O óbvio é óbvio quando obviamente se olha para os factos de forma objetiva. Deixa de o ser quando a subjetividade passa a ser a palavra de ordem, mesmo que saibamos que, paradoxalmente, essa ordem tenha origem no caos.
Como é óbvio, apesar de não o ser, a objetividade é muitas vezes subjetiva e a subjetividade é poucas vezes objetiva.
Tudo isto parece confuso e é, de facto, apesar da insistência na “venda” de um conceito universal de organização.
Todas as referências anteriores podem ser usadas como metáforas dos tempos modernos. A objetividade e a subjetividade confundem-se com demasiada frequência e estão na origem de grande parte do caos que tem sido intencionalmente instalado.
Há cada vez menos vontade de exigir informação, rigor e transparência, contentando-se a maioria com a suspeita, a polémica e a opacidade.
Mesmo quando o assunto é quotidiano, a objetividade perde-se na subjetividade por trás dos olhos que observam e as nossas referências, as nossas cores, os nossos sentimentos e o nosso conhecimento acabam por influenciar a interpretação daquilo que vemos… ou daquilo que queremos ver.
Chega a ser triste, confrangedor e mesmo depressivo perceber o estado a que chegámos. Ganha outra dimensão a preocupação quando percebemos que a exceção se transformou na regra.
Não é um exclusivo de fações, de grupos ou de qualquer organização minoritária. É uma prática cada vez mais comum, transversal de norte a sul sem deixar de passar pelas ilhas.
E tudo isto é tão mais grave, que toda a subjetividade escrita neste pequeno texto já terá dado origem a opiniões objetivas sobre a mensagem nele contida.
Uma espécie de “teaser” onde para bom entendedor meia palavra basta ou onde a subjetividade tem vindo a substituir a objetividade que entretanto se tem perdido no meio da razão.
Há de facto conceitos universais que têm deixado de o ser e há de facto valores que passaram a ter um preço. Objetivamente com o alto patrocínio de uma cada vez maior subjetividade do óbvio.
