Três semanas após a depressão Kristin e as cheias do Tejo, os caudais do rio continuam a descer lentamente e os municípios iniciaram trabalhos de limpeza, recuperação de estradas e levantamento de prejuízos, disse fonte da Proteção Civil. Até hoje, o Médio Tejo declarou 14,8 ME de prejuízos, concentrados sobretudo em Ourém (4,6), Ferreira do Zêzere (3,1), Tomar (2,2), Abrantes (1,7) Torres Novas (1,6) e Mação (716 mil euros).
“Os efeitos das tempestades ainda não passaram completamente, os caudais do Tejo estão a voltar ao seu registo normal, embora ainda elevados, e as linhas de água mantêm níveis significativos, sendo este o momento de iniciar limpezas, recuperação e quantificação dos prejuízos provocados pelas inundações”, disse hoje o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi desagravado de vermelho para amarelo na segunda-feira, mas mantém-se ativo, já que os caudais continuam acima do nível considerado normal.
Às 12:00 de hoje, o caudal do rio Tejo em Almourol era de 1.454,3 m³/s, valores que representam uma descida face aos 1.835 m³/s registados na quarta-feira e ao pico de cheia de 9.057 m³/s registado no mesmo local a 06 de fevereiro.
Valamatos acrescentou que, no Médio Tejo, a situação ainda não voltou totalmente à normalidade e que serão necessários alguns dias para quantificar danos e iniciar processos de recuperação e reconstrução.
O também presidente da Câmara de Abrantes acredita que o tempo dará tréguas à chuva e permitirá avançar com os trabalhos.
Os municípios da região do Médio Tejo estão a “ultimar o levantamento dos prejuízos provocados pelas cheias e a trabalhar no terreno na recuperação das habitações, estradas e espaços públicos” afetados, declarou.
Relativamente à tempestade Kristin, o levantamento está a ser concluído por todos os municípios e algumas famílias já estão a receber apoio na recuperação das suas habitações.
“Queremos crer que em breve as empresas e, sobretudo, também os municípios, possamos ter acesso a fundos e apoios concretos para a recuperação do espaço público e para a recuperação das empresas no âmbito das cheias”, disse Valamatos.
No distrito de Santarém permanecem mais de uma centena de vias afetadas por submersões, abatimentos, movimentos de massa ou quedas de taludes, e as populações foram alertadas a circular com precaução e utilizar vias alternativas.
Lisboa e Vale do Tejo com 107,9 ME de prejuízos declarados na agricultura – CCDR
Os agricultores de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) declararam 107,9 milhões de euros de prejuízos na agricultura provocados pelo mau tempo desde 29 de janeiro até hoje, segundo dados da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) com a pasta da agricultura, José Bernardo Nunes, disse hoje à agência Lusa que, desde 29 de janeiro e até hoje de manhã, foram submetidas 1.129 candidaturas aos apoios para repor o potencial agrícola produtivo, no montante global de 107,9 milhões de euros (ME), pendentes de análise.
Na quarta-feira de manhã, o número de candidaturas era de 1.054 e o montante declarado de prejuízos de 99,2 ME.
Dos 99,2 ME, 61,9 ME são referentes a danos em armazéns e outras construções, onde estão incluídas as estufas agrícolas, 20,8 ME em culturas permanentes, 8,4 ME em máquinas e equipamentos de apoio, 7,3 ME em culturas temporárias e 582 mil euros a morte de animais.
O responsável detalhou que 57 das mais de mil candidaturas ultrapassam o teto máximo do apoio definido pelo Ministério da Agricultura (400 mil euros), correspondendo a um prejuízo declarado de cerca de 55 milhões de euros. Das 57, nove casos têm um prejuízo superior a um milhão de euros.
O Oeste foi a região mais afetada, com um prejuízo declarado superior a 42 ME de norte a sul: Torres Vedras (14,2 ME), Caldas da Rainha (7,1), Alcobaça (5,4), Nazaré (4,2), Alenquer (4,1), Bombarral (2,2), Cadaval (1,7), Óbidos (1,5), Peniche (1,4), Arruda dos Vinhos (537 mil euros) Lourinhã (337 mil) e Sobral de Monte Agraço (173 mil).
Segue-se a Lezíria do Tejo, com um prejuízo até agora de mais de 28 ME: Azambuja (8,7), Benavente (3,7), Coruche (3), Santarém (2,9), Chamusca (2,3), Alpiarça (2,1), Rio Maior (1,9), Salvaterra de Magos (1,2), Almeirim (1,1), Cartaxo (693 mil euros) e Golegã (513 mil).
O Médio Tejo surge com 14,8 ME de prejuízos, concentrados sobretudo em Ourém (4,6), Ferreira do Zêzere (3,1), Tomar (2,2), Abrantes (1,7) Torres Novas (1,6) e Mação (716 mil euros).
A Península de Setúbal declarou até ao momento 10,4 ME, dos quais 5,4 em Alcochete, 3,3 no Montijo, 1,1 em Palmela e 450 mil euros em Sesimbra, enquanto a Grande Lisboa 2,3 ME, a maioria dos quais em Mafra (1,5).
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.
c/Lusa
