem estado a acontecer. A primeira fase de bilhetes esgotou antes da fase que nós tínhamos prevista, antes ainda do Natal. Tivemos uma campanha de Natal a acontecer, com um pack de Natal e correu muito bem. Agora a segunda fase também está a vender bastante bem. São um chamariz que nós fazemos, exatamente porque também houve um tempo de espera maior, mas a fidelização é bastante grande e as pessoas já conhecem a qualidade do cartaz ainda antes do conhecer”.
“Eu diria que a especificidade desta mostra, digamos assim, destas oito bandas, aquilo que nós tentámos foi de facto tentar encontrar uma diversidade grande entre a produção musical que vamos apresentar no festival, que já é uma marca do festival mas quisemos de uma forma muito especial representá-la desde já, porque é um tema que nós queremos abordar no Bons Sons deste ano, esta ideia de diversidade, de uma comunidade que é mais rica, mais coesa e mais capaz quando diversa entre si, e só assim é que o Bons Sons é possível e só assim é que uma comunidade se consegue organizar e criar eventos, iniciativas, e esta dinâmica coletiva de trabalho. Portanto, pela diversidade, o Bons Sons e estes 8 nomes vêm também representar um bocadinho isso”, deu conta Miguel Atalaia.

Com o mote ‘Vem viver a aldeia’, são os cerca de 700 habitantes que organizam e montam o festival, ao longo do qual acolhem e servem os visitantes, numa “partilha que distingue o Bons Sons dos restantes festivais portugueses”, realçou Atalaia.
“A aldeia tem um número estimado de 650, 700 pessoas. A dinâmica de voluntariado mantém-se, e contabilizamos todos os anos cerca de 400 voluntários, diretos, além da senhora e da mãe que ficam em casa a fazer comida para os familiares que estão a fazer turnos e todas essas dinâmicas que também acontecem”.
Na base do adiamento da edição de 2023 está a realização das obras de requalificação, em fase de conclusão, do largo (Largo do Rossio) e do centro de Cem Soldos, aldeia que todos os anos é fechada e se transforma no recinto de um festival que “manterá” uma lotação de 35 mil festivaleiros, e que nesta edição contará com “um recinto mais nobre”.

Organizado desde 2006 pelo Sport Clube Operário de Cem Soldos (SCOCS), o Bons Sons manteve-se bienal até 2014, passando depois a realizar-se anualmente, “mantendo uma programação exclusiva da música portuguesa, completamente aculturada e diversa, como é o nosso hábito”, sublinhou o diretor artístico do evento.
A aldeia de Cem Soldos é fechada e o seu perímetro delimita o recinto que acolhe 08 palcos integrados nas ruas, praças, largos, auditório, igreja e até em garagens e lagares.
c/LUSA
