Jogo intenso pendeu para a equipa da casa.

SPORT ABRANTES E BENFICA 1 – CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE 1 (7-6 nas G.P.)
Taça do Ribatejo – Quartos de Final
Estádio Municipal de Abrantes – 06-03-2022

A equipa de Salvaterra de Magos apresentou-se em Abrantes sabendo que o favoritismo estava do lado do Benfica local, apesar do bom momento que atravessa. Os quatro jogos sem perder nas últimas jornadas do Campeonato, vencendo na última jornada em Mação, deixavam à equipa de André Risso espaço para o sonho de se poder constituir num “tomba gigantes” em que a Taça é fértil.

Os benfiquistas, a atravessarem um momento menos bom, com a saída de jogadores influentes como Miguel Seninho e João Marchão, também ganharam na última jornada no difícil campo da Azenha, casa do Amiense. Taça é Taça e foi com tudo em aberto que as equipas subiram ao relvado transportando uma bandeira da Ucrânia, homenageando o seu povo mártir.

Equipas homenagearam o povo ucraniano.

Com as equipas a apresentarem alterações, era na equipa da casa que se notavam as maiores ausências. Para além dos jogadores que saíram, notava-se a falta do capitão habitual, Toni, e de Diogo Barrocas e Rafa, habituais titulares. Apresentou-se em muito bom nível Parreira, muito novo mas uma promessa de futuro.

O Salvaterrense parecia ter a lição bem estudada e na bola de saída obrigou João Rosa a sair da sua área a pontapé, anulando aquela que foi a primeira jogada de perigo com apenas alguns segundos jogados! Com esta entrada de rompante, a equipa do sul do distrito colocou os anfitriões de sobreaviso e os cuidados redobraram.

Entrada impetuosa dos visitantes obrigou a cuidados redobrados.

Depois de alguns minutos de estudo mútuo, os visitantes voltaram a ameaçar a baliza de João Rosa através de Joel. Lançado na velocidade passou pelo guarda redes abrantino e valeu na circunstância o corte de Manuel Vitor, anulando uma jogada muito prometedora.

Reagiram os da casa pouco depois com um centro remate de Zé Pedro que obrigou o guarda redes David a aplicar-se. Jogava-se em toada de parada e resposta sem que se verificasse qualquer ascendente duma ou outra equipa. Apostava-se na segurança defensiva.

Aos 12 minutos, Pisco lutou nas alturas com Miguel Catarino que cabeceou de forma a permitir ao seu adversário o enquadramento para o remate vitorioso.

Pisco ganhou a Catarino e marcou aos 12 minutos.

Apesar de estar a ganhar desde cedo, o Salvaterrense tentou consolidar a vitória e aos 16 minutos, num pontapé de canto obrigou Zé Pedro, em funções defensivas, a cabecear para longe. Pouco depois foi a vez de Braga rematar muito perto da baliza dos abrantinos mas a bandeirola do auxiliar indicava a posição irregular.

O livre marcado de forma rápida permitiu o contra golpe e Damas rematou contra um contrário, ganhando um canto. Na transformação Zé Pedro carregou o guarda redes David, sendo-lhe averbada falta atacante. A meio do primeiro tempo uma arrancada de Miguel Catarino pelo corredor direito permitiu o forte remate intercetado por um defensor. O segundo remate foi para lá das quatro linhas.

Depois do golo foi tempo do Abrantes correr atrás do prejuízo

Aos 26 minutos Miguel Pedro atrasou “à queima” para o seu guarda redes, João Rosa, que teve de se aplicar para resolver as dificuldades criadas pelo companheiro. À meia hora de jogo, Oliveira recebeu uma reposição lateral da direita, rodou sobre si e rematou muito colocado ao segundo poste. Com João Rosa batido, a bola passou muito perto dos ferros.

Aos 33 minutos o Salvaterrense dispôs duma oportunidade de ouro para elevar a contagem. Um livre direto em zona frontal, descaído para a esquerda, levou Vítor Hugo para a cobrança. Bateu com mestria e a bola bateu com estrondo precisamente na intercessão da trave com o poste, “onde dorme o mocho”! Grande momento…

Vítor Hugo enviou o esférico aos ferros

O Salvaterrense estava melhor na partida e as oportunidades para dilatar a expressão do marcador sucediam-se. Aos 35 minutos, o capitão Joel assistiu Braga que teve a oposição do guarda redes João Rosa. Sem forma de progredir, decidiu assistir Oliveira, que chegava, vindo de trás. O remate encontrou um defensor de vermelho e saiu pela linha de fundo.

Na resposta dos benfiquistas, Parreira, fazendo uso da sua velocidade, isolou-se e quando se preparava para invadir a área salvaterrense soou um apito. O árbitro havia descortinado uma falta anterior, assinalando-a num claro desprezo pela lei da vantagem.

Na cobrança João Reis obrigou o guarda redes David a uma estirada monumental a negar o golo. Na sequência do canto Miguel Pedro saltou com o guarda redes, introduz o esférico na baliza, mas a jogada foi inviabilizada por carga sobre o guardião na sua área de proteção.

Guarda redes com muito trabalho.

Com o jogo a caminhar rapidamente para o descanso, Rui Sousa arrancou um bom cruzamento a partir da ala esquerda e Salgueiro recebeu em posição de tiro. Foi infeliz na altura do remate e a bola ganhou altura, perdendo-se para lá da linha de fundo.

Entretanto Anthony Silva foi obrigado a ir ao bolso para exibir a cartolina amarela a Vítor Hugo por uma entrada “de sola” que deixou marca. Aos 43 minutos João Antunes tentou armar o remate já dentro da área abrantina mas Manuel Vítor foi superior e resolveu.

Salvaterra tenta fazer o segundo golo.

Já com o tempo esgotado, Parreira, muito veloz, ganhou a todos os adversários e foi rasteirado quando se aprontava para invadir a área defensiva do Salvaterrense. Chamado à conversão Rui Sousa esmerou-se em demasia e acertou… na trave!

Ainda teve tempo para ver a cartolina amarela ser-lhe exibida por entrada dura e logo depois o juiz deu a primeira etapa do jogo por concluída. O resultado ao intervalo afigurava-se justo face à produção de ambas as equipas.

Jovem Parreira fez um jogo de muita qualidade.

Com as expectativas elevadas, as equipas regressaram para o segundo tempo e desde logo se verificou que Paulo Séninho mantinha a confiança no “onze” que lançou de início, enquanto André Risso lançou Xarola no jogo, preterindo Braga, que ficou no balneário.

Competia aos pupilos de Séninho correrem atrás do prejuízo em busca dum resultado que lhe fosse favorável. Logo aos 48 minutos um cruzamento da direita encontrou Zé Pedro no coração da área. Encandeado pelo sol já muito baixo, a cabeçada saiu para trás onde surgiu Parreira a rematar de primeira muito perto dos ferros da baliza de David.

Zé Pedro voltou a ser a referência atacante dos abrantinos.

Aos 51 minutos, quando se percebia que o Benfica abrantino havia entrado melhor que o adversário, rematou e a bola pareceu ir ao braço dum defensor. O árbitro não teve dúvidas e considerou fortuito, assinalando pontapé do quarto de círculo. Na cobrança, Francisco Salgueiro cabeceou para defesa de David.

O Salvaterrense, na expectativa, apenas reagiu à passagem do 58º minuto através dum cruzamento da esquerda. Xarola encheu o pé para defesa valorosa de João Rosa para canto.

Aos 62 minutos a equipa da casa materializou a sua superioridade. Parreira, uma seta sempre apontada à baliza de David, entrou na área salvaterrense e Evandro acabou por rasteira-lo. O árbitro apontou a marca dos onze metros e daí Pedro Damas não perdoou. Marcou, empatando a partida.

Pedro Damas bateu David de grande penalidade.

Os abrantinos queria resolver a partida antes dos pontapés da marca de penalti e continuaram em ritmo elevado na busca do golo da vitória.

Aos 66 minutos, na transformação dum livre, pediu-se grande penalidade por mão na bola na área dos forasteiros. Anthony Silva, bem posicionado, não atendeu e os protestos foram escassos.

No minuto seguinte Zé Pedro encetou uma cavalgada ao seu estilo desde o meio campo. Ainda suportou uma carga sem castigo mas foi derrubado por Evandro que viu a cartolina amarela. A resposta dos “amarelos” não demorou. Xarola, numa rápida transição, ficou na cara de João Rosa. À saída do guarda redes disparou por cima.

Com espaço para jogar o jogo ficou “partido”.

O jogo estava “partido”, com muito espaço, num e noutro meio campo e Parreira isolou-se sofrendo entrada dura de Otega que viu o cartão amarelo. Já nos últimos minutos, aos 84, Oliveira rematou fraco para defesa fácil de João Rosa.

Aos 87 minutos Manuel Vítor protagonizou o lance que tinha tudo para decidir o jogo. Rasteirou João Paulo na área de rigor e colocou Vítor Hugo na marca de penalti para tentar a conversão. Com uma enorme defesa João Rosa impediu que os visitantes celebrassem.

João Rosa defendeu penalidade a dois minutos do fim.

O empate prevaleceu para lá do tempo regulamentar e descontos obrigando ao desempate através de pontapés de grande penalidade. A primeira série de cinco para cada equipa resultou na conversão de todos os remates, prosseguindo até à solução final.

Ao sétimo penalti o guarda redes João Rosa foi decisivo ao defender o remate de Evandro e deixando para o seu companheiro Manuel Vítor a responsabilidade do apuramento para as meias finais. Manuel Vitor, com remate colocado, obteve esse desiderato e foi, juntamente com João Rosa, um dos “heróis” deste apuramento.

Manuel Vítor colocou Abrantes nas meias finais.

A boa atitude dos abrantinos no segundo tempo, um guarda redes inspirado e a sorte, sempre necessária nas decisões por penalidades, corporizam a reviravolta favorável à equipa da casa. O Salvaterrense voltou a deixar uma boa imagem e esteve a um pequeno passo do apuramento. A dois minutos do final Vítor Hugo desperdiçou um excelente ensejo para resolver o jogo a seu favor. Bom trabalho da equipa de arbitragem chefiada por Anthony Silva.

Boa arbitragem.

Depois de conhecidos os emblemas apurados para as meias finais ficou a saber-se que o Sport Abrantes e Benfica irá jogar a primeira mão, em 30 de março, com a sua congénere no Cartaxo, recebendo o Sport Lisboa e Cartaxo, em Abrantes, a 15 de abril. Na outra meia final jogam, nas mesmas datas, Amiense e Fazendense.

Abrantes festejou passagem às meias finais da Taça Ribatejo.

Ficha do Jogo:

SPORT ABRANTES E BENFICA:
João Rosa, Miguel Catarino, Manuel Vítor, Miguel Pedro, Rui Sousa, Diogo Mateus, Francisco Salgueiro, Pedro Damas, João Reis (João Nogueira), Zé Pedro e Parreira (João Luís).
Suplentes não utilizados: João Elisbão, João Macieira, Konguito, Pedro Marchão e Carola.
Treinador: Paulo Séninho.

Sport Abrantes e Benfica.

CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE:
David, Otega, Evandro, Pisco, Braga (Xarola), Cardoso, Joel, Pedro Moço, Oliveira, João Antunes (João Paulo) e Vítor Hugo.
Suplentes não utilizados: Pimentel, Quaresma, Marco Tiago e Brenha.
Treinador: André Risso.

Clube Desportivo Salvaterrense.

GOLOS:
Pedro Damas [g.p] (Abrantes) e Pisco (Salvaterrense).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Anthony Silva, Pedro Santos e Bruno Marques.

Equipa de Arbitragem: Anthony Silva, Pedro Santos e Bruno Marques com os capitães.

No final fomos ouvir os porta-voz de ambas as equipas. Paulo Séninho delegou no seu capitão Diogo Mateus, reforçando a ideia que a vitória é dos jogadores.

DIOGO MATEUS (Abrantes)

Diogo Mateus, capitão do Sport Abrantes e Benfica.

ANDRÉ RISSO (Salvaterrense)

André Risso, treinador do Salvaterrense.

*Com David Belém Pereira (multimédia).

Jorge Santiago

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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