Situação no Tejo está mais estabilizada, mas ainda não normalizou, alerta Proteção Civil. Foto: mediotejo.net

A situação no Tejo está “bastante estabilizada” após o nível do rio ter descido, mas ainda “não está normalizada” e as populações devem ter precaução porque ainda há zona afetadas. O comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo explicou que o rio ainda tem “algum caudal” e, embora já tenha regressado todo ao seu leito na zona mais a norte, isso ainda não aconteceu na Lezíria, na parte sul do distrito de Santarém.

David Lobato recordou que a descida do rio levou a Comissão distrital de Santarém da Proteção Civil a baixar o nível do alerta de vermelho para amarelo, numa reunião realizada na segunda-feira, mas as populações devem manter a prudência e não atravessar zonas interditadas ou ainda com água.

“Aqui na zona do Médio Tejo, todo o leito do rio já se encontra dentro das suas margens, mas na Lezíria do Tejo isso ainda não acontece”, afirmou, indicando que as equipas da Proteção Civil ainda mantêm a vigilância para acorrer a alguma eventualidade.

O comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo indicou que o nível de alerta amarelo deve manter-se esta semana, “até porque as duas barragens, de Castelo de Bode e de Alcântara, ainda estão com algum enchimento” e é provável que tenham de “fazer descargas preventivas” de água.

“Agora, nas zonas baixas do Médio Tejo, já se começa a notar muito trabalho de limpeza que está a ser feito pelos municípios e pelos serviços municipais”, destacou, frisando que na, zona da Lezíria, ainda vai demorar “mais uma semana, pelo menos, até a água voltar aos seus cursos normais”.

David Lobato pediu, por isso, às populações para “não adotarem comportamentos de risco” e “não tentarem atravessar” zonas ainda inundadas ou que estão sinalizadas para não serem atravessadas.

Foto: Barquinha/Paulo Jorge de Sousa

“Se houver água na estrada, por favor, o que pedimos é que não atravessem, não façam atravessamento dessas vias, porque a coisa pode correr muito, muito mal”, advertiu o comandante da Proteção Civil, lembrando que “a situação ainda não está normalizada e é bom que as pessoas tenham isso em atenção”.

Na manhã de sábado, em localidades como Abrantes, Barquinha e Constância, comerciantes e moradores iniciaram operações de limpeza e alguns começaram a reabrir cafés, restaurantes e espaços comerciais. As tarefas de limpeza vão prolongar-se por mais alguns dias.

A tendência é de descida gradual, mas lenta, a caminho de fechar um dos ciclos de cheia mais exigentes dos últimos anos nas subs-regiões do Médio Tejo e Lezíria do Tejo – e que ficará marcado pelo pico histórico de mais de 9.057 m3/s em Almourol, constituindo-se a segunda maior cheia no século XXI no rio Tejo.

Quando se assinalam 21 dias da passagem da depressão Kristin, que foi seguida depois pelas depressões Leonardo e Marta, há várias dezenas de vias rodoviárias afetadas, cortadas ou condicionadas devido aos efeitos do mau tempo nos municípios de Azambuja, Benavente, Almeirim, Constância, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha, Mação e Ourém, segundo a Proteção Civil.

Há estradas nacionais, estradas municipais e caminhos municipais submersos, afetados por quedas de taludes, movimentações de massas ou quedas de pontes, que dificultam as deslocações nestes concelho.

Por isso, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo reiterou os apelos para que as populações tenham precaução a circular e procurem vias alternativas que já estejam desimpedidas.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

c/LUSA

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