SNS24 encaminha doente para extensão de saúde encerrada. Foto: DR

O caso aconteceu com o Polo de Saúde de Alvega, da UCPS de Abrantes, na segunda-feira, 9 de dezembro. Um utente residente da freguesia de Alvega, onde só existem cuidados médicos no posto de saúde às quartas e às sextas-feiras, contactou a linha SNS24 antes de se deslocar com a sua filha de 13 anos, com fortes sintomas gripais, à urgência pediátrica do Hospital de Torres Novas. E foi encaminhado pela SNS24, duas vezes, para uma extensão de saúde encerrada, apesar das insistências o utente sobre tal facto.

Quer o Ministério da Saúde quer a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo recomendam a orientação desta linha, antes de procurar uma consulta no centro de saúde ou a urgência de um hospital, afirmando existir uma boa articulação entre a SNS24 e os cuidados de saúde primários e com os hospitais, mas o sistema não é infalível e depende dos dados inseridos na plataforma.

“Em caso de necessidade de cuidados médicos, é importante reforçar à população a necessidade de ligar previamente para a linha SNS24 (808 24 24 24) antes de qualquer deslocação às urgências hospitalares da região, para garantir uma adequada resposta no local mais indicado para a condição de saúde de cada utente”, lê-se em nota enviada à imprensa pela ULS do Médio Tejo.

Ora o “local mais indicado”, por informação do sistema, foi uma extensão de saúde, naquele dia, de portas fechadas. Isto porque aos profissionais da SNS24 “têm indicações” para encaminhar os doentes para o polo de saúde mais próximo, que no caso era Alvega, apesar de não ter médico, nem funcionário administrativo ao serviço e, no momento em que o nosso jornal se dirigiu ao local, sequer sem enfermeiro. O doente ficou, portanto, sem as indicações para os cuidados médicos necessários e sem saber se se devia dirigir para as urgências pediátricas de Torres Novas, não estando referenciado para tal pela Saúde24.

Aquando do contacto, com a linha SNS24, o utente informou os profissionais de saúde que a extensão de saúde de Alvega encontrava-se sem cuidados médicos à segunda-feira e que, provavelmente, estaria aberta, como garantia a plataforma do SNS, apenas com cuidados de enfermagem. Mas a resposta foi inflexível; o utente teria de se deslocar ao posto de saúde e falar com o funcionário administrativo, com a obrigação de encaminhar o doente para outro centro de saúde no caso de inexistência de cuidados médicos naquele polo.

Porém, o polo de Alvega encontrava-se completamente encerrado, apesar do sistema informar o contrário, e o utente voltou a telefonar para a linha SNS24 informando o profissional de saúde da situação, confirmando o fecho daquela extensão de saúde. A resposta foi a mesma; “o sistema informa que está aberto e temos que enviar o doente para o centro de saúde mais próximo” da sua residência.

Questionada a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo sobre qual seria a entidade responsável por uma informação errada, capaz de prejudicar a saúde de um doente, a ULS confirmou a existência “de uma incorreção na comunicação dos horários de funcionamento da extensão de Alvega através da plataforma do SNS, que motivou ao erro de referenciação pela linha SNS24”.

Perante o acontecimento, o Conselho de Administração da ULS Médio Tejo apresentou “desculpas pelo incómodo causado, garantindo que a situação reportada já foi corrigida”.

Explicou estar em causa “uma recente migração dos sistemas e plataformas de referenciação através da Linha SNS24. O atual sistema de dados mestres utilizado inclui todos os dados, quer das urgências hospitalares, quer dos cuidados de saúde primários, incluindo as extensões. Este novo sistema já permite ao SNS24 a marcação de consultas para as unidades, no âmbito das unidades que já têm em implementação o projeto “Ligue Antes, Salve Vidas” (que não é o caso da ULS Médio Tejo)”.

Confirmou ser Alvega “uma extensão que funciona apenas dois dias por semana, sofreu de facto uma incorreção na comunicação dos horários de funcionamento, que não foi atualizada na plataforma, situação à qual o SNS24 é alheio”.

A ULS acrescentou que “tudo será feito para acautelar que este tipo de situação não volte a acontecer, devido ao dano que causa aos utentes uma referenciação para o local errado numa situação de doença aguda. Apesar da falibilidade do sistema, foi já reforçada comunicação junto dos coordenadores das unidades de cuidados primários para a verificação dos horários inseridos na plataforma”.

O nosso jornal ainda questionou a ULS do Médio Tejo se a UCSP de Abrantes tem o telefone a funcionar, tendo em conta que o telefone nunca foi atendido, das vezes que ligámos.

Em resposta a ULS do Médio Tempo garantiu não haver “reporte de qualquer constrangimento junto do Serviço de Informática. Está uma migração de telecomunicações prevista” esta semana.

Em todo o País são 18 as ULS que têm referênciação obrigatória para os os hospitais de sua administração. Os doentes só têm acesso à urgência hospitalar no caso de serem referênciados pelo INEM, SNS24 ou centros de saúde. Não é o caso das urgências das três unidades hospitalares da ULS Médio Tejo, com exceção para as grávidas.

A ULS Médio Tejo integra o projeto-piloto de novo modelo de atendimento das Urgências de Ginecologia-Obstetrícia e, a partir desta segunda-feira, 16 de dezembro, antes de ir a uma Urgência de Obstetrícia e Ginecologia é necessário ligar para a linha SNS Grávida/Ginecologia – 808 24 24 24.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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