TechFrame assinalou 25 anos na inovação tecnológica e projeta o futuro da indústria digital. Foto: mediotejo.net

O evento contou com a presença de diversas entidades institucionais e empresariais, reforçando a importância da colaboração para o desenvolvimento tecnológico. Durante a manhã foram vários os oradores que participaram na sessão de comemoração dos 25 anos de atividade, tendo contado com a presença de Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal, Olinda Sequeira, Diretora da ESTA e o diretor executivo do TagusValley, Pedro Saraiva.

Desde a sua fundação, há um quarto de século, a TechFrame apresenta-se como uma “referência na criação de soluções inovadoras para a propriedade industrial e para a análise avançada de imagens”. O seu compromisso com a investigação e desenvolvimento (I&D) tem resultado em projetos de vanguarda, com impacto a nível nacional e internacional.

“Nos últimos anos, por força do crescimento, temos diversificado a empresa e neste momento estamos a atuar em três grandes áreas, que são sistemas de informação onde se inclui o sistema original que nós desenvolvemos, que se chama Darwin. A área de “Military and Security”, onde temos algumas soluções de seguranças digitais e físicas e alguns projetos em candidatura para o desenvolvimento de simuladores militares. E a área de “Gaming” onde temos então o Digital Valley, o Universe e uma série de outros projetos que temos desenvolvido”, explicou Carlos Mora, cofundador e CEO da empresa.

Durante o evento, vários departamentos da Techframe tiveram a oportunidade de apresentar os seus projetos e conquistas mais recentes. João Paulo Fernandes, Gestor de Projeto, apresentou a nova versão da Darwin Suite, a Darwin 7, focada na modernização da gestão de propriedade intelectual.

Nuno Rivotti abordou o papel fundamental do departamento de produto, destacando a importância da organização interna e da interconexão entre as diversas áreas até ao lançamento de produtos. Já Artur Almeida falou sobre o avanço das jurisdições e a expansão global da Darwin Suite, que agora cobre 42 países.

Liliana Pratas, estagiária da ESTA-IPT, apresentou o trabalho em curso na área da qualidade, com destaque para as certificações ISO (9001, 27001, 20000, 56001). Pedro Lima e Franck Monteiro discutiram a estratégia de marketing e a expansão internacional da empresa, com ênfase nos PALOP e na América Latina.

O evento contou também com a presença de várias entidades oficiais, que destacaram a importância da Techframe no desenvolvimento da região e no panorama tecnológico nacional. Manuel Jorge Valamatos, Presidente da Câmara Municipal de Abrantes, salientou a colaboração entre o setor público e privado e o papel da Techframe na fixação de talento local.

Foto: TechFrame

Pedro Saraiva, CEO do TagusValley, contextualizou a evolução da empresa, apoiada pelo parque desde as suas fases iniciais. Já Olinda Sequeira, Diretora da ESTA-IPT, destacou a ligação estratégica entre a academia e a empresa, com a Techframe a dar um exemplo de valorização de talentos locais. Por último, Sónia Alves, da Câmara Municipal de Abrantes, reforçou o apoio contínuo ao crescimento da empresa e a sua contribuição para a afirmação de Abrantes como destino tecnológico.

Em declarações ao nosso jornal, o CEO recordou um trajeto que completa agora 25 anos e que tem sido, “sobretudo, divertido”. “Eu acho que ninguém sobrevive 25 anos de uma empresa se não olhar para as coisas com algum humor e com alguma capacidade de encaixe”, declarou.

Para Carlos Mora, este é um momento “interessante” na empresa e que, devido aos investimentos realizados nos últimos anos e ao que tem sido possível captar em termos de projetos, a TechFrame se encontra agora num momento de internacionalização.

“Neste momento já temos projetos em três continentes e esperamos chegar aos 40, 50, 60, 100 países durante os próximos anos. Porque o mercado português é interessante, mas é pequenino, portanto, precisamos de nos internacionalizar para conseguir atingir a dimensão que pretendemos”, notou.

Foto: mediotejo.net

Implementada desde 2017 no TagusValley, atua na área “Gaming & Entertainment” (jogos e entretenimento), aproximando a academia e a indústria na partilha de recursos disponíveis e na participação ativa em projetos nacionais e internacionais. Cumulativamente, a TechFrame trabalha em “Information Systems” (sistemas de informação) e “Military & Security” (militar e segurança).

A ligação a Abrantes surgiu, de acordo com o CEO da Techframe, por três razões.

“Primeiro porque há aqui uma Escola Superior de Tecnologia que produz mão de obra qualificada. Segundo, porque havia aqui um TagusValley que nos dava condições para nós instalarmos uma empresa de base tecnológica com todas as condições necessárias para isso, e finalmente, porque Abrantes tinha, e tem, um programa ambicioso de apoio às empresas, de captação e sedimentação das instituições que para nós foi valioso nos primeiros anos que cá estivemos”.

ÁUDIO | Carlos Mora, co-fundador e CEO da TechFrame

Entre as soluções mais recentes desenvolvidas pela empresa destacam-se a “Darwin Suite”, uma plataforma líder na gestão de propriedade industrial, adotada por empresas e instituições em diversos mercados internacionais.O GSE – Graphical Search Engine, motor de pesquisa gráfica, textual e semântica, desenvolvido em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e o Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), proporcionando uma nova abordagem na análise visual de marcas registadas.

Foto: mediotejo.net

A TechFrame desenvolveu também o Digital Valley – INCACE (Incubadora & Aceleradora de Videojogos), iniciativa que apoia o desenvolvimento de videojogos em Portugal, trabalhando com universidades e politécnicos para dinamizar o setor através de programas de aceleração e apresentações a investidores.

A empresa lidera ainda o projeto RA3I – Rock Art Analysis With Artificial Intelligence, num consórcio composto pelo Politécnico de Tomar e pelo Instituto Terra e Memória, de Mação. O projeto foi contemplado com um apoio de 1,7 milhões de euros no âmbito do Compete 2030, para a implementação de um processo que alia a inovação à ciência, através da IA aplicada ao estudo da arte pré-histórica.

Este trata-se de um projeto inovador que utiliza inteligência artificial para analisar milhares de imagens de arte rupestre em cinco continentes, revolucionando o estudo da pré-história.

Destinado a todos os profissionais e instituições dedicados ao estudo da pré-história, o RA3I pretende ser “a ferramenta mais avançada disponível para o setor”, que “combina o estudo da ciência da humanidade com o desenvolvimento tecnológico”.

“O projeto é muitíssimo interessante (…), sendo que o objetivo é processar e interpretar de forma automática, todos os elementos da arte rupestre, sejam gravuras ou pinturas que existem e como vimos, existem muitíssimos milhões. A maior parte deles está em tratamento, porque é um processo extremamente moroso e, portanto, a ideia foi: nós já trazíamos uma bagagem de conhecimento de aplicação de algoritmos de IA e portanto, a aplicação desses algoritmos à arte rupestre vai-nos permitir e está a permitir-nos automatizar os processos”, explicou.

De acordo com Carlos Mora, o “RA3I” está agora numa “fase relativamente avançada da investigação inicial”.

“Já conseguimos ter processos automatizados, estamos a desenvolver uma interface que pretendemos que seja extremamente intuitivo e muito fácil de utilizar, porque aqui só falámos do público profissional, mas o objetivo é também facultá-lo ao público em geral que tem interesse por arqueologia, poder fotografar uma rocha e perceber se é alguma pintura ou é um gatafunho ou é um líquen. Portanto, facultá-lo também a esse público”.

“A verdade é que conseguimos cortar anos de análise de documentos para minutos. Isto é algo que nunca foi tentado, nunca foi feito”, sublinha.

Quanto ao futuro, Carlos Mora afirma que “são muitíssimos” os projetos e as ambições também. “Eu diria que a nossa principal ambição neste momento é consolidarmos a equipa e consolidarmos os produtos”.

Foto: mediotejo.net

“Nós temos este ano, 2025, um ambicioso lançamento de novos produtos para o mercado, que são a maior parte deles ou produtos que resultaram dos projetos de investigação que já terminámos ou que está em curso, ou novas versões de produtos que nós já sabemos”, declarou.

Uma das ambições da TechFrame é a cotação em bolsa, o que permitirá a “capacidade de investimento que nós precisamos para chegar aos mercados internacionais”.

“Não vale a pena pensar que com o pelo do cão vamos conseguir vender para todo o mundo. Isso não existe, são precisos investimentos muito grandes e esse investimento vem, em fases iniciais, por injeção de capital de risco, que nós também já temos experiência nessa área. Mas sobretudo vem depois por uma capitalização grande em termos de bolsa para conseguirmos ter os fundos que são necessários para projetar um produto mundialmente”, concluiu Carlos Mora.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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