Sociedade Artística Tramagalense celebra 125 anos e pede ajuda para conservar património. Foto: CMA

A Sociedade Artística Tramagalense (SAT) assinalou o 125.º aniversário com um apelo à preservação da sua sede centenária, alertando que a conservação do edifício ultrapassa a capacidade da direção e exige o envolvimento da comunidade e das entidades públicas.

As comemorações decorreram na quarta-feira, dia 1 de julho, nas instalações da coletividade, com o hastear das bandeiras ao som do hino da SAT, sessão solene, entrega de medalhas a cinco sócios e um momento de confraternização que assinalou os 125 anos de atividade ininterrupta da associação.

Na intervenção que marcou a cerimónia, o presidente da direção, Bruno Grácio, afirmou que assumir a presidência da SAT precisamente no ano em que a coletividade celebra 125 anos representa “uma enorme honra”, mas também “um compromisso muito sério” para preservar um património construído ao longo de mais de um século.

“Celebrar 125 anos é um privilégio que poucas instituições alcançam. É a prova de que, ao longo de mais de um século, muitas gerações acreditaram nesta casa e lhe dedicaram o seu tempo, o seu trabalho e a sua dedicação”, afirmou, lembrando que a SAT “foi muito mais do que uma associação”, tendo desempenhado um papel na cultura, na música, no convívio e na identidade da comunidade tramagalense.

Bruno Grácio prestou ainda homenagem aos antigos dirigentes, músicos, colaboradores, sócios e voluntários que contribuíram para a história da instituição, recordando de forma particular o avô, Manuel Fernando de Oliveira Grácio, antigo presidente da SAT, falecido em março deste ano, considerando que o seu percurso representa o exemplo de muitos que “deixaram aqui uma parte da sua vida”.

O responsável alertou, contudo, para os desafios que a associação enfrenta na conservação do seu património.

“A nossa sede, que ao longo de tantas décadas acolheu gerações de tramagalenses, começa hoje a evidenciar as marcas inevitáveis do tempo. O estado do telhado e outras necessidades de conservação lembram-nos que proteger este património é um desafio que ultrapassa a capacidade de qualquer direção”, afirmou.

Defendendo que a sede da SAT faz parte da memória coletiva do Tramagal, Bruno Grácio sustentou que preservar o edifício significa garantir às futuras gerações “um espaço de cultura, de aprendizagem, de convívio e de participação cívica”, apelando ao envolvimento dos sócios, voluntários, comunidade e entidades públicas na salvaguarda daquele património.

Na cerimónia foram homenageados com a “Borboleta de Prata” os sócios Vítor Hugo Cardoso, Joaquim Pereira Mota, Joaquim Simplício, Isidoro Loureiro e João Brunheta, em reconhecimento pelos anos de filiação na coletividade.

A convite da direção estiveram presentes o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, o vereador da Cultura, Luís Dias, e o presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, António José Carvalho.

Fundada em 1 de julho de 1901, a então designada União Fabril nasceu por iniciativa de trabalhadores da Metalúrgica Duarte Ferreira, dando origem à banda filarmónica que marcou durante décadas a vida cultural da vila.

Em 1944, a coletividade passou a adotar a designação de Sociedade Artística Tramagalense (SAT), mantendo desde então uma atividade regular nas áreas da cultura, do associativismo e da promoção teatral, musical, e desportiva, entre outras.

Sociedade Artística Tramagalense celebra 125 anos e pede ajuda para conservar património. Foto: CMA

Conhecida como a “Catedral da Cultura”, a SAT é uma das coletividades mais antigas do concelho de Abrantes e continua a desenvolver atividade cultural e recreativa na vila do Tramagal.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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