A zona ribeirinha de Constância encontrava-se praticamente já toda inundada ao final da manhã desta quinta-feira, 5 de fevereiro, na sequência do aumento dos caudais dos rios, provocado pela libertação de elevados volumes de água das barragens espanholas, em conjugação com a precipitação intensa registada em Portugal, devido à tempestade Leonardo.
“No concelho de Constância, esta madrugada, fruto de terem sido libertados e continuarem a ser libertados caudais elevados nas barragens espanholas, aliado àquilo que choveu também no nosso país, as águas subiram”, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira, lembrando a vulnerabilidade particular do concelho: “Constância sofre sempre mais um bocadinho porque tem o rio Zêzere que desagua no rio Tejo”.
Apesar da situação, o presidente da Câmara afasta cenários alarmistas e apela à calma. “Nestas alturas é preciso manter a racionalidade e a serenidade para podermos atuar e proteger as pessoas e dar resposta às necessidades das populações”, frisou.
As águas já ultrapassaram o parque de estacionamento junto ao rio e atingiram várias infraestruturas da vila. “Neste momento, a zona ribeirinha de Constância está praticamente toda inundada. Toda aquela zona do parque de merendas, do anfiteatro dos rios, do parque infantil, do parque de campismo, está tudo inundado”, referiu.




Desde as primeiras horas da manhã, os serviços municipais estão no terreno, em articulação com o Exército e com os Bombeiros Voluntários de Constância, a desenvolver ações de prevenção e proteção, nomeadamente a “retirar os bens de um conjunto de estabelecimentos comerciais que ficam à beira do rio”, explicou.
Paralelamente, estão também a ser evacuados habitantes de zonas mais vulneráveis. “Um conjunto de habitantes que moram na zona da Praça Alexandre Herculano foram já retirados, assim como os bens, porque provavelmente a água chegará lá”, adiantou Sérgio Oliveira, sublinhando que “são trabalhos que estão a decorrer”.
“A perspetiva que temos é que o caudal dos rios vai continuar a aumentar e estamos a atuar na prevenção para salvar as pessoas e os seus bens”, explicou ao nosso jornal.
O autarca recorda que já existia previsão de chuva intensa, bem como informação sobre o aumento das descargas em Espanha. “O aviso que nos chegou foi que efetivamente as barragens espanholas iam aumentar as descargas e esse aumento fez com que, tendo nós no nosso país uma situação dos solos saturados e os rios já bastante robustos, a juntar à nossa água aquela que vem de Espanha, criasse este efeito”, explicou.

O autarca sublinha ainda que a gestão da Barragem de Castelo de Bode tem sido determinante para conter os efeitos da cheia. “Neste momento ainda temos a vantagem de a Barragem de Castelo de Bode estar a fazer descargas pelo mínimo e ter ainda capacidade de encaixe”, explicou, acrescentando que “se não fosse essa situação, e a gestão que foi feita há uns dias, hoje íamos estar numa situação bem mais difícil”.
