Abriu ontem a primeira casa abrigo para homens vítimas de violência doméstica.
(In) felizmente demos este passo. Eles também são vítimas. Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, o número de homens vítimas de violência doméstica aumentou quase 15% entre 2013 e 2015, com mais de 1.200 casos. Existe uma maior vergonha em denunciar os casos, mas eles são reais.
Os homens também são perseguidos;
Também são privados de decisões sobre a sua vida, de gerir o seu próprio dinheiro e de decidir a quem dão os seus bens;
Também são proibidos de contactar com vizinhos, de sair com amigos, de estar com a família;
Também levam empurrões, estalos, pontapés, também lhes são atirados objetos;
Também são menosprezados, são ridicularizados, são humilhados, são desvalorizados;
Os homens também são frágeis e também precisam de ajuda.
Ainda bem que se criou uma resposta para estas vítimas, que existem em todas as faixas etárias, mas principalmente acima dos 65 anos.
A dignidade e o gozo dos direitos é transversal a todo o ser humano e ninguém é mais do que ninguém. Todos os direitos que assistem às mulheres nesta matéria, assistem igualmente aos homens. É importante valorizar e apoiar as pessoas naquilo que for a decisão para a sua vida. De lhes dar a mão. Eles e Elas têm esse direito.
Porque estes casos existem, e não são apenas elas que sofrem (apesar de serem a maioria), também eles são vítimas. Não são apenas eles os agressores, elas também o são. Noutras situações, são os próprios filhos/as que agridem os pais/ mães.
É um flagelo da nossa sociedade, mas para o qual cada vez mais vão existindo resposta para apoiar as vítimas, ao mesmo tempo que se vai punindo quem comete estes atos. No entanto, ainda muito há para fazer. Há que mudar mentalidades, visões sobre os direitos, há que executar a Lei e proteger verdadeiramente as vítimas. Mas o caminho faz-se caminhando. Cá vamos andando.
