Cidade de Abrantes com o rio Tejo. Foto: arquivo/CMA

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes manifestou-se esperançoso com a informação de que Portugal chegou a acordo com Espanha sobre o caudal dos rios, nomeadamente o rio Tejo, acordo esse que deverá ser firmado oficialmente a 26 de setembro, em Madrid. O autarca sublinhou a preocupação com a oscilação dos caudais que não é benéfica para o ecossistema e dinâmica do rio Tejo, o maior rio da Península Ibérica e que atravessa o concelho de Abrantes.

O edil baseou-se no noticiado pela TSF no início deste mês, referindo que há muito tempo que em Abrantes e noutros concelhos banhados pelo Tejo na região que existe preocupação com a questão da variação dos caudais, e não só com os episódios de poluição e qualidade da água.

“Há muito que nos debatemos com as questões dos caudais. Durante muitos anos estava em cima da mesa a qualidade da água, como bem sabem. Houve um trabalho feito pelos governos, diria, mas particularmente pelo governo português de despoluição do rio Tejo, criando condições a montante de Abrantes capazes de responder àquilo que eram os trágicos momentos de poluição. Foi um trabalho bem realizado, mas sempre alertámos para os caudais que põem em causa toda a dinâmica do rio”, indicou.

Foto: CMA

Manuel Jorge Valamatos apontou que a oscilação dos caudais, muitas vezes brusca, continua a ser visível nomeadamente no Aquapolis, situação que também impacta o espelho de água que é imagem de marca da zona ribeirinha entre as margens norte e sul (Barreiras do Tejo e Rossio ao Sul do Tejo), o conhecido “Mar de Abrantes”, e onde está instalado o açude insuflável desde 2007.

“Ainda se continua a notar, quando o açude não está insuflado as oscilações dos caudais são muito grandes, o rio está completamente em baixo e depois sobe muito. Para o habitat do rio tem uma influência muito grande na preservação, e temos insistido muito nos caudais do rio Tejo. Julgo que é um bom princípio, para cada vez olharmos mais e com maior atenção para o rio Tejo e continuo a dizer que o Tejo continua a estar no centro das nossas políticas regionais, este não é um assunto exclusivo de Abrantes, tem muito a ver com o Médio Tejo, e obviamente com outras regiões. Queremos, de facto, esta afirmação e regularização dos caudais”, insistiu o edil.

O presidente de Câmara disse ter sabido pela comunicação social deste acordo entre Portugal e Espanha por via da intervenção do Ministério do Ambiente e da Ministra Maria da Graça Carvalho, considerando que “estas preocupações no geral sobre os rios e com particular enfoque no Tejo deixam-nos, obviamente, com esperança para com o futuro próximo”.

Caudais inconstantes caudais afetam rio Tejo. Na foto, baixo caudal em Alvega. Foto: arquivo/mediotejo.net

Refira-se que em declarações à TSF, a Ministra do Ambiente disse que Portugal e Espanha “chegaram a acordo para a retirada de água do Guadiana, no Pomarão, que irá fornecer as barragens algarvias de Beliche e Odeleite. Em relação ao Tejo, o que pedimos foi a garantia dos caudais ecológicos, que não sejam só mensais e semanais, mas diários e distribuídos de maneira uniforme”.

“Quero dizer que ficámos muitos satisfeitos e esperançosos que isto mesmo venha a acontecer, porque é sinal do cuidado e da atenção que todos temos que ter para com o maior rio da Península Ibérica. Repito, porque não me canso de referir o que digo já há alguns anos: o problema do rio Tejo não é só a qualidade da água, mas também (e muito) a quantidade”, reforçou Manuel Jorge Valamatos.

De acordo com o avançado pela TSF, as negociações já duram há algum tempo mas está apontada a data de 26 de setembro para que se celebre oficialmente um entendimento entre os Ministérios do Ambiente dos dois países, algo que acontecerá antes de se assinalarem os 25 anos da Convenção de Albufeira, uma Convenção de Cooperação para a Proteção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso – Espanholas, acordo em que Portugal e Espanha concertaram a cooperação sobre a partilha dos seus recursos hídricos.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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