O governo prepara-se para fazer algumas alterações no apoio alimentar que é dado a quem mais precisa. Até esta data, o país tem a funcionar uma rede de cantinas sociais, implementadas pelo anterior governo, que “reativou” a chamada “sopa dos pobres”. Se por um lado há pessoas que não têm como cozinhar uma refeição quente, por outro estivemos durante os últimos anos a retirar competências às pessoas. Abordámos este assunto em anteriores crónicas no mediotejo.net.
O Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC) está assim a ser reestruturado, e as equipas no terreno, Serviços de Atendimento e Acompanhamento Social – Redes Locais de Intervenção Social e equipas do Rendimento Social de Inserção, têm estado a efetuar avaliações das situações, de modo a aferir quem continua a ter a necessidade de receber alimentos, e quem tem ou não capacidade de receber alimentos para confecionar.
Ao contrário do que acontecia até aqui e que era tão criticado pela comunidade, é que este apoio acontecia duas vezes por ano, e eram entregues quantidades exageradas de alimentos, que muitas vezes acabavam nos contentores do lixo. Agora, o que se pretende é que estas pessoas recebam estes alimentos, semanalmente, em quantidades e de acordo com a constituição da família. Isto, segundo informação veiculada pelos órgãos de comunicação social. Os serviços não têm ainda orientações nesta matéria. Resta-nos questionar que tipo de avaliação e acompanhamento será feita ao longo do ano e que resposta será dada a quem não pode confecionar estes alimentos, na expetativa (quase certeza) de que terá de haver alguma supervisão/ ajustamento ao longo do ano, às situações em acompanhamento e às que forem surgindo. De igual forma tem de continuar a ser garantido apoio a quem não tem capacidade de confecionar refeições, nem pode ser integrado noutra resposta social. Importa assegurar a dignidade da pessoa humana.
De qualquer forma, é uma medida bastante positiva. Acabamos, ou pelo menos limitamos a exposição à “sopa dos pobres”, dignificamos as pessoas, promovemos competências. Com o devido acompanhamento social destas situações, parece-me bastante adequada, dentro do que é possível. Entretanto poder-se-ia repensar o nome do programa. Carenciados somos todos nós, nem que seja de paciência para estes nomes.
