No total, estão disponíveis 1,55 milhões de euros (ME), um valor que poderá alavancar mais de três ME em investimento privado e público até 2027, no âmbito do Desenvolvimento Local de Base Comunitária (DLBC) e do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), cofinanciados por fundos europeus agrícolas.
Em declarações aos jornalistas no final da apresentação, a técnica coordenadora da Tagus, entidade que abrange os três concelhos e que tem sede em Abrantes, disse que o programa pretende “aumentar a resiliência do mundo rural” e promover um território “mais sustentável, inovador e atrativo”.
A estratégia de intervenção foi elaborada com base num diagnóstico participado e da auscultação da população local, que identificou como principais fragilidades o despovoamento, o envelhecimento da população, a escassez de mão de obra, a baixa atratividade das atividades agrícolas e os efeitos das alterações climáticas, declarou Conceição Pereira.
Segundo a responsável, a apresentação de hoje, que contou com a presença de cerca de uma centena de pessoas, marcou o arranque de um novo ciclo de apoio ao desenvolvimento local no Ribatejo Interior.
“Queremos que este programa sirva de motor de transformação”, afirmou a técnica da Tagus. “O que apresentámos hoje são medidas muito concretas, pensadas a partir do que ouvimos das pessoas, das empresas e das autarquias. O nosso objetivo é fortalecer o tecido económico local, valorizar os recursos endógenos e dar novas oportunidades a quem quer investir e viver no território”, destacou.

ÁUDIO | CONCEIÇÃO PEREIRA, TÉCNICA COORDENADORA DA TAGUS:
As cinco linhas de apoio, que vão abrindo gradualmente, abrangem um amplo conjunto de intervenções.
A primeira destina-se aos investimentos agrícolas, apoiando a modernização de explorações, nomeadamente sistemas de rega, plantações e cercas para animais.
A segunda linha foca-se na transformação e comercialização de produtos agrícolas, como adegas, queijarias e lagares, promovendo a valorização local da produção.
A terceira linha dirige-se ao comércio e turismo de proximidade, com incentivos a pequenas empresas e negócios situados em meio rural, ligados à dinamização económica e à valorização do património.
Já a quarta aposta nos circuitos curtos e mercados locais, incentivando o consumo de produtos de época e a ligação direta entre produtores e consumidores.
Por fim, a quinta linha é dedicada à valorização do património e ao associativismo local, abrangendo projetos culturais, desportivos, ambientais e de promoção da identidade do território.
“Estas medidas são o reflexo da realidade do Ribatejo Interior”, sublinhou Conceição Pereira.
“Temos agricultores que precisam de modernizar as suas explorações, pequenos produtores que querem transformar e vender localmente, e associações que mantêm viva a cultura e o património. Tudo isto faz parte de uma estratégia integrada para manter as pessoas no território e criar novas dinâmicas económicas.”




As taxas de comparticipação variam entre 50% e 75%, conforme o tipo de beneficiário e a natureza do projeto. De acordo com a responsável, “o primeiro aviso de concurso, dedicado à agricultura, já está aberto até 19 de novembro, e os restantes deverão ser lançados no primeiro trimestre de 2026, através da plataforma do PEPAC e do site da Tagus”.
A Estratégia de Desenvolvimento Local (EDL) Tagus 2027, que enquadra estas medidas, assenta em quatro eixos programáticos considerados fundamentais para o futuro do território: digitalização e inovação, promovendo a modernização agrícola e a utilização de energias renováveis; valorização das fileiras e dos produtos endógenos, com destaque para o azeite, o vinho, a cortiça e os hortofrutícolas; sustentabilidade ambiental e bioeconomia, reforçando a adaptação às alterações climáticas e o uso eficiente dos recursos naturais; e governança e cooperação em rede, incentivando o trabalho conjunto entre autarquias, empresas e associações.
“Queremos um território com identidade, competitivo e sustentável”, destacou Conceição Pereira.
“A inovação digital tem de chegar à agricultura e às pequenas empresas; temos de dar valor aos nossos produtos e às tradições; e precisamos de trabalhar em rede, com espírito de cooperação. É assim que conseguiremos afirmar o Ribatejo Interior como um território de oportunidades”, defendeu.
Apesar de considerar as verbas “ainda modestas face às necessidades”, a técnica coordenadora sublinhou que o essencial é “criar massa crítica e dinamismo local” para atrair mais investimento.
“Precisamos de uma comunidade ativa, com empresas e instituições que apresentem bons projetos. Quanto mais participarmos, mais força ganhamos para reivindicar novas verbas e consolidar esta estratégia”, disse.
O objetivo final, concluiu, é “aumentar a resiliência do mundo rural. Queremos que as pessoas sintam que é possível viver, trabalhar e investir aqui, com qualidade de vida e com orgulho no seu território”.
A sessão, que decorreu no auditório Rómulo de Carvalho, no Centro de Ciência Viva de Constância. contou com as intervenções do diretor do Parque de Astronomia, Máximo Ferreira, do vice.presidente da CCDR Lisboa e Vale do Tejo, José Bernardo Nunes, e da vice-presidente da Câmara de Constância, Helena Roxo, que, ao usar da palavra, lembrou que “vivemos tempos de desafios importantes”.
“Os territórios do Ribatejo Interior sofrem com pressões múltiplas – o despovoamento rural, a falta de oportunidades para os jovens, fragilidade das cadeias locais de valor, vulnerabilidade face às alterações climáticas e recursos hídricos, necessidade de modernização tecnológica e de inovação nas explorações e nas empresas rurais e de proximidade. Foi precisamente com base num diagnóstico participado com as comunidades locais que definimos a Estratégia de Desenvolvimento Local Tagus 2027, um plano que orienta os apoios que hoje aqui apresentamos. O objetivo é claro: reforçar a atratividade e resiliência destes territórios, promovendo um desenvolvimento sustentável, inclusivo, inovador, enraizado nos recursos endógenos e na identidade local”, declarou Helena Roxo, que destacou o papel da Tagus neste contexto.
“Hoje mais do que nunca, assinalo o papel crucial que as Associações de Desenvolvimento Local (ADL / GAL) desempenham na efetivação dos fundos públicos: são intermediários de proximidade, facilitadores da execução, catalisadores de projetos, apoiantes iniciativas locais e pontes entre as diretrizes
europeias/nacionais e os agentes do território”, afirmou a autarca de Constância, para quem “não basta haver lei, plataformas, regulamentos e programas”.
“É necessário alguém no terreno que conheça as dinâmicas locais, que consiga sensibilizar, articular, capacitar, acompanhar e monitorizar. É aí que a Tagus tem exercido a sua missão ao longo de décadas.
Mas não podem ficar apenas no papel de mediadores: é urgente reforçar a dotação financeira e operacional destas organizações, dotá-las de mais técnicos e orçamentais, de forma a tornarem a ação mais sólida, abrangente e eficaz. Em suma: sem um reforço estruturado à base, nenhum fundo chega verdadeiramente onde precisa”, declarou Helena Roxo.

ÁUDIO | HELENA ROXO, VICE-PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:
A Tagus – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, constituída em novembro de 1993 por entidades públicas e privadas, tem como missão o desenvolvimento rural e dar resposta às necessidades de criação e aplicação de uma estratégia para o Desenvolvimento Local dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal.
c/LUSA
