Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, às 10h00 de 12 de fevereiro de 2026. Foto: João Tavares

“A noite foi muito chuvosa e exigente, com várias quedas de árvores e alguns movimentos de massa, mas os caudais mantiveram-se ao nível do dia de ontem. Não baixaram, mas também não aumentaram. Temos, portanto, uma estabilização em valores elevados”, afirmou esta manhã o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo.

Segundo David Lobato, às 07:00 eram registados 5.286 metros cúbicos por segundo (m3/s) em Almourol, valor que se manteve ao longo da noite dentro da faixa dos 5.000 a 6.000 m3/s, com as barragens sempre em descarga.

Face às 07:00 de quinta-feira, quando eram medidos 6.114 m3/s, verifica-se uma descida de cerca de 830 m3/s nas últimas 24 horas.

Ainda assim, ao longo do dia de ontem o caudal oscilou entre os 6.000 e os 7.000 m3/s, chegando a ultrapassar pontualmente essa marca antes de descer ao final da tarde.

De acordo com os dados do Centro de Produção Tejo-Mondego (CPPE), as descargas atuais nas barragens a montante totalizam 5.085 m3/s – 826 m3/s na Barragem de Castelo do Bode, 247 m3/s na Barragem de Pracana e 4.012 m3/s na Barragem do Fratel.

David Lobato admitiu que a chuva intensa da noite poderá ainda refletir-se ao longo do dia nos caudais do Tejo e dos seus afluentes, também com influência das descargas provenientes de Espanha.

“É expectável que não haja um aumento significativo, mas poderá haver uma ligeira subida. Não perspetivamos valores na ordem dos oito mil metros cúbicos por segundo. Houve uma boa articulação entre as barragens e estamos a acompanhar permanentemente a situação”, afirmou.

A expectativa das autoridades é de um dia semelhante ao de quinta-feira, com possibilidade de nova aproximação à fasquia dos 6.000 a 7.000 m3/s.

O pico desta cheia foi registado em 05 de fevereiro, quando o caudal atingiu cerca de 8.600 m3/s em Almourol, estação de medição que reflecte o conjunto total de descargas a montante e dos caudais acumulados de afluentes do Tejo.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo, accionado no dia 5 de fevereiro, mantém-se em alerta vermelho.

A Proteção Civil reforça os avisos preventivos, apelando à população para que não atravesse estradas submersas ou devidamente sinalizadas, numa altura em que os solos continuam saturados e persistem quedas de árvores, derrocadas e submersão de vias em vários pontos da região.

c/LUSA

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