Tejo Ambiente prevê investimentos estratégicos de 16 ME este ano. Foto arquivo: Tejo Ambiente

Em comunicado, a Tejo Ambiente esclareceu na segujnda-feira que os constrangimentos no abastecimento de água nas localidades de Cem Soldos e Porto Mendo, no concelho de Tomar, não se devem a ruturas na rede, mas antes a uma “obstrução significativa causada pela acumulação de calcário” num troço entre as duas localidades, que tem reduzido a pressão de água, embora o serviço não esteja interrompido.

Esta acumulação de calcário nas tubagens condiciona “o normal escoamento da água”, afirmou a empresa responsável pela gestão da água em seis dos 11 municípios do Médio Tejo.

Desde a identificação da ocorrência, que se regista desde 7 de janeiro, a Tejo Ambiente assegurou que tem estado no local todos os dias, “com vários meios técnicos e operacionais, a desenvolver trabalhos de desobstrução da rede, intervindo nos troços mais críticos, com o objetivo de minimizar os constrangimentos e restabelecer o serviço”.

A empresa sublinhou que o transporte de água por outros meios não seria eficaz, porque o problema é estrutural e está associado à antiguidade da infraestrutura e à acumulação histórica de calcário num sistema em funcionamento desde 1959, com alterações na fonte de abastecimento ocorridas em 2022.

Os trabalhos continuam em curso e podem persistir condicionamentos pontuais até que as condições de funcionamento sejam integralmente repostas, indicou ainda a Tejo Ambiente.

Na nota informativa, a empresa lamentou os transtornos causados e reafirmou o compromisso de manter a população informada sobre a evolução da intervenção.

A Tejo Ambiente, E.I.M., SA é uma empresa intermunicipal de ambiente que gere serviços de abastecimento de água, saneamento e gestão de resíduos em diversos concelhos do Médio Tejo.

Criada em 2019 para assegurar a coordenação e eficiência na prestação destes serviços públicos, a empresa intermunicipal, com sede em Ourém, opera nos municípios de Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha.

O presidente da Câmara Municipal de Tomar, durante a reunião do executivo que decorreu esta segunda-feira, classificou como “grave” a situação da falta de água em Cem Soldos, problema que se tem vindo a registar há cerca de 5 dias, com períodos consecutivos sem abastecimento naquela localidade.

O autarca frisou que se trata de um tema que tem merecido atenção, quer por parte da Câmara Municipal, quer da Tejo Ambiente, mas alertou que não é um problema recente. Segundo explicou, a situação resulta da captação de Mendacha e da elevada carga calcária da água, que acabou por entupir as condutas, tornando o problema “muito complicado” de resolver apenas com intervenções pontuais.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

De acordo com Tiago Carrão, desde o dia 7 que os trabalhadores da Tejo Ambiente têm feito “todos os esforços” para tentar repor alguma normalidade no abastecimento, embora tenha admitido que as ações em curso têm um caráter essencialmente paliativo.

O autarca acrescenta que resolução definitiva exige “um investimento muito significativo”, não só para Cem Soldos, mas também para outras freguesias afetadas.

Para ilustrar a dimensão do problema, o autarca informou que, em alguns troços da rede afetados pela água calcária, está a ser faturado menos de 10% da água que é introduzida no sistema, situação que classificou como gravíssima, tanto do ponto de vista da sustentabilidade e da gestão financeira como, sobretudo, da qualidade do serviço prestado à população.

Tiago Carrão informou ainda que, no dia de hoje [segunda-feira], conseguiu contactar o gabinete da ministra do Ambiente, a quem transmitiu não só a importância do tema, mas também a urgência de uma solução.

O autarca sublinhou que esta situação “não pode continuar assim”, referindo que o processo envolve também as Águas do Vale do Tejo e que, apesar do trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela Tejo Ambiente, é necessário chegar a uma conclusão o quanto antes, uma vez que “a população está a sofrer e não pode continuar assim”.

c/LUSA

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