Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

A Tagus apresentou a Rota Turística sustentável de Abrantes, Constância e Sardoal. Uma Rota com 25 pontos para visitar com 26 artesãos para conhecer. Ou seja, um percurso turístico integrado de artes e ofícios do Ribatejo Interior e experiências imersivas. Para tal foi criado um percurso turístico integrado de interpretação e contacto com o “saber-fazer”, explicou Conceição Pereira, coordenadora da Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior.

“Uma viagem através do tempo, dos sentidos, dos saberes e dos fazeres” que se faz no coração de Portugal entre o Tejo e o Zêzere, em Abrantes, Constância e Sardoal. A arte do saber fazer será o fio condutor desta viagem onde pode observar “o encanto das mãos habilidosas que trabalham, que criam, que continuam a criar” podendo participar “neste universo cultural”, explicou a responsável.

Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

Nesta Rota, a volta é traçada por cada viajante: o caminho não tem início nem fim, mas tudo tem um sentido, um fio condutor.

Conceição Pereira apresentou a Rota AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior na conferência intitulada ‘As Plantas nas Artes e Ofícios’ no âmbito do projeto AO.RI focado na valorização das artes e ofícios tradicionais do Ribatejo Interior, que representam as vivências, os saberes-fazer ancestrais e a identidade e cultura deste território. Assim, tem sido dinamizado um conjunto de iniciativas que contribuem para a sua preservação, mas também, para a sua diferenciação e adaptação às necessidades atuais, conseguindo assim um complemento para a oferta dos produtos turísticos do Médio Tejo.

Com o enriquecimento da oferta turística existente pretende-se consequentemente contribuir para a atração de novos públicos, para o aumento de visitantes e da estadia média de turistas e para a afirmação e maior competitividade deste destino em termos turísticos.

Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

A conferência decorreu com o objetivo de destacar a importância histórica e cultural das plantas nos ofícios tradicionais da região, tendo reunido especialistas de diversas áreas, como as artes, formação, turismo, e artesãos que mostraram a sua arte ao vivo; do Sardoal marcaram presença os leques de palha e as malas de folha de Flandres, de Abrantes as seiras e capachos, os registos ou santinhos e o tijolo de burro e de Constância o mobiliário de tabúa e madeira e as bonecas de perna de cana.

E a Rota turística – cujo mapa foi igualmente apresentado – pretende mostrar estas e outras artes e artesãos. A viagem pode ser iniciada em Mouriscas (Abrantes), na Oliveira do Mouchão, com mais de 3500 anos. Perto do rio Tejo, o seu nome evoca os pescadores dos mouchões, que ali se juntavam antes de sair para a faina.

Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

A volta continua a caminho da Sifameca, para contemplar o entrelaçar do processo de fabrico das seiras e capachos, essenciais para a extração de azeite nos lagares tradicionais de prensas, mas que hoje também se usam na decoração das casas mais rústicas. Perto, outro tesouro escondido carrega a essência da história do artesanato ancestral: a Cerâmica do Tejo, uma fábrica de produção artesanal de tijolo de burro e tijoleira.

Avançando para sul, cruza-se o rio Tejo em direção ao Pego, também conhecido como Aldeia das Casas Baixas, devido às habitações típicas de piso térreo, com telhados de duas águas e paredes caiadas de branco. Estas casas têm a chamada ‘sala de fora’, onde os peculiares Registos ou Santinhos do Pego se colocam, imprimindo um ar mais festivo que solene aos espaço. Aqui, também pode encontrar os palmitos – ramos de flores artesanais feitos em papel e arame.

Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

Depois, após uma visita à carvoaria, traça-se a rota até à cidade de Abrantes e depois até à albufeira de Castelo de Bode para apreciar as praias fluviais que convidam a banhos e a desportos náuticos.

A partir da barragem de Castelo de Bode, o rio Zêzere tem um troço de 12 quilómetros, muito utilizado para descidas de canoa. Pouco antes de desaguar no Tejo, o Zêzere refresca o areal da praia fluvial de Constância, onde é essencial visitar o Museu dos Rios e das Artes Marítimas, com histórias das gentes que viviam dos rios e das atividades fluviais. Neste percurso pode provar uma relíquia da doçaria conventual: os queijinhos-do-céu.

Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

No Porto de Turismo pode admirar a perícia artesanal com que são feitas as bonecas de perna de cana, que testemunham um Tejo como principal meio de subsistência, via de transporte de pessoas e produtos. No rio aprecie o trabalho do calafate e os barcos. Depois siga de barco, pelas mãos hábeis do barqueiro, ou atravesse a ponte para ir até ao Parque Ambiental de Santa Margarida, onde pode visitar o Borboletário Tropical. Siga para Este, pela EN118 até Tramagal onde o galardoado Museu Metalúrgica Duarte Ferreira recorda a história do património industrial e metalúrgico construído a ferro e fogo.

De seguida rume à Bemposta, pela popular EN2, para visitar a Sofalca, uma empresa de cortiça expandida, material 100% natural e sustentável proveniente de montados de sobro. Na cidade de Abrantes a não perder ainda a herança gastronómica conventual: palha de Abrantes, e subir até à Fortaleza de Abrantes e ao topo da Torre de Menagem.

Dali vislumbra-se o Sardoal, com ponto de paragem obrigatório no espaço partilhado para as artes e ofícios ArtOf. A lado, encontra-se uma referência do território, o Centro Cultural Gil Vicente que acolhe o espaço Cá da Terra, onde pode provar e comprar um pouco das artes locais ou da gastronomia típica da região.

Tagus apresenta Rota AO.RI e debate relação entre as plantas e os ofícios tradicionais. Créditos: mediotejo.net

Ainda no Sardoal, as igrejas e os fontanários são alguns dos recursos patrimoniais a visitar, e são quatro os percursos pedestres a explorar; a grande rota da prata e do ouro, o calcorrear dos resineiros, o trilho do pastor e o percurso do pão e do vinho. Neste último, os moinhos de Entrevinhas, com quatro moinhos de vento do final do século XIX, fazem parte da paisagem.

Segue-se para Alcaravela, onde a Artelinho preserva a tradição da tecelagem, da cestaria em vime e da produção do pão e bolos típicos feitos em forno de lenha, como as tigeladas.

Para terminar esta viagem é indispensável a visita aos lagares de azeite, onde se mantém viva a importância histórica, económica, social e gastronómica do Ribatejo Interior.

A conferência incluiu ainda palestras onde foram abordados temas como, as artes e ofícios enquanto produtos turísticos, das plantas às coisas, certificação de produtos tradicionais, artes e ofícios enquanto produtos turísticos, artes e ofícios promovidos pelos GAL, a importância das artes e ofícios tradicionais no turismo do Médio Tejo, o bordado de Castelo Branco e as artes e ofícios tradicionais de Constância, temáticas sobre a influência na expressão artística ao longo dos séculos.

Relativamente à importância das artes e ofícios tradicionais no turismo do Médio Tejo, Jorge Simões da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo deu conta do interesse em desenvolver “o turismo sustentável, de uma forma equilibrada” particularmente em três áreas: económica, social e ambiental.

Nota que em 2023, o Médio Tejo foi a sub-região da região Centro que mais cresceu em dormidas “mas todos nós sabemos que isso tem a ver com o chamado efeito Fátima [..] o nosso turismo é desequilibrado no ponto de vista territorial, 85% das dormidas em Fátima, 10% em Tomar e só os restantes 5% no resto do território”, disse.

ÁUDIO | JORGE SIMÕES, DA COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO MÉDIO TEJO

A conferência destacou ainda a “exploração e celebração da interconexão entre as plantas e as tradições artesanais, reforçando o compromisso da comunidade local com a preservação e valorização do seu património cultural e natural”.

Aliás, com o tema ‘As artes e os ofícios tradicionais de Constância, o presidente da Câmara, Sérgio Oliveira, destacou a já referida tabúa, mas também o pinheiro manso usado na construção naval, o lentrisco com os quais se faziam vassouras, o salgueiro para fazer o covo, uma armadilha para colocar nas margens dos rios e apanhar peixe miúdo como as bogas ou enguias, a moita para fazer agulhas usadas para remendar ou fazer redes de pesca e o sobreiro cuja cortiça servia para fazer boias igualmente para a pesca.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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