Os últimos dias foram recheados de notícias sobre agressões gratuitas a jogadores de futebol. Não sou comentadora desportiva mas não posso ficar indiferente aos últimos acontecimentos. Aliás, nestes dias, acho que todos nós tecemos comentários.

Fizeram-se piadas mais ou menos “mazinhas”, perderam-se horas a ouvir presidentes a deixar falar o seu ego. Sou Benfiquista e a minha opinião sobre o futuro de outro clube, pouco importa.

Importa-me que a comunicação social passe em horário nobre, em modo de repetição, os acontecimentos dos últimos dias.  Que se insultem jogadores que foram agredidos e que apesar de tudo cumpriram o seu compromisso, como se de um jogo de “vida ou de morte” se tratasse. Que esses mesmos jogadores tenham de ser escoltados ao hotel por questões de segurança. Bem… e aqui estou eu também a dar atenção aos últimos acontecimentos. Isto leva-nos para outra reflexão.

Sem querer ser moralista, questiono-me sobre os valores da nossa sociedade atualmente. Em que nos regemos por impulso, sem pudor das consequências, se agride gratuitamente o outro e se destroem vidas por causa de uns milhões de euros que nem somos nós que ganhamos.

Quando uns andam a lutar pelos seus direitos, por melhores condições no trabalho, pela reposição de direitos adquiridos, pela baixa dos impostos, quando o combustível sobe de preço, quando há pessoas a passar por sérias dificuldades, quando os serviços não têm resposta imediata para os problemas sociais emergentes… discutimos resultados de futebol.

De facto anda aqui qualquer coisa baralhada. Bom, fica a nota para quem tem interesse no que se passa na sua comunidade, que em Abrantes decorrem esta semana as Jornadas Sociais.

Ali sim, vamos discutir assuntos que podem mudar o rumo da nossa comunidade. Vamos partilhar experiências, dificuldades, vamos “apontar armas” aos desafios que parecem não ter solução e arregaçar mangas, porque ninguém está sozinho.

Nem sempre as coisas acontecem como desejaríamos. A minha maneira de pensar o social e de fazer o social nem sempre é igual à dos meus colegas, mas isso não quer dizer que uns ou outros estejamos errados.

Quer dizer que podemos sim unir sinergias, pensar em conjunto e aproveitar as ideias uns dos outros para uma resposta conjunta, concertada. Uma resposta efectiva para os problemas e não “um penso rápido”.

Que tudo sirva de reflexão, senão, não valerá a pena. E vale sempre a pena!

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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